Atrações Turísticas e a História de Serro MG 

A cidade de Serro, nos seus primórdios conhecida como a antiga Vila do Príncipe do Serro Frio, foi sede de uma das quatro primeiras comarcas da Capitania das Minas Gerais.

Cidade de arquitetura colonial preservada, guarda em suas ruas, características das vilas setecentistas mineiras.

Características essas que lhe deram o reconhecimento de ser o primeiro município brasileiro a ter seu conjunto arquitetônico e urbanístico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em abril de 1938. 

Cidade de Serro MG
Cidade de Serro MG

Ofuscado por Diamantina, Serro tem vida própria, tesouros da arquitetura colonial e um entorno ainda verdejante.

Suas igrejas caracterizam-se pela fachada simples (a madeira e a taipa e técnicas empregadas na construção) e pelo interior luxuoso.

Mais que a talha, destacam-se as pinturas dos forros, principalmente as de Silvestre de Almeida Lopes, grande pintor local.

As igrejas ficam fechadas a maior parte do tempo e abrem apenas para missas, em horários irregulares.

Por fim, vale lembrar que no Serro se fabrica um tipo único de queijo, claro e de textura macia, considerado um dos melhores do estado.

História de Serro MG

A história da cidade do Serro remonta a 1702 quando teve início o Arraial do Ribeirão das Minas de Santo Antônio do Bom Retiro do Serro do Frio, data das primeiras minerações de ouro na região.

Ali, vários ranchos foram erguidos nas proximidades dos córregos, formando os arraiais de Baixo e de Cima, que se desenvolveram e, juntos, deram origem ao povoado do Serro Frio.

A denominação é atribuída aos índios tupi-guarani e advém da palavra Ivituruí (ivi = vento, turi = morro, huí = frio).

A exploração desordenada da primeira década do século XVIII levou à criação do cargo de superintendente das minas de ouro da região.

E, devido ao seu crescimento, em 1714, o arraial é elevado a Vila, recebendo o nome de Vila do Príncipe.

Mais tarde, os mineradores descobriram lavras de diamante na região.

Para defender os interesses portugueses, em 1720, foi criada a grande comarca do Serro Frio, que passa a ser a maior comarca das Minas, e cuja sede era a Vila do Príncipe.

A partir desse momento, após a descoberta dos diamantes, várias restrições foram impostas à exploração de ouro na comarca, culminando com a criação da Casa de Fundição, que recebia toda produção aurífera da região.

O processo de urbanização do Serro foi determinado pela mineração de ouro e diamante.

Cabe ressaltar que a cidade mantém, ainda hoje, sua imagem urbana e arquitetônica semelhante à dos séculos XVIII e XIX, caracterizado por longas vias longitudinais, áreas verdes e edificações.

A cidade de Serro apresenta um conjunto homogêneo de arquitetura colonial, onde se destacam dois exemplares: 

  • Casa dos Otoni – construída no século XVIII, com estrutura de madeira, possui extenso terreno e forma assobradada, com varanda e balaustrada, piso em madeira e forro de esteira, e hoje abriga o Museu Regional Casa dos Otoni.
  • Chácara do Barão – construída na segunda metade do século XIX, em madeira e taipa, destaca-se também pela cantaria empregada nos bancos e no fogão de pedra sabão, além dos tanques em pedra, componentes do sistema de abastecimento de água.

As edificações religiosas, construídas a partir da segunda metade do século XVIII, utilizaram os sistemas construtivos da época da mineração – madeira e taipa – e obedecem ao estilo das capelas e matrizes mineiras das primeiras décadas do século XVIII, composto por plantas retangulares, frontispícios retos e torres de seção quadrada com cobertura de telhas, com tendência à linha reta.

Observa-se, entretanto, a inserção de elementos típicos da região, tais como óculos colocados abaixo da empena e anexos laterais, estes muitas vezes incorporados mais tarde, para funcionamento de sacristias, consistórios ou depósitos.

Algumas outras igrejas ou capelas diferenciam-se pelo emprego de torre única central, ou pela ausência de torres.

Entre elas se destacam a Matriz de Nossa Senhora da Conceição – construída em madeira e taipa e, internamente, apresentando pinturas decorativas e ornamentação em estilo rococó; a Igreja Nossa Senhora do Carmo e a Igreja Bom Jesus de Matozinhos.  

Passeios pela cidade

Um passeio pelas ruas do Serro é uma viagem ao passado.

Como em todas as cidades históricas mineiras, exige apenas sapatos baixos e confortáveis para palmilhar o calçamento de lajes, bem como fôlego para o sobe-e-desce das ladeiras.

Entre as casas da cidade, repare na de João Pinheiro (rua Luiz Advíncula Reis, s/n, Centro), bem conservado sobrado de meados do século XIX, e na de Pedro Lessa (r. Antônio Honório Pires, 38, Centro), da mesma época.

Chácara do barão do Serro MG
Chácara do barão do Serro MG

Afastada do centro, no bairro dos Quatro Vinténs, fica a luxuosa chácara do barão do Serro (rua da Real Fundição do Ouro, s/n), importante político local no século XIX.

Na construção, cercada de belas e antigas palmeiras-imperiais e restaurada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico, destacam-se as janelas de guilhotina que culminam em ângulo e os três belos bancos de pedra, semelhantes a poltronas, fixados na varanda.

Atrações Turísticas de Serro MG 

1. Capela de Santa Rita

Capela de Santa Rita em Serro MG
Capela de Santa Rita em Serro MG

Localizada no ponto mais alto do centro da cidade, de onde se podem avistar todo o centro histórico e o pico do Itambé, é alcançada por uma grande escadaria de pedras, um dos cartões-postais do Serro. 

A capela foi construída em 1745, mas passou por várias reformas.

Sua edificação remonta ao século XVIII, sem data precisa, passando no século XIX por sucessivas reformas que caracterizaram sua atual fachada chanfrada.

Em seu interior se destaca a singeleza da ornamentação marmorizada e o alar de São Sebastião confeccionado por ordem do Alferes Ângelo Martins de Siqueira pai da lendária Ana D’África.

A igreja se localiza no alto de uma longa escadaria de onde se avistam o Pico do Itambé, com seus 2044 metros de altitude, e uma vista panorâmica do centro histórico do Serro.

O arquiteto Silvio de Vasconcelos esteve neste adro e, em meio a uma revoada de andorinhas, registrou sua célebre frase: “Serro cidade encantada que parou no tempo”. 

Na torre central há um relógio, vindo de Paris, em perfeito funcionamento. Praça João Pessoa, s/n.

2. Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Serro MG
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Serro MG

Um dos mais belos monumentos religiosos de toda a região do diamante, esta igreja foi construída em 1776 no local que abrigava uma antiga capela, erguida em 1713.

A fachada é simples, com duas torres laterais; no interior, porém, a exuberância barroca revela-se no grande relevo representando a Santíssima Trindade cercada de anjos e querubins, no retábulo do altar-mor.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição é a principal igreja da cidade do Serro, em Minas Gerais. 

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, é uma das maiores igrejas barrocas do estado, possuindo as torres em madeira mais altas entre as igrejas coloniais mineiras.

Saint-Hilaire a descreveu como “uma das mais belas e grandes que ele vira em toda a Província de Minas”. Foi possivelmente neste templo que o Maestro Lobo de Mesquita ensaiou seus primeiros acordes musicais. 

No púlpito sobressai o lustre de prata maciça, ricamente trabalhado. Ladeira do Pelourinho, s/n.

3. Capela de Nossa Senhora do Rosário

Capela de Nossa Senhora do Rosário em Serro MG
Capela de Nossa Senhora do Rosário em Serro MG

Pouco se conhece oficialmente sobre a história desta pequena capela erguida, possivelmente por devoção de negros livres ou escravos, no curso do século XIX, como indicam algumas de suas características construtivas.

Está valorizada pela inserção na magnífica paisagem, no topo de uma colina com ampla vista para o vale e serras que integram o maciço do Pico do Itambé. 

A construção, de 1759, é muito simples e desprovida de ornamentação; ao lado, localiza-se o cemitério dos membros da Irmandade.

Embora suas linhas originais estejam desfiguradas, a capela ocupa posição importante na cidade, pois sedia a Festa do Rosário, com apresentações de congadas, reisados e outros folguedos tradicionais. Largo do Rosário, s/n.

4. Igreja de bom Jesus de Matosinhos

Igreja de bom Jesus de Matosinhos em Serro MG
Igreja de bom Jesus de Matosinhos em Serro MG

Situada numa encosta na confluência das ruas General Pedra e Matozinhos, esta igreja foi construída no final do século XVIII, embora a escassez de fontes documentais não nos permita historiar as diversas etapas de sua edificação. Ignora-se, assim, a data precisa do início de sua construção, bem como a autoria do projeto arquitetônico e dos trabalhos de ornamentação.

A primeira notícia que se tem acerca desta igreja é fornecida pelo historiador Cônego Raimundo Trindade, que informa ser o seu fundador o tenente José Ferreira de Vila Nova Ivo que, em 1781, justificou judicialmente a respectiva instituição.

Aires da Mata Machado em seu relatório de pesquisa realizado em 1941, para o IPHAN, afirma ter encontrado uma alusão à existência desta igreja num livro de assentamento datado de 1785.

Entretanto, julgam os historiadores que a data mais concreta sobre a história deste templo, no século XVIII, é a de 1797, inscrita em medalhão da pintura do forro da capela-mor, que atesta o estágio adiantado da construção – pelo menos desta parte do edifício -, pois refere-se ao término dos trabalhos de decoração interna. 

A ornamentação barroca está presente sobretudo no arco do trono.

No forro, a pintura do padroeiro é atribuída a Silvestre de Almeida Lopes, um dos maiores artistas da região no final de 1700. Praça Cristiano Otoni, s/n.

5. Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Serro MG
Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Serro MG

As obras desta igreja duraram de 1768 a 1780, mas ao longo do século seguinte muitas reformas alteraram sua fachada.

A construção deste templo se deu por iniciativa da Ordem Terceira do Carmo local que, desmembrada da Irmandade carmelita do arraial do Tijuco, formou-se, autonomamente, na Vila do Príncipe.

Em 1768, os Irmãos obtiveram do Senado da Câmara, o terreno onde fizeram edificar a igreja.

Em 1780, já se trabalhava na fachada, pois em junho deste ano foi ajustado com o mestre José da Silva Ribeiro, o trabalho de edificação das torres.

A 20 de julho do ano seguinte, o templo foi consagrado o que indica que as obras estavam praticamente concluídas.

Mas, muito provavelmente, pela precariedade e fragilidade do material empregado – taipa e madeira – cedo a edificação já reclamava cuidados de reconstrução e/ou reformas. Assim, durante praticamente todo o século XIX a igreja sofreu inúmeras intervenções visando sua estabilidade.  

Na atual, o destaque é o medalhão de madeira pintada sobre a portada, exceção à sobriedade característica do exterior das igrejas do Serro.

A decoração do interior, harmoniosa, combina o rococó dos altares laterais ao prenúncio do neoclássico visível no altar-mor, mais recente. Praça João Pinheiro, s/n.

6. Museu Regional Casa dos Otoni

Museu Regional Casa dos Otoni em Serro MG
Museu Regional Casa dos Otoni em Serro MG

A casa em que nasceu Teófilo Otoni, líder político e empresário, foi construída no século XVIII, em taipa de pilão.

Restaurada, foi transformada em museu, abrigando também o escritório regional do Iphan.

No acervo, peças sacras e objetos de uso cotidiano que recompõem a vida diária dos séculos XVIII e XIX, além de documentos oficiais dos tempos da colônia. Praça Cristiano Otoni, 72, Centro.

7. Pico do Itambé

Pico do Itambé MG
Pico do Itambé MG

Ponto culminante da serra do Espinhaço, o pico de 2002 metros de altitude, está dentro do parque estadual de mesmo nome e pode ser alcançado pelos distritos de Capivari (39 quilômetros de estrada de terra precária, de carro, e mais 5 quilômetros de caminhada de nível (30 quilômetros também de estrada de terra precária, mais 8 quilômetros de trilha de nível médio).

No caminho até o topo, há várias quedas-d’água e piscinas para banho.

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