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centro histórico de João Pessoa

Arquitetura Barroca, Brasil-colônia

As construções barrocas erguidas pela sociedade açucareira marcam o ponto inicial do longo e diversificado trajeto percorrido pela arquitetura nordestina ao longo de cinco séculos.

Nas sacadas dos sobrados da velha São Salvador há lembranças de donzelas dos tempos do imperador”, cantou Do rival Caynmu no começo da década de 1940.

Os sobrados ainda estão lá, cheios de histórias, no centro da cidade, e constituem um dos mais fornudáveis conjuntos arquitetonicos do país.

As casas de Salvador não estão isoladas: pertencem a um vasto patrimonio construído ao longo dos séculos no Nordeste brasileiro.

Esse patrimonio inclui um grande número de fortalezas, edificadas para defender o extenso litoral da colônia do assédio de invasores e piratas (apenas na Baía de Todos os Santos, em Salvador, havia quinze fortes).

A grande herança arquitetônica do Nordeste, porém, é o sem-número de igrejas que se espalham principalmente pela sua faixa litorânea.

A maior parte foi erguida pelas ordens religiosas que acompanharam os colonizadores, sobretudo pelos jesuítas: a Companhia de Jesus atuou intensamente na região até 1759, quando foi expulsa do Brasil – teve, portanto, tempo e influência para imprimir na colônia o que se chama estilo jesuítico, marcado por “composições mais renascentistas, mais moderadas, regulares e frias, ainda imbuídas do espírito severo da Contra-Reforma”, segundo o arguiteto Lucia Costa.

As igrejas do século XVI ao início do XVIII têm plantas simples, geralmente retangulares, e fachadas sóbrias e despojadas. Em seu interior, entretanto, encontram-se as soluções ornamentais rebuscadas típicas do barroco – como se, ecoando os ideais da Companhia de Jesus, valorizassem as virtudes do espírito e não da aparência.

IGREJAS E FORTES

Embora tenha mantido a contenção no traçado externo como característica central, a arquitetura religiosa nordestina sofreu transformações ao longo do tempo: o frontão simples e sem torres do século XVII evoluiu até as fachadas ladeadas por campanários das igrejas do século XVIII.

Os retábulos também se tornaram mais profusa e finamente ornamentados ao longo dos séculos, ostentando rica talha dourada – entalhes de madeira de lei cobertos por folhas de ouro.

Muitas vezes, a mesma construção apresenta vários estilos, resultado das constantes reformas, ampliações e reconstruções que as obras sofriam à medida que a sociedade açucareira prosperava. Um elemento fundamental na ornamentação das igrejas coloniais é a pintura do teta.

Técnicas ilusionistas de perspectiva desenvolvidas por artistas italianos seiscentistas começaram a ser utilizadas no Brasil no segundo quarto do século XVIII, com maior evidência em Recife e Salvador.

igreja de São Pedro dos Clérigos

Igreja de São Pedro dos Clérigos PE

Tal recurso pode ser visto no teto da nave da igreja de São Pedro dos Clérigos, na capital pernambucana, e no da soteropolitana igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia – este pintado por José Joaquim da Rocha, um dos grandes nomes do barroco brasileiro.

Finalmente, vale destacar o amplo uso dos azulejos, que desde o século XVIII vieram da Metrópole para embelezar o exterior dos edifícios, as cúpulas das torres (como a do Convento Franciscano de João Pessoa), os claustros e sacristias- curiosamente, esses locais de uso privado dos sacerdotes recebiam nas igrejas nordestinas decoração luxuosa, possivelmente porque ali se reuniam também os membros da aristocracia local.

A magnífica sacristia da catedral basílica de Salvador, onde se destaca o grande arcaz de madeira incrustada de tartaruga e marfim, é exemplo dessa suntuosidade.

DA CASA-GRANDE AO SOBRADO

cultura do açúcar

cultura do açúcar

A cultura do açúcar determinou o desenvolvimento de um tipo particular de arquitetura. As propriedades rurais eram verdadeiros complexos que incluíam a casa-grande, onde viviam os senhores, a senzala, onde se alojavam os escravos, e a indispensável capela, além do engenho propriamente dito, com sua maquinaria. À medida que a produção açucareira prosperava, as construções foram se tornando mais luxuosas.

A taipa inicial foi substituída pela alvenaria, a casa baixa e despojada pelo solar. O Solar do Unhão, construído para residência do desembargador Pedro Unhão Castelo Branco no século XVII, é exemplo tanto do requinte quanto do acúmulo de funções das propriedades rurais: abrigava casagrande, senzala, capela, armazéns e cais.

Em 1962, o conjunto foi restaurado pela arquiteta Lina Bo Bardi e hoje sedia o Museu de Arte Moderna.

Toda a vida dos proprietários desenrolava-se nos limites do engenho; nos primeiros anos da colônia, as cidades eram pouco mais que entrepostos comerciais e centros administrativos, com casas modestas.

Quando, no começo do século XIX, o processo de urbanização se acelerou, começaram a surgir as construções mais suntuosas, os sobrados avarandados que abrigavam as fanúlias da elite.

Na capital maranhense – cuja riqueza veio do algodão, não do açúcar-, as fachadas dos sobrados ganharam revestimentos de azulejos, como os usados nas igrejas pernambucanas e baianas.
No Nordeste, como em toda a colônia, os sobrados desempenhavam também uma dupla função entre pequenos comerciantes, que exerciam suas atividades no andar térreo e moravam na parte superior.

No semi-árido nordestino, por sua vez, as propriedades ligadas à pecuária tinham casas simples de alvenaria, desprovidas de ornamentos, mas – como nas casas-grandes do litoral- com alpendres ou varandas que freqüentemente fazem as vezes de sala.

OUTRAS INFLUÊNCIAS

Em meados do século XIX, o Brasil recém-independente construía sua nova face, voltando as costas para o passado colonial e barroco.

Palácio do Campo das Princesas PE

Palácio do Campo das Princesas PE

Assim, em 1840, Recife foi arborizada e ganhou rede de transporte público com diligências e água encanada; ergueram-se nessa época o Palácio do Campo das Princesas, de 1840, o Teatro Santa Isabel, de 1850, e o Liceu de Artes e Oficias, de 1880.

Outras cidades foram remodeladas, e muitas capitais transferidas das antigas cidades coloniais: a capital do Piauí passou de Oeiras para Teresina, em 1852, e a de Sergipe, de São Cristóvão para Aracaju, em 1855.

O impulso transformador continuou nos primeiros anos do século XX, quando uma grande reforma urbana nos nwldes da empreendida no Rio de Janeiro instituiu medidas de saneamento urbano e renwdelou a cidade, demolindo grande parte do antigo Bairro do Recife. O mesmo ocorreu em outras capitais, como João Pessoa e Salvador.

Fórum de Teresina (1972), Acácio Gil Borsoi

Fórum de Teresina, Acácio Gil Borsoi

A arquitetura moderna que floresceu no Brasil entre as décadas de 1930 e 1960 chegou à capital pernambucana pelas mãos de profissionais como o carioca Acácio Gil Borsoi e o português Delfim Amorim, dois dos criadores da chamada Escola do Recife, que se irradiaria por todo o Nordeste.

Entre os arquitetos que introduziram novos elementos à paisagem. da região figuram os nomes de Luís Nunes, Mário Russo, Mário Láscio, Carlos Alberto Carneiro da Cunha, Liberal de Castro. A partir dos anos 1970, projetas de revitalização recuperaram o centro histórico de diversas cidades coloniais, como São Luís e Salvador.

Ao mesmo tempo, nos sertões e periferias encontram-se casas populares de feições únicas, pequenas e muito coloridas, com platibandas ornamentadas – um complemento à austeridade jesuítica, ao excesso barroco e à racionalidade moderna , uma arquitetura espontânea, alegre e solar como a própria cultura nordestina.

 
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