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Floresta dos Guarás no Maranhão

Floresta dos Guarás no Maranhão

O Maranhão é o estado síntese do Brasil. Aqui confluem características do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nuances diferentes de clima, vegetação, hidrografia, litoral, relevo, história e cultura se misturam em meio a um painel tropical de cores, sabores, sons, texturas, cheiros e paisagens deslumbrantes que retratam a alegria brasileira de ser maranhense.

Descobrir o Maranhão por inteiro é equivalente a uma ida à Amazônia, ao Sertão Nordestino, aos Cerrados do Brasil Central, ao Litoral Norte e Nordeste, às Chapadas, Serras, a um congênere do Pantanal e a todas as áreas de contato (transição) únicas entre esses ecossistemas; em uma só viagem.

Em meio a tanta diversidade, as peculiaridades também reservam boas surpresas. O povo mais miscigenado do país criou e soube preservar, em meio às belezas naturais e construídas, uma das mais significativas, originais, autênticas e ricas manifestações culturais brasileiras.

A RIQUEZA AMBIENTAL DO MARANHÃO

O Maranhão é o que podemos chamar de “Nordeste Amazônico” ou “Amazônia Nordestina”, norte e ao mesmo tempo nordeste, ou até mesmo “meio-norte” ou ¨meio-nordeste¨.

 

Esse Estado brasileiro tem uma localização por demais privilegiada: fica no extremo leste da Amazônia oriental e no extremo norte/oeste do Nordeste.

Politicamente é Nordeste (antes era o “Meio-Norte”), geograficamente é uma mistura de Norte-Nordeste e culturalmente, marcado pelas influências indígena, branca e forte presença negra, é algo que só o encontro (ou o “meio-termo”) dessas/entre essas duas regiões brasileiras e a intensa miscigenação do seu povo poderiam produzir, com muita coisa própria, que só tem aqui, evidenciada pela sua rica culinária, artesanato, história, folclore, cultura popular e música.

É exatamente onde essas duas grandes e distintas regiões, somadas à um “prolongamento” do planalto central do Brasil, se encontram, criando um instante único e essencialmente brasileiro, tanto geográfica como culturalmente.

Amazonica no Maranhão

Amazonica no Maranhão

A variada paisagem maranhense inclui floresta amazônica, florestas pré-amazônicas, cocais, vales, cerrados, caatingas, carrascos, rios, chapadas, cavernas e grutas, vastas planícies, serras, cachoeiras, tabuleiros, baías, golfos, areiais, dunas, lagoas, manguezais, palmeirais, lagos, açudes, praias de mar e de rio, igarapés, cerradão, campos, alagados, várzeas, delta, ilhas, coqueirais, salgados, matas transicionais de vários tipos, corais, semi-desertos, etc, desenhando um verdadeiro quadro tropical da síntese geográfica brasileira.

Sua atrações não se concentram apenas no litoral, como nos demais estados nordestinos, nem se limitam maiormente ao seu vasto interior, como no resto da Amazônia.

Seu enorme espaço abriga paisagens e ecossistemas tão diversos, cada um com sua flora e fauna típicas, quanto as que existem na maior parte do país em um território relativamente pequeno:

Mapa do Maranhão e Piauí

Mapa do Maranhão e Piauí

  • Possui o maior litoral do Brasil. Isso mesmo!

O maior litoral porque, considerando todos os seus recortes, baías, golfos, reentrâncias e ilhas, pode chegar a ser mais de 1000 km, portanto, maior que o da Bahia.

De um lado, é a costa amazônica e do outro, onde começa a região dos lençóis, a costa nordestina ou das dunas. (Oficialmente, se considera que o MA tem o segundo maior litoral do Brasil – 640 km – tomando em conta a medida em linha reta).

  • Tem o maior número de ilhas do litoral brasileiro, com a formação de muitos arquipélagos fluvio-marítimos e marítimos, a maior parte ainda preservada e desconhecida e a própria capital, São Luís, está numa ilha.

Litoral Oeste do Maranhão em 1640

Litoral Oeste do Maranhão em 1640 – Carta do Atlas do Brasil de João Teixeira Albernaz

  • A maior área de manguezais do Brasil (50%) com flora e fauna típicas da Amazônia Costeira e do litoral nordestino, contribuindo para um mar dos mais piscosos e uma altíssima biodiversidade. Os manguezais maranhenses são exuberantes, altivos e podem chegar a 40 metros de altura.

  • Um fenômeno natural único e impressionante: a pororoca do Rio Mearim, onde a cada ano são realizadas competições de surf.

  • A maior área preservada e desconhecida de cerrados e chapadões do Brasil e da América do Sul.

O cerrado maranhense tem características únicas e é a mais nova fronteira agrícola do país. Essa área ainda mantém populações saudáveis da fauna brasileira, com destaque para animais ameaçados de extinção como o lobo guará, a onça pintada e a arara azul.

O cerrado maranhense possui três grandes áreas de conservação de proteção integral: os Parques Nacionais Chapada das Mesas e Nascentes do Rio Parnaíba e o Parque Estadual do Mirador, esta última a maior unidade de conservação de proteção integral do estado e a segunda maior do bioma cerrado no país.

  • O maior banco de corais da América do Sul, em sua grande parte desconhecido devido às fortes e perigosas correntes marítimas que o atravessam: o parcel Manuel Luís, refúgio de variadas espécies marinhas e depósito de tesouros de embarcações nafraugadas.

  • O maior Delta em mar aberto das Américas e o terceiro do mundo, o Delta do Parnaíba ou Delta das Américas, sendo 75% de sua área no Maranhão.

Delta do Parnaíba - Maranhão

Delta do Parnaíba – Maranhão

  • A maior bacia lacustre do nordeste, na verdade uma espécie de prolongamento das várzeas da Bacia amazônica e dos campos da Ilha do Marajó, verdadeiro pantanal: a Baixada Maranhense.

  • Uma paisagem única no mundo, semelhante a um deserto, mas totalmente adverso a este. São 155 mil hectares de dunas intercaladas por lagoas de águas pluviais cristalinas, rios, manguezais, restingas e emoldurado pela segunda praia mais extensa do país: Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

  • Uma imensa área de exuberante floresta Amazônica ainda preservada e desconhecida, mas igualmente ameaçada, com muitas espécies de animais endêmicas, como o cuxiú preto e o macaco caiarara e ameaçadas como a ararajuba (ave símbolo do país); habitada por um dos últimos povos semi-nômades do Brasil e do mundo, os Awá-Guajá e outros povos indígenas: Reserva Biológica do Gurupi e áreas indígenas adjacentes e próximas (A.I Alto Turiaçu, Awá-Guajá, Caru e Araribóia).

  • Um extensa rede hidrográfica de rios perenes e piscosos.

Enquanto que as porções oeste e noroeste (incluindo boa parte do Golfão Maranhense e da Baixada Maranhense) mergulham na chamada Amazônia Maranhense (34% do estado), o sul do estado, chamado também de Alto Sertão Maranhense, é território do maior e mais preservado Cerrado do país.

Na porção centro-leste-nordeste do estado, encontram-se áreas de ecótonos e tensão ecológica (transições) entre amazônia-cerrado-caatinga com ecossistemas únicos como a mata dos cocais, Carrascos (matas de transição entre o cerrado e a caatinga), cerrados, pequenas áreas de caatinga, cerradões, cerrados pré-amazônicos e florestas pré-amazônicas (na correta assepção desse termo, sendo áreas florestais de transição para a Amazônia e não a floresta amazônica maranhense propiamente dita, como é mais propagado); onde se misturam elementos de fauna e flora desses biomas.

A Floresta Pré-Amazônica e a Mata dos Cocais são marcas registradas do estado e representam a nossa individualidade florística.

As matas de transição vão se tornando mais exuberantes, úmidas e biodiversas a medida que se aproximam da Amazônia Maranhense, sendo então chamadas de Florestas Pré-Amazônicas.

Mapa dos Biomas do MaranhãoEm direção ao leste (agreste maranhense), onde vão se tornando menos exuberantes, mais estacionais e com um maior adensamento de palmeiras de babaçu e de espécies do Cerrado e da Caatinga, ganham o nome de Mata dos Cocais.

A Mata dos Cocais (não confundir com as capoeiras de Babaçu ou “Babaçuais”, que povoam áreas anteriormente desmatadas em quase todo o estado) é um dos mais conhecidos ecossistemas de transição do estado.

Sua maior “estrela” é a palmeira Babaçu, símbolo do Maranhão e base do sustento de muitas famílias na zona rural.

É importante ressaltar que boa parte dessas paisagens naturais originais maranhenses já foram antropizadas, alteradas e/ou desmatadas, com exceção de algumas unidades de conservação, áreas indígenas e da maior parte do litoral e do extremo sul do estado.

Em todo o estado, se espalham fragmentos e remanescentes das matas e ecossistemas originais sobreviventes e, nas áreas previamente desmatadas e depois desocupadas, o que se vê geralmente são matas secundárias, capoeiras, capoeiras com babaçu e babaçuais.

Proporcionalmente o Maranhão é o estado com a maior população rural do país e também faz parte da região de colonização e povoamento mais antigo da Amazônia e da região chamada de “Arco do Deflorestamento”, com fortes pressões agropecuárias sobre o que resta da Amazônia e do Cerrado no estado.

O Maranhão sofre graves problemas sócio-ambientais nas zonas rurais e urbanas como assoreamento dos rios, poluição, desmatamento, queimadas, pesca e caça ilegais, etc.

Tudo isso reflete numa queda irreversível de biodiversidade, na alteração do clima, no esgotamento dos recursos naturais e na diminuição de qualidade de vida.

Floresta dos Guarás no Maranhão

A Floresta dos Guarás é um pequeno ecossistema brasileiro, localizada no litoral ocidental do estado do Maranhão e banhada pelo oceano Atlântico.

Floresta dos Guarás no Maranhão

Guarás

Esse incrível ecossistema é composto por parte da floresta amazônica em sua fauna e flora, mangues, florestas, ilhas desertas e áreas de restingas. E leva esse nome em homenagem à bela ave de plumagem vermelha, comum na região.

O local, que conta com atrativos naturais e culturais, foi incluído com pólo ecoturístico por excelência e envolve os municípios de Cedral, Mirinzal, Cururupu, Guimarães e Porto Rico do Maranhão.

Destaca-se como santuário ecológico formado por baías e estuários onde os rios desaguam em meio a manguezais.

Entre seus maiores atrativos turísticos está a Ilha de Lençóis, em Cururupu. Formada de areia, apresenta cenários deslumbrantes.

Mapa Floresta dos Guarás no Maranhão

Mapa Floresta dos Guarás no Maranhão

Há também outros atrativos como Praias de Caçacueira, São Lucas e Mangunça, Parcel de Manuel Luís, um banco de corais com alcance apenas de mergulhadores profissionais; estaleiros, onde os mestres constroem embarcações típicas do estado, totalmente artesanais e diversos pássaros como guarás, garças, colhereiros e marrecos.

Além disso, lá possui uma lenda, a do Touro Encantado, que torna tudo enigmático. Segundo a crença, o Rei de Portugal São Sebastião, que desapareceu durante uma luta popular contra os mouros, vive ali na forma de touro encantado.

Nesta paisagem tropical e preservada, os exuberantes manguezais podem chegar a 35 metros de altura e 1 metro de diâmetro são vitais para o equilíbrio ambiental de toda a zona costeira, especialmente para as aves.

É lá também que se encontra a maior população de peixe-boi marinho no Brasil. Entre os répteis, destacam-se as jiboias e as tartarugas marinhas. A diversidade de peixes, camarões, siris, ostras, sururus e outros animais marinhos são a indicação de um bom nível de conservação desses manguezais.

Para aqueles que querem ficar instalados na Floresta, o número de hospedagens é bem restrito, mas isso dá ao turista a possibilidade de viver uma experiência rara e inesquecível.

Como o local é quente e úmido, alguns itens não podem ficar fora da mala, como: filtro solar, repelente, chapéu, hidratante e protetor labial.

Existem três formas de chegar na Floresta dos Guarás: acesso aéreo, saindo de São Luís é possível fretar uma aeronave para seis pessoas, na faixa de R$1.000; acesso marítimo, barcos fazem o transporte por uma média de R$38 por pessoa; ou acesso terrestre, no qual o ônibus sai diariamente de São Luís, com onze horas de viagem.

A Riqueza ambiental do Maranhão

Guia de Turismo e Viagem do Maranhão

 
 

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