Home / Nordeste Guia Turismo / Paraíba / Interior - Cabaceiras, Ingá, Areia e Sousa / No Interior da Paraíba é prospero e se alternam sertões e serras

 

Interior da Paraíba No Interior da Paraíba fica a segunda cidade do estado, Campina Grande do Interior da Paraíba, que guarda vestígios dos tempos prósperos em que era um dos grandes produtores mundiais de algodão, ao mesmo tempo em que se renova atraindo multidões para suas grandiosas festas populares.

Outro evento tradicionalíssimo no interior da Paraíba é a Festa do Bode, que tem lugar no município de Cabaceiras, onde se situa também o belíssimo lajedo de Pai Mateus, com intrigantes formações rochosas e pinturas rupestres.

No estado, aliás, há outros dois tesouros pré-históricos: o Sítio Arqueológico de Ingá, onde se podem ver traços feitos há milênios, e o vale dos Dinossauros, em Sousa, onde foi descoberto um dos mais longos rastros daquele animal.

mapa Paraíba

A pequena Areia, no alto da serra de Borborema, é outra relíquia: seu conjunto arqu itetónico, erguido no século XIX, foi tombado pelo Iphan em 2005 como património nacional.

CAMPINA GRANDE NO INTERIOR DA PARAÍBA

Situada na serra de Borborema, a 125 quilómetros de João Pessoa, com acesso pela BR-232, a antiga Vila Nova da Rainha, fundada em 1790 – o nome Campina Grande só foi adotado em 1864, com sua elevação à categoria de cidade – , viveu um momento de glória na segunda metade do século XIX, quando a Guerra de Secessão americana desmantelou a produção de algodão, elevando o Brasil ao posto de segundo maior produtor de algodão do mundo (o primeiro lugar cabia a Liverpool, na Inglaterra).

Ao lado dos vestígios de sua história, a cidade zela por sua tradição musical e festiva: é a terra do chamado forró pé-de-serra – aquele que se faz acompanhar de triângulo, zabumba e sanfona.

O auge do ritmo ocorre durante a festa de são João, considerada, se não a mais longa – honra que, de acordo com a tradição, cabe a Caruaru, em Pernambuco – , ao menos a mais visitada do país.

Em junho, estima-se em 1 milhão o número de presentes nos festejos; só na noite de 23 para 24 de junho, o Parque do Povo – uma enorme estrutura com barracas, no centro da cidade – recebe 80 mil pessoas para ver algumas das trezentas quadrilhas que se apresentam ao longo de todo o evento.

Em junho e julho, nos fins de semana, a brincadeira se estende até o chamado Trem Forroviário, que promove uma “viagem dançante” até o distrito de Galante, a 12 quilómetros de distância: são sete vagões sem cadeiras ou bancos, cada qual animado por um trio de músicos. O trem do forró sai às 10 horas da Estação Ferroviária (pça. Cel. Antonio Pessoa, 124).

Campina Grande promove em abril um concorrido Carnaval fora de época, o Micarande, também no Parque do Povo.

MUSEU DO ALGODÃO

Instalado na antiga estação de trens da cidade, o museu abriga a memória dos tempos em que o algodão era chamado de “ouro branco” e sustentava a economia de Campina Grande.

Nele estão reunidas máquinas – a maioria de madeira, ainda muito rudimentares -, utensí lios e fotografias, além de um autêntico fardo de algodão, de 100 quilos. Rua Benjamin Constant, Largo da Estaҫão Velha.

MUSEU HISTÓRICO DE CAMPINA GRANDE

No prédio, de 1814, funcionava originalmente a Casa de Câmara e Cadeia da cidade, e em uma de suas celas esteve preso frei Caneca durante a Confederação do Equador.

Em 1897, nele foi instalada a Companhia de Telégrafos da cidade – a fachada ainda ostenta a inscrição “Telegrafo Nacional”.

O museu, que ocupa o primeiro pavimento, reúne mapas e fotos, com legendas que contam a história local desde os primitivos aldeamentos indígenas, passando pelos ciclos da cana-de-açúcar e do algodão. Av. Mal. Floriano Peixoto, 825, Centro.

MUSEU DE ARTE ASSIS CHATEAUBRIAND

Museu de Artes Assis ChateaubriandFundado em 1967 e administrado pela Universidade Estadual da Paraíba, o museu possui um importante acervo de 560 obras, com quadros de artistas como Di Civalcanti, Lasar Segall e Tomie Ohtake.

O acervo está, porém, em processo de mudança, e embora apenas uma galeria com 54 peças possa ser visitada, ela inclui telas de Pedro Américo e de Cândido Portinari que, por si só, valem o passeio. Podem-se agendar visitas monitoradas. Parque Evaldo Cruz, s/n.

ARTESANATO

Na loja Donna Terra, o turista encontra os famosos trabalhos feitos em algodào naturalmente colorido – em tons de bege – da Embrapa, um dos orgulhos de Campina Grande (Shopping Iguatemi, av. Severino Bezerra Cabral, 1190, lj. 84, Catolé).

No Núcleo Familiar de Brinquedo Popular, podem-se adquirir piões, carrinhos de madeira, ioiôs, petecas e outros brinquedos muito bem acabados, recolhidos entre as mais clássicas tradições populares brasileiras (rod. BR-230, 4586, Lagoa de Dentro).

CABACEIRAS NO INTERIOR DA PARAÍBA

As ruas pacatas de Cabeceiras, de casas simples e antigas, serviram de cenário para os filmes O auto da compadecida (2000), de Guel Arraes, e Cinema, aspirinas e urubus (2005), de Marcelo Gomes.

Fora das telas, Cabaceiras, a 69 quilômetros de Campina Grande e 193 de João Pessoa, é palco da tradicionalissima festa do Bode, que ocorre no fim do mês de maio e dura três dias.

Nesse período, não se fala em outra coisa na cidade: vendem-se e trocam-se os animais mais bonitos e bem-dotados, comercializam-se as novidades feitas com o seu couro, escolhe-se o “Bode Rei” do ano.

Não é difícil entender a reverência ao animal: encravada na região do semi-árido, no chamado sertão do Cariri, Cabaceiras tem na criação de bodes a sua principal atividade econômica.

Como é acompanhada por shows musicais e outras atrações, a festa acaba por atrair também quem quer apenas se divertir.

O grande programa da cidade, contudo, é o passeio até o magnífico lajedo de Pai Mateus, enorme superfície de granito – bem maior do que um campo de futebol – em que repousam rochas esféricas igualmente gigantescas.

Segundo a lenda, em uma delas – a pedra do Capacete – teria vivido, no século XVIII , um curandeiro cujo nome batiza o lugar.

O lajedo fica dentro da propriedade de Crysostomo Lucena de Holanda, que há alguns anos investiu em infra-estrutura a fim de receber os turistas.

Para visitar o local , é preciso entrar em contato com o Hotel Fazenda Pai Mateus, que providencia guias – medida necessária, pois é fácil perder o senso de direção sobre a imensa placa de pedra.

É igualmente indispensável levar chapéu e água para enfrentar o sol inclemente. Desde junho de 2004, mais de 18 mil hectares da regiào onde está o lajedo de Pai Mateus constituem uma Área de Proteção Ambiental, a APA do Cariri.

O acesso à cidade a partir de João Pessoa se dá pela BR-230 até Campina Grande. De lá, toma-se a PB-148, seguindo as indicações para Queimadas. A partir da localidade de Boqueirão, é preciso ter cuidado redobrado na estrada cheia de curvas.

ARTESANATO EM COURO

No pequeno distrito de Ribeira , na zona rural de Cabaceira, funcionam as dez oficinas da Arteza – Cooperativa de Curtidores e Artesãos do Couro. Sapatos, bolsas, sandálias, chapéus e outros artigos são fabricados artesanalmente, segundo técnicas tradicionais e com ótimo acabamento, e podem ser comprados na própria entidade a preços convidativos .

A produção da Arteza, inaugurada em 1998, já atende também os mercados de Campina Grande, Brasília e São Paulo.

INGÁ NO INTERIOR DA PARAÍBA

O que faz esta pequena cidade – localizada a 109 quilômetros da capital, pela BR -230 – conhecida muito além dos limites da Paraíba é seu Sítio Arqueológico. Nele está a pedra de Ingá, também chamada de Itacoatiara de Ingá (“itacoatiara” significa “inscrições em pedra”), com 24 metros de comprimento e 3,8 de altura.

Especialistas calculam que as gravuras que se vêem na pedra podem ter sido feitas há 25 mil anos, possivelmente por grupos que rendiam algum tipo de culto às águas.

Visitado por turistas de várias partes do mundo, o Sítio Arqueológico de Ingá só não está abandonado graças aos esforços do casal Cecília e Renato Alves da Silva.

Moradores do lugar, eles tomam conta do monumento natural “por amor à pedra” – sem nenhuma remuneração.

O acesso à famosa Itacoatiara é feito através de uma casa que serve de “museu arqueológico”, reunindo ilusu-ações e mapas. Ingá está a 109 quilômetros de João Pessoa, pela BR-230. Sítio Arqueológico de Ingá, s/n.

AREIA NO INTERIOR DA PARAÍBA

A pequena e encantadora Areia ainda não tem boa estrutura hoteleira, mas o passeio é válido sobretudo para quem estiver em Campina Grande, da qual dista 49 quilômetros.

Fincada no alto da serra da Borborema, a 130 quilômetros de João Pessoa pela BR-230, a cidade cresceu cercada de engenhos, uma vez que a cana-de-açúcar se desenvolvia bem em suas terras úmidas.

A prosperidade econômica fez surgir uma elite intelectualizada e liberal, responsável pela edificação de um bonito conjunto arquitetônico tombado pelo Iphan.

Essa mesma elite financiou a construção, em 1859, do Teatro Minerva, o primeiro da Paraíba. Originalmente, o Minerva foi chamado de Recreio Dramático; seu nome atual se deve à estátua da deusa romana que foi colocada no alto de seu frontispício – e que permanece lá.

Pequeno, com telhado de duas águas, o teatro continua a servir de palco para montagens de peças de grupos da cidade (rua Epitácio Pessoa, 102).

Local onde nasceu o romancista e político José Américo de Almeida, Areia também é a terra natal de Pedro Américo (1843-1905), um dos mais importantes pintores brasileiros do século XIX.

Autor, entre outros, do quadro Grito do Ipiranga, que se encontra no Museu Paulista (Museu do Ipiranga), em São Paulo, Pedro Américo deixou a casa onde veio ao mundo aos nove anos para acompanhar como desenhista a expedição pelo Nordeste de um naturalista francês.

A casa, no entanto, é conhecida como Museu Pedro Américo, embora não exista ali nenhuma obra do artista, apenas cópias em preto-e-branco; o local hoje é regularmente visitado por estudantes (rua Pedro Américo, 66).

Frequentado por turistas é o Museu do Brejo Paraibano ou Museu da Cachaça e da Rapadura. Trata-se da casa-grande do engenho Várzea, situada no campus Areia da Universidade Federal da Paraíba.

Construído por volta de 1870, é um engenho tipicamente paraibano – sólido, simples, sem ostentação, diferentemente das construções de outras regiões do Nordeste, marcadas pelo luxo.

Nele podem-se ver móveis, utensílios e outros vestígios da civilização do açúcar (Universidade Federal da paraíba, Campus II, Areia).

SOUSA NO INTERIOR DA PARAÍBA

Com 51 pegadas de dinossauros, distribuídas em 50 metros – um dos mais longos rastros já descobertos no mundo – , a cidade de Sousa, a 436 quilômetros da capital do estado pela BR-230, se transformou num marco da passagem daqueles gigantescos animais pré-históricos pela América.

Os vestígios sulcam o fundo do vale do rio do Peixe, conhecido por isso como vale dos Dinossauros.

O lugar de destaque é a Passagem das Pedras, que contém nove rastros. Um museu com painéis explicativos ajuda a entender a imensa importância do tesouro guardado na região.

O melhor período do ano para visitar o vale é durante a época da seca, entre julho e dezembro, quando se podem conhecer, em dois dias, os extremos da bacia do rio do Peixe.

É preciso agendar a visita com antecedência (estrada para Uiraúna, a 8 km de Sousa).

Vale a pena aproveitar a visita a Sousa para comprar redes e colchas feitas à mão: as lojas são muitas, espalhadas por toda a cidade.

Guia de Turismo e Viagem do Interior da Paraíba

 
 

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