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Recife Sagrado - Capela Dourada

Recife Sagrado – Capela Dourada

Recife Sagrado é um roteiro turístico aonde os turistas conhecem as igrejas e basílicas assim como a história, cultura e a religião.

Recife possui um patrimônio de arte sacra como poucas cidades do Brasil.

A história, a cultura e a religião sempre andaram de mão dadas na construção do município.

E para conhecer melhor esse universo tão rico, a Prefeitura do Recife criou o projeto Recife Sagrado.

Altar-mor da Capela Dourada

Altar-mor da Capela Dourada

Desde novembro de 2014, o Recife Sagrado oferece visitas guiadas em importantes templos da cidade.

O visitante passa a conhecer um pouco da história daquela construção, suas particularidades arquitetônicas e o que ela representa para o Recife.

Atualmente, sete templos fazem parte do circuito Recife Sagrado: Madre de Deus, Capela Dourada, Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Recife, Basílica de Nossa Senhora do Carmo, Santa Tereza D’Ávila da Ordem Terceira do Carmo, Igreja Nossa Senhora de Boa Viagem, Basílica de Nossa Senhora da Penha e a Sinagoga Kahal-Zur Israel. Todos na região central da cidade e no Recife Antigo.

Veja o vídeo “Roteiro Recife Sagrado”

 

Roteiro Recife Sagrada

Capela Dourada em Recife PE

Capela Dourada

1. Capela Dourada

A Capela Dourada ou Capela Ordem Terceira de São Francisco do Recife faz parte do Recife Sagrado, também chamada Capela dos Noviços, pertencente à Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Recife, teve o lançamento da sua primeira pedra no dia 13 de maio de 1696, pelo Capitão General Caetano de Melo Castro.

Foi encarregado da sua construção o mestre pedreiro (português) o Capitão Antonio Fernandes de Matos, e tal foi o fervor com que se trabalhou nas obras que, apenas com as jóias (dadas como esmolas) das Mesas Diretoras e também esmolas dos irmãos terceiros, se conseguiu a sua abertura ao público no dia 15 de Setembro de 1697, tendo-se despendido com a sua construção, até aquela data a importância de 1.365$010 ( Hum Mil Trezentos e sessenta e cinco Contos e Dez Réis).

Móveis em Jacarandá

“No dia 15 de setembro do ano de 1697, dezesseis meses depois de começada, foi aberta com toda solenidade pelo Revmo. Padre Comissário Visitador Frei Jerônimo da Ressurreição, logo em seguida, celebrou no altar-mor o Santo Sacrifício da missa.”

Ela ficou completamente terminada. Até 1724, ininterruptamente trabalha-se na igreja. 

E assim, pouco a pouco, cada ano novas obras eram compreendidas e somente depois de 1724 podemos considerar como concluídos todos os trabalhos da igreja. 

Interior da Capela Dourada crucifixo

Crucifixo

Ela é toda entalhada em madeira (cedro), em estilo barroco, recoberta em gesso e lâmina de ouro.

A Capela Dourada, da Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Recife, monumental pelo seu ouro, numa afirmação do barroco nasceu daquele agitado fim artístico do século XVII de Luiz XV em França e de D. João V em Portugal, justamente com o apogeu financeiro de Pernambuco: senhores de engenho, abastardos, fidalgos, ricaços, irmandades riquíssimas, foram os dias dos móveis torneados, dos jacarandás trabalhados, dos cedros burilados e dourados depois. Riquíssima em ouro vê ali o barroco pela estonteante decoração anterior.

Imagem São Cosme e São Damião na Capela Dourada

Imagem São Cosme e São Damião

O altar mor e as capelas, altares laterais são monumentos em obras de talha. Tudo era opulência, tudo era grandeza. A Capela Dourada reflete bem esse ambiente faustoso.

Pinturas da Capela Dourada

Pinturas no interior da Capela Dourada

Pinturas no interior

As Pinturas da Capela Dourada da Ordem Terceira de São Francisco do Recife, são de uma riqueza incrível, sem dúvida uma das derradeiras e mais vibrantes expressões de arte religiosa existente em Pernambuco.

As telas, os seus riquíssimos painéis, lutando embora contra a surpresa dos anos e do descaso dos homens, através de séculos, atestam ainda, nos dias presentes, gloriosa revelação de artistas do passado. Infelizmente não sabemos os nomes dos autores dessas obras.

Painéis da Capela Dourada

Painéis na Capela Dourada

“Dois longos painéis, nas paredes laterais mostram os mártires franciscanos.”

Os frades missionários corriam caminhos da Europa e dos outros continentes. Um dia, cinco frades passaram por Coimbra, rumo a Marrocos, na África, onde iam levar o evangelho aos muçulmanos.

Chegados a Marrocos, pregaram aos pagãos, mas foram aprisionados pelo Rei e condenados à morte por degolação. Fato que se deu no dia 16 de janeiro de 1220.

Painéis na Capela Dourada

Os restos mortais dos mártires foram transportados à Europa e na passagem por Coimbra, foram colocados na Igreja do Mosteiro de Santa Cruz. (Extraído do livro “Francisco mostrou o caminho”, pg. 38 de Frei Hugo Baggio, OFM).

Esses dois retábulos foram trabalhos executados entre os anos de 1707 a 1710. Os douramentos dos painéis foram terminados entre 1699 a 1700 uns, e 1715 a 1717 outros.

Azulejos na Capela Dourada

Azulejos

Azulejos da Capela Dourada

Os painéis de azuleijos que ornam a capela dourada, todos eles mais ou menos do tipo dos azulejos existentes em várias igrejas franciscanas do Brasil, foram comprados no ano de 1704.

São figuras simples de motivos profanos.

Obras de Talhas da Capela Dourada

Obras de Talha na Capela Dourada em Recife PE

Obras de Talha

Obras de Talhas vivem na toréutica de nossas igrejas a arte e a civilização das gerações passadas.

Estudo difícil este, conhecemos poucos técnicos nessa especialidade embora nos avistemos, cada dia que passa, com multidão de conhecedores e entendidos…

Grade do Grande Arco 

Entre a Capela Dourada e a Igreja do Convento de Santo Antônio do Recife, deparamo-nos, hoje, com enorme grade de ferro.

Grade do Grande Arco na Capela Dourada

Não fora sempre assim, a primitiva grade era toda trabalhada, feita em 1968 pelo irmão franciscano Luiz Machado.

Imagens na Capela Dourada

Todas as imagens existentes na Capela Dourada, vieram de Portugal, exceto Nossa Senhora, Padroeira dos Noviços, que no ano de 1866 a 1867, foi esculpida em madeira (cedro) pelo mestre santeiro pernambucano, Manuel da Silva Amorim, o mesmo que fez em 1846 a imagem do Senhor Bom Jesus dos Passos, que sai em procissão todos os anos na época quaresmal.

Imagens na Capela Dourada

As imagens São Cosme e São Damião vieram de Lisboa – Portugal no ano de 1742.

A Capela Dourada, que é tombada desde 30 de novembro de 1937, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Geográfico Artístico Nacional (IPHAN), é hoje, considerada um Monumento Nacional.

Imagem Senhor Morto – Capela Dourada

Nela desde muitos anos deixou de serem celebrados casamentos e outros atos litúrgicos, sendo, portanto hoje considerado um Museu.

Turistas de vários países e de todos os Estados brasileiros visitam diariamente a Capela Dourada, como também alunos de vários Colégios e Universidades assistem aulas ministradas por professores, como por exemplo, de Arquitetura e de Arte barroca. A média anual de visitação é de vinte mil pessoas.

2. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

No roteiro Recife Sagrado, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Recife a situada na rua Larga do Rosário, no bairro de Santo Antônio,  que faz parte do Recife Sagrado foi edificada em 1630 pela Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, uma associação formada por escravos negros.

Nossa Senhora do Rosários dos Homens Pretos

Cabe ressaltar que os africanos, que foram transportados como escravos para o Brasil, pertenciam a tribos (ou nações) distintas, tais como as de Angola, Benguela, Cambinda, Moçambique, Congo, Cassanges, entre outras.

E cada uma delas possuía as suas línguas (ou dialetos), os seus costumes (conselho de anciãos, festas), e rituais sagrados e religiosos específicos (ritos de Xangô, festas dos mortos e festas dos reis magos).

No Congo, em particular, os negros possuíam certos privilégios, podendo eleger um rei (no idioma pátrio, o seu Muchino riá Congo), e reinar sobre as pessoas das demais nações da África, fossem elas crioulas ou africanas, livres ou escravas.

Neste sentido, o primeiro compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, autorizando a coroação de um rei do Congo, em suas festas, está registrado no dia 8 de maio de 1711.

Foi para sobreviver à dor da escravidão e do exílio (tanto da terra natal, quanto dos familiares e amigos) que os escravos trataram de se unir no novohabitat, harmonizando os seus ritos ancestrais, da melhor forma possível.

Dessa maneira, as agremiações religiosas representavam um elo importante, através das quais os negros podiam expressar as suas necessidades de defesa e proteção, os seus desejos de liberdade, de caridade para com o próximo e de solidariedade humana.

As festas da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos eram constituídas, então, por danças e batuques que não faziam parte da liturgia católica. Sendo assim, os rituais manifestados por esses irmãos chegaram, até, a ser proibidos pela Inquisição.

Os quilombos, em particular, tanto o de Palmares quanto os demais, entre o Cabo de Santo Agostinho e o rio de São Francisco, eram expressões do espírito associativo dos africanos. E essa tendência associativa, advinda dos quilombos (que se situavam em pleno meio rural), estendeu-se, também, às zonas urbanas.

A Irmandade conservava o sistema de coroação presente na África, com os rituais e as procissões em maracatu, mantendo os arqueiros à frente, dois cordões de damas de honra, os símbolos religiosos, as bonecas enfeitadas, os jacarés, os gatos, os dignitários e, finalmente, o rei e a rainha do Congo, seguidos por músicos.

No primeiro domingo de outubro de 1645, segundo os registros, Henrique Dias festejou, com os seus irmãos negros, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, todas as pompas de sua padroeira.

Também estão registrados nos livros da Irmandade, até o ano de 1888, todos os coroamentos que se fizeram dos reis e rainhas da Angola, do Congo e de Cambinda. Foi mediante essas coroações que se originou o maracatu, uma das manifestações mais belas e expressivas do folclore nordestino.

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no período do Brasil colonial, a despeito da condição miserável dos seus integrantes, não mediam esforços para construírem templos tão ricos quanto aqueles erigidos pela nobreza, fosse através do fornecimento de mão-de-obra gratuita ou fosse através da aquisição de materiais.

Quanto a isto, existem as escrituras feitas pelos vários tesoureiros, ao longo dos séculos. Por vezes, os irmãos pagavam os débitos através da confecção de doces.

Em um dos registros, por exemplo, lê-se as seguintes rubricas como forma de pagamentos: “aos tocadores das danças sete patacas e cordas de viola 640 e mais dois pares de sapatos aos dançantes, com uma esmola que se pagou ao capelão”.

Em 1739, a fachada do templo estava em ruínas. A Irmandade decidiu, então, construir um novo frontispício.

Pela Igreja dos Homens Pretos passaram famosos entalhadores, tais como Manuel Pais de Lima (que se encarregou do frontispício) e Manuel Alvarez, além de uma série de oficiais marceneiros e carpinteiros que trabalharam arduamente, durante muito tempo, para recuperar o edifício.

O templo teve a sua reconstrução iniciada em 1750 e, em 1777, as obras foram concluídas. Inspirada nos conventos franciscanos, a igreja se tornou um ícone da arte barroca. Em se tratando de estilo, portanto, a construção é típica daquelas existentes na segunda metade do século XVIII.

A construção possui um estilo colonial, mas um conjunto dos seus altares conserva o estilo rococó.

O mesmo se diz de sua fachada: simples e autenticamente do século XVIII: apresenta uma só torre, um frontispício alto com volutas e um rosário que ocupa o lugar dos brasões tradicionais das igrejas pernambucanas.

A igreja tem cinco grandes portas em sua fachada. No nicho de uma delas, por sua vez, observa-se uma imagem secular de Nossa Senhora do Rosário, proveniente do tempo em que a igreja foi fundada, como também uma antiga imagem de São Benedito, presente no consistório, datando de 1753.

Bastante conservados são as talhas no altar-mor, o painel, pintado em seu forro primitivo (a imagem da Virgem Maria, ladeada por querubins mulatos, entregando o rosário a São Domingos, inspirador da Ordem), e os móveis presentes na sacristia. Há uma galeria de arte no corredor lateral.

A imagem da padroeira, um dos mais belos exemplos da arte luso-brasileira, merece destaque: possui tamanho natural, é feita em madeira policromada, e apresenta olhos de vidro e alfaias de prata. Em seu interior, as pilastras, as arquitraves e os arcos são jaspeados.

Excetuando-se Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Boa Hora e São Domingos, todas os outras imagens presentes nos altares representam santos negros. São eles: São Benedito, São Baltazar, Santa Efigênia e São Moisés, Santo Antônio de Catalagirona e Santo Elesbão.

O sistema religioso da Irmandade se modificou após o advento da República, passando a receber pessoas de qualquer cor, com direito a voto e a julgamento, bem como o direito a modificar as festas religiosas e o sistema administrativo.

Desse modo, a Irmandade dos Homens Pretos passa a se enquadrar nas conjunturas e cânones vigentes nas irmandades católicas e ordens religiosas.

No começo do século XX, ocorreu um incidente desagradável entre as irmandades de São Benedito e a Ordem Terceira de São Francisco: ao se instalarem no convento de Santo Antônio do Recife, os irmãos pretos começam a notar o desprezo dos irmãos da Ordem Terceira, como ainda uma série de exigências descabidas por parte desses últimos – homens brancos, ricos e de destaque.

No dia 29 de setembro de 1907, após uma assembléia geral, em decorrência desse desprezo, os irmãos pretos de São Benedito decidiram sair em procissão, carregando o andor com a imagem do seu padroeiro – o venerado santo preto – abandonaram a Igreja da Ordem Terceira, e pediram guarida no templo dos irmãos de Nossa Senhora do Rosário.

3. Basílica de Nossa Senhora do Carmo em Recife PE

Após a expulsão dos holandeses de Pernambuco, houve uma relutância das autoridades quanto à construção de um convento carmelita em Recife – preferiam que os esforços se concentrassem em reformar o convento de Olinda, arruinado após a invasão batava.

Mas, depois de algum tempo houve um consenso, e o terreno onde existiam as ruínas de um antigo palácio de Maurício de Nassau foi doado para o Carmelo, que construiu no local uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Desterro.

Na mesma época, houve uma reforma institucional na ordem Carmelita – conhecida como reforma de Touraine, ou Turônica (de Tours, França).

Os carmelitas de Recife aceitaram a renovação, ao passo que os de Olinda recusaram a reforma.

Basílica de Nossa Senhora do Carmo

Assim, após algum tempo, o Carmelo recifense floresceu, e o convento de Olinda se estagnou, passando inclusive por alguns anos de decadência.

E fins do século XVII, com o apoio do capitão Diogo Cavalcanti de Vasconcelos, veterano da guerra contra os holandeses e cunhado de André Vidal de Negreiros, os carmelitas de Recife empreenderam a construção de uma nova igreja, dedicada a Nossa Senhora do Carmo.

As obras da igreja e do convento da Basílica de Nossa Senhora do Carmo duraram mais de cem anos, iniciando-se por volta de 1680 e se estendendo até o final do século XVIII, quando foram finalizadas a torre e a fachada.

A igreja possui nove altares: o altar-mor (dedicado a Nossa Senhora do Carmo), seis altares laterais, e dois grandes altares no transepto (um dedicado ao Santíssimo Sacramento e outro dedicado ao Bom Jesus e a São José).

O fronstispício da igreja é um dos mais imponentes de Pernambuco, com muitas volutas esculpidas em pedra, e a torre, de 50 metros de altura, é encimada por um dos mais elaborados bulbos do barroco brasileiro.

Em 1917, o papa Bento XV elevou a igreja à dignidade de ‘Patriarcal Basílica Vaticana’, conferindo a ela diversas indulgências e características jurisdicionais específicas. E em 1919, Nossa Senhora do Carmo foi proclamada padroeira de Recife.

Capela-mor da Basílica de Nossa Senhora do Carmo – Recife, Pernambuco

Ao longo do século XX, sob o pretexto de promover o progresso, políticos locais empreenderam desastrosas modificações no centro antigo de Recife, o que contribuiu para degradar a região e descaracterizar esse importante reduto da história brasileira.

Mas a Basílica do Carmo, bem como outras igrejas do local, ainda resistem com sua beleza original, relembrando uma época em que Pernambuco foi uma das mais prósperas regiões do Brasil.

Segundo narra o historiador Flávio Guerra, essa imagem de Maria seria a mesma que foi trazida de Portugal para Olinda, e que foi salva da destruição promovida pelos holandeses (calvinistas) quando invadiram a cidade.

4. Igreja de Santa Teresa D’Ávila da Terceira Ordem do Carmo 

No roteiro Recife Sagrado, a Igreja de Santa Teresa D’Ávila está localizada no Pátio do Carmo faz parte do Recife Sagrado, bem ao lado da Basílica homônima.

Teto da Igreja de Santa Teresa D’Ávila da Terceira Ordem do Carmo

Ofuscada pela sua vizinha famosa e escondida no final de um corredor de belas palmeiras, ela infelizmente passa desapercebida pela maioria dos transeuntes que circulam apressadamente pelo centro do Recife. Nós trazemos todos os detalhes pra você que é nosso(a) leitor(a)!

A obra de construção da igreja foi concluída em 1710 (consagrada apenas em 1835) após dez anos de iniciada.

Se compararmos com os oitenta anos da Basílica do Carmo, podemos afirmar que a ela demorou bem pouco tempo para ficar pronta. Isso só aconteceu graças à disposição dos membros da Ordem Terceira do Carmo para gastar todos os recursos necessários para erguê-la no menor tempo possível e com o máximo de luxo.

Igreja de Santa Teresa D’Ávila da Terceira Ordem do Carmo

Vale ressaltar que eles eram comerciantes, senhores de engenho etc. A Ordem Terceira do Carmo é composta até os dias de hoje por leigos, ou seja, pessoas que não fazem parte do sacerdócio (não há freiras nem frades).

Sua padroeira, Santa Teresa D’Ávila (ou Santa Teresa de Jesus), nasceu na província de Ávila, Reino de Castela (Espanha), e viveu entre os anos de 1515 e 1582.

Ela teve uma vida de dedicação exemplar à oração, exerceu um papel fundamental na reforma da Ordem do Carmo e foi uma das escritoras mais notáveis sobre os temas ligados à igreja.

Dotada de um exímio talento, ela descreveu suas próprias experiências pessoais para explicar os quatro degraus da oração: o recolhimento, a quietação, a união e o arrebatamento.

Apesar de tamanha dedicação, Santa Teresa D’Ávila foi perseguida pela Inquisição da Igreja Católica pela forma de expressar suas ideias e por falar do “orgasmo espiritual” em seus escritos. Há indícios que ela não foi morta devido à forte influência do seu pai perante o rei.

Visitar a Igreja de Santa Tereza D’Ávila da Ordem Terceira do Carmo (eita nome comprido!) nos dá a oportunidade de conhecer o maior acervo de pinturas em homenagem à santa no mundo. Como as demais igrejas desta época, seu estilo arquitetônico é o barroco em sua fase final (cheio do rebuscamento característico do rococó).

As pinturas da nave da igreja são de autoria de João de Deus Sepúlveda (século XVIII), enquanto que as da entrada são do escravo alforriado pernambucano Manoel de Jesus Pinto. Não era permitido que a igreja fosse frequentada por negros.

A nave da igreja abriga também um raro lustre de cristal, mas seu maior destaque são quadros dispostos no teto da igreja. Há algumas raridades, como uma pintura da Santa em trajes íntimos (para a época, é claro) e outras duas do “coisa ruim”. Topa procurar?

Os altares laterais representam seis passos da Paixão de Cristo. Há um detalhe importante na técnica de douração. Diferentemente da Capela Dourada, onde foi utilizada a aplicação de folhas de ouro, aqui eles “sopraram” pó de ouro sobre a tinta fresca.

O Altar-mor exibe ao centro a imagens de Jesus Cristo e Nossa Senhora do Carmo, do lado direito São José “de botas” (raridade) e a padroeira Santa Teresa à esquerda.

Você percebeu algo diferente na imagem de Jesus? Ele está com a cabeça para a direita e com as feições bastante sofridas em seu último momento de vida. Só há duas imagens retratadas desta forma no mundo (a outra está em Ouro Preto).

Os nichos laterais apresentam as imagens de São Elias, pai espiritual de todos os Carmelitas, e seu seguidor São Eliseu. É difícil distingir as duas imagens devido à semelhança (São Elias é a da esquerda bem ao lado de Jesus). As imagens menores na parte mais baixa são de João Paulo II e Santa Terezinha.

O lado esquerdo do altar apresenta uma pintura com uma das passagens mais importantes da sua vida: a transverberação do coração de Santa Teresa.

A sacristia está fechada para visitações, mas vale à pena você insistir para conhecê-la. Além dos móveis coloniais do século XVIII, há belas imagens de Santa Teresa de Jesus, Nossa Senhora da Soledade e São José (da esquerda pra direita) …… e a reprodução das passagens mais importantes da vida de Santa Teresa D’Ávila.

Pra terminar, a área ao lado da igreja é ocupada por túmulos de membros importantes da Ordem Terceira do Carmo, como o do Barão de Casa Forte e outros.

5. Sinagoga Kahal Zur Israel em Recife PE

Comunidade israelita participa da vida pernambucana desde a época da Colônia, com tradição cultural e religiosa preservada.

Sinagoga Kahal-Zur Israel em Recife PE

Mais que uma religião, o Judaísmo está vinculado à história de um povo que se constituiu em nação há três mil anos. Atualmente, a Federação Israelense de Pernambuco (FIPE) estima que são cerca de 1,5 mil judeus vivendo no estado – a grande maioria deles mora na capital, exercendo pequeno impacto no cotidiano da cidade.

Cenário bem diferente do encontrado no século 17, quando a população judaica no Recife era similar à de hoje, porém em uma província com pouco mais de 10 mil habitantes.

Perfil: atualmente são cerca de 1500 judeus em Pernambuco. Para ser judeu, é preciso ser filho de mãe judia ou ter se convertido ao judaísmo.

O primeiro fluxo migratório de judeus que chegou ao Recife ocorreu no século 17 e trouxe pessoas oriundas da Península Ibérica. “Elas fugiam da inquisição religiosa.

Sinagoga Kahal Zur Israel

Em Portugal, houve conversão em massa de judeus ao cristianismo por esse motivo. Eles passavam a ser chamados de cristãos novos”, explica.

Os cristãos convertidos e os que fugiam da conversão chegavam ao Recife e praticavam os ritos e costumes judaicos dentro de casa para evitar a acusação de heresia.

A conversão e as práticas às escondidas não eram uma escolha, os criptojudeus – como ficaram reconhecidos aqueles que praticavam suas crenças de forma velada – tinham a morte na fogueira em praça pública como destino certo caso fossem de encontro à inquisição.

Conversão: o processo de conversão pode demorar até dois anos de estudos da história e cultura judaicas e um pouco da língua hebraica. Ao final desse período, a pessoa participa de um Beit Din (espécie de tribunal rabínico), composto por três membros que irão avaliar se o indivíduo se encontra apto a se incorporar ao Judaísmo.

O pesquisador da história judaica Odmar Braga aponta que antes mesmo da primeira grande migração, ocorrida no século 17, já ocorria a chegada de “cristãos novos hispano-portugueses” em solo pernambucano. “Duas sinagogas existiram entre 1580 e 1595. Uma no Alto da Ribeira e outra no engenho Camaragibe, de propriedade da mesma família”, explica.

No século 17, entretanto, as invasões holandesas mudaram, ainda que momentaneamente esse cenário. “A Holanda era um país calvinista, defensor de matizes religiosas diversas. Isso possibilitou a prática do Judaísmo com liberdade no Recife entre 1630 e 1654. Sai de cena o português inquisidor e entra o holandês tolerante”, ensina Tachlitsky.

Tradições: aos 8 dias de vida, os meninos judeus passam pela circuncisão, que consiste na retirada do prepúcio do pênis. Aos 13, esses meninos participam do Bar Mitzvah, que marca a “maioridade religiosa”. A das meninas ocorre aos 12 anos, no Bat Mitzvah.

Após a chegada dos holandeses, e a consequente liberdade religiosa, Braga relata que os remanescentes das sinagogas do Alto da Ribeira e de Camaragibe, juntamente com seus filhos, circuncidaram a si próprios e fundaram a Sinagoga Manguén Abraham.“Posteriormente, eles também foram responsáveis pela fundação da Sinagoga Kahal Zur Israel”, conta.

Sinagoga Kahal Zur Israel

A pesquisadora e fundadora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, Tânia Kaufman, conta que com o domínio da Holanda, esse contingente judeu de origem ibérica, chamado de sefaraditas, ao contrário dos cristãos novos que chegaram na cidade no início da colonização, não precisam ocultar suas crenças.

Eles já encontraram no Recife uma atmosfera judaica. “Começaram a desfrutar da proteção do governo de João Maurício de Nassau e privilégios da elite social e econômica existente na época”, detalha.

Diante do cenário favorável, a imigração de judeus atingiu seu ápice. Odmar Braga relata como auge a chegada do rabino Isaac Aboab da Fonseca, que tinha o nome católico de Simão da Fonseca e estudou para se tornar rabino após sua família fugir para Amsterdã.

Tânia Kaufman aponta este acontecimento como sinal de que os judeus começaram a fincar raízes na cidade, ao ponto de viabilizar o primeiro rabino das Américas

“É nessa época também que é construída a primeira Sinagoga das Américas (Kahal Zur Israel), ocupando um dos casarões da Rua do Bom Jesus, então chamada de Rua dos Judeus”, destaca Kaufman. A construção da sinagoga foi iniciada em 1638 e concluída em 1641.

Sinagoga Kahal Zur Israel em Recife PE

O período holandês, apesar de produtivo para os judeus, foi curto. Pouco mais de 20 anos depois, os portugueses retomaram o domínio da colônia, gerando uma migração em massa para o interior do estado – sobretudo o Sertão, onde era mais fácil manter os hábitos judaicos.

Lá estariam fora do alcance da inquisição portuguesa que, vez por outra, fazia incursões com o objetivo de perseguir hereges para, posteriormente, levá-los a Portugal para que fossem julgados pela Santa Inquisição.

“Diante do elevado número de judeus que viviam em Pernambuco e o espaço físico reduzido das embarcações daquele tempo, muitos não conseguiram sair do país e decidiram permanecer no Sertão e outras localidades além da fronteira de Pernambuco”.

A segunda migração judia e o bairro da Boa Vista

Pernambuco entrou novamente na rota dos judeus no final do século 19 e nas primeiras décadas do século 20. Dessa vez, como destino dos que fugiam de perseguições realizadas na Europa, sobretudo no Leste do continente.

O próprio Jáder Tachlitsky tem na família histórias dessa migração. Seus avós vieram da Ucrânia fugindo da perseguição promovida pelos czares russos na região. “Hitler não criou a perseguição aos judeus, mas ele a levou a um patamar mais extremo, matando milhões de pessoas. Antes, os judeus já eram perseguidos pela Europa”, aponta Tachlitsky.

Esses judeus, que recebiam o nome de ashjenazitas, chegaram na cidade com status diferente dos vindos na primeira migração, que se consolidaram como elite recifense. Tanto o bisavô como os avós do economista trabalharam no comércio informal na capital pernambucana.

“Chegaram em situação difícil. Eles percorriam bairros mais isolados na época, como Beberibe e Casa Amarela, e faziam venda de mercadorias a crédito, parcelada em 10 a 15 vezes. Assim, prosperaram”, relata.

Ele afirma que, por conta do histórico de perseguições, os judeus mantinham o hábito de viverem próximos uns aos outros, algo que se manteve no bairro da Boa Vista até a década de 70. “O bairro era sede da sinagoga, do Clube Israelita e do Colégio Israelita. Havia esse costume de ter tudo sempre por perto. A Praça Maciel Pinheiro, por exemplo, era um ponto de encontro da comunidade judaica”, frisa.

No roteiro Recife Sagrado a 1° Sinagoga localizada na Rua Martins Júnior, no bairro da Boa Vista, a Shil Sholem Ocnitzer ou Sinagoga Israelita do Recife foi inaugurada em 20 de julho de 1926. Atualmente, o local não recebe mais encontros religiosos.

Boa Vista: o bairro do Centro do Recife concentrava as moradias de judeus no Recife até a década de 70. De acordo com Tachlitsky, a Praça Maciel Pinheiro era uma espécie de ponto de encontro. A casa da escritora Clarice Lispector, que era judia, está localizada nas proximidades da praça.

O resultado é que a segunda comunidade se inseriu no Brasil pelas camadas menos privilegiadas da sociedade, conforme explica Tânia Kaufman. “Os primeiros contatos foram com pessoas de menor poder aquisitivo através de relações comerciais. Rapidamente, os judeus tiveram êxito e se tornaram comerciantes de pontos fixos no bairro da Boa Vista”, avalia.

Em seguida, foram se estabelecendo em casas comerciais concentradas na Rua da Imperatriz Tereza Cristina e adjacências. Espaço que era ocupado tanto para o comércio, quanto para o uso residencial.

6. Basílica Nossa Senhora da Penha em Recife PE

Basílica de Nossa Senhora da Penha

No roteiro Recife Sagrado, a Igreja de Nossa Senhora da Penha cravada no coração do comércio recifense, a história do surgimento da Basílica da Penha remonta aos tempos das Capitanias Hereditárias, quando o conde holandês Maurício de Nassau, então governador, acolheu os primeiros missionários capuchinhos franceses em Pernambuco, em 1642.

Posteriormente, os capuchinhos receberam a doação de um vasto sítio e construíram um hospício e uma igreja. Em 1870, capuchinhos de Vêneto (Itália) demoliram a antiga Igreja da Penha e ergueram a imponente e atual Basílica da Penha, concluindo a obra em 1882, liderados pelo habilidoso arquiteto capuchinho Frei Francesco Maria Di Vicenza.

Basílica de Nossa Senhora da Penha Recife

O frade arquiteto inspirou-se na basílica veneziana de San Giorggio Maggiore, de estilo Neoclássico. A Basílica da Penha é um marco divisor na história da arquitetura pernambucana e um exemplar, no Brasil, dos primórdios do neoclassicismo em Pernambuco.

Em 1964, Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife, criou a Paróquia Nossa Senhorainterior-basilica-penha-medium da Penha e elegeu como Igreja Matriz a Basílica da Penha.

Tradicionalmente às sextas-feiras, a Basílica da Penha reúne grande fluxo de devotos, quando é ministrada a benção de São Felix ao longo do dia, pelos capuchinhos.

7. Igreja Nossa Senhora de Boa Viagem em Recife PE

No roteiro Recife Sagrado, a Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem na Pracinha de Boa Viagem em Recife, que foi erguida sobre a areia da praia, tem seus primeiros registros datados do século XVII. Por volta de 1862, o templo passou por uma grande reforma, que lhe deu o aspecto atual. Sofreu mudanças internas e externas, sendo preservado apenas o altar da sacristia.

“A partir da abertura das linhas de bondes e da Avenida Boa Viagem, o bairro cresceu e se modernizou e a igreja foi uma das únicas construções históricas da Zona Sul que resistiram às modernas construções.”

Igreja Nossa Senhora de Boa Viagem em Recife PE

A Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, até a metade do século XVII, estava localizada no antigo território da Barreta, correspondente a toda a área costeira, que se estendia desde o frontal do Pina até a povoação das Candeias.

Não se tem conhecimento de uma fonte precisa que assegure a data da abertura da igreja. Sabe-se, porém, que em 1743 o templo já estava pronto.

Antes de 1848, a capela pertencia à paróquia de Nossa Senhora da Paz, em Afogados, e só em 8 de setembro daquele ano conseguiu ser elevado ao nível de paróquia independente.

O documento mais antigo sobre a igreja é uma escritura datada de 6 de junho de 1707.

Nela, Balthazar da Costa Passos e sua esposa, Ana de Araújo Costa, doam ao padre Leandro Camelo um local onde havia um “oratório ou presepe a Jesus e Maria, juntamente com o solo que estava perto, que era um sítio de terras na Barreta com cem braços de frente e uma légua de fundo, desde a praia até o Rio Jordão”.

Ainda por testamento, aqueles doadores, por serem muito religiosos, anexam ao patrimônio da capela mais um sítio, ao lado, “com 500 braços de terra, com trinta e tantos pés de coqueiros, onde está uma casa de taipa à venda em que antigamente morava Manuel Setúbal”.

Uma outra informação extraída de documentos históricos ressalta que o padre Leandro Camelo, na época conhecido como “homem de grandes virtudes” , empregando tudo o que possuía, manda fazer uma imagem com o título da Boa Viagem, em obséquios de Maria Santíssima, colocando-a em uma magnífica Igreja que erige, distando duas léguas do Recife, sobre as praias do mar, “pondo as suas esperanças nesta Senhora, cujo cuidado é levar-nos, sempre, ao desejado porto de salvação”.

Segundo os estudiosos do assunto, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, no período do Brasil-colônia, embora modesta, representava um dos templos de maior rendimento patrimonial do Recife.

O seu usufruto era de cinco grandes sítios, quatro pequenos e vinte casas térreas no povoado, além de um pequeno sítio de coqueiros na praia doado pelo padre Luís Marques Teixeira com o único compromisso de ser retirada, de sua renda, “a quantia necessária para se conservar acesa dia e noite a lâmpada da capela-mor da Igreja”.

As grandes reformas na Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem são iniciadas em 1862.

No lugar do prédio anterior, ergue-se um novo com uma estrutura mais solene. Existia antes disso uma pequena igreja com linhas simplórias e um alpendre erguido em sua frente, que mais parecia um daqueles templos modestos da zona rural.

Durante a reforma, os religiosos preservaram alguns altares, entre os quais o da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem. Datado de 1745, esse altar foi entalhado pelo mestre João Pereira e dourado pelo artista Francisco Teixeira Ribeiro, no ano de 1772.

Inegavelmente, foi a Capelinha de Boa Viagem que deu nome à sua lindíssima praia. Vale ressaltar entre os administradores os próprios doadores das terras; o irmão de Bhaltazar Passos, Antônio da Costa Passos, e esposa Catarina de Araujo Sampaio; os padres Luiz Marques Teixeira e Inácio Ribeiro Noia.

No começo do século XX, o acesso a Boa Viagem ainda era bastante difícil. Em 1908, por exemplo, de acordo com os estudiosos do assunto, via-se apenas umas 60 casas de construção regular, desalinhadas, e a capela.

A povoação só apresentava alguma vida nos meses de setembro a março, período em que a estação balneária era frequentada.

Distando 11 km do centro do Recife, Boa Viagem só toma impulso depois que a Avenida Beira-Mar é construída. Isto possibilita à população utilizar o bonde elétrico para ir à praia.

Antes disso, porém, em se tratando de transporte público, só havia uma linha de bondes puxados por burros, inaugurada em 1899.

Paralelamente às obras no templo, nestes mais de trezentos anos, os administradores procuraram colaborar, tanto quanto lhes fossem possível, na pregação do evangelho e nas celebrações litúrgicas, criando aura de atração às pessoas que por ali passavam ou residiam: embarcadiços, pescadores, viajantes, entre outros.

Alertavam-lhes, sobretudo, que existiam os sérios problemas da alma, cuja vigília não podia desandar.

Em 8 de setembro de 1948, por decreto do Sr. Arcebispo Dom. Miguel de Lima Valverde, foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, com a elevação de sua igreja à categoria de matriz, sendo seu primeiro Pároco Monsenhor Romeu Vasconcelos de Sá Barreto, que aqui permaneceu de 1º de janeiro de 1949 a 06 de agosto de 1967, quando faleceu.

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