Candomble na BahiaCandomblé é uma religião derivada do animismo africano onde se cultuam os orixás, voduns ou nkisis, dependendo da nação.

Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões de matriz africana mais praticadas, tendo mais de três milhões de seguidores em todo o mundo, principalmente no Brasil.

O Candomblé tem grande valor prático para a vida diária, essa antiga religião dos escravos se contrapõe aos sistemas religiosos tradicionais, como o cristianismo e o budismo.

E sanciona identidades, porque todo indivíduo tem um Orixá a quem pertence, que define o comportamento e os desejos interiores de cada pessoa, sem fazer distinção entre o bem e o mal.

Em cada um de nós, pode haver o lado maternal de Oxum, a implicância de Nana ou a combatividade de Ogun.

Durante o ano todo acontecem festas de Candomblé na Bahia, cada Casa, cada nação (Keto ou Nagô, Ijexá, angola, Gêge, Cabinda, Congo etc.), cada grupo tem o seu ciclo. E na mansidão e quietude do Orun, que estão em constante sintonia com o Ayé, confirmando o elo entre nós e os que se foram.

    Candomblé é uma palavra de origem negro-africana que designa reunião de adeptos de culto, também conhecida em outras partes da América Latina, onde houve escravidão negra.

    Estas reuniões de candomblé  se fazem em locais preparados para tais cerimônias, via de regra são realizadas em barracões rústicos e erguidas de acordo com certos preceitos: os cânticos são em geral em língua nagô, raras em português, e refletem o linguajar do povo.

    Ao som de cânticos e danças, os atabaques constituem a base da música de percussão nos candomblés, é mais do que um culto africano, faz parte de um dogma, de um culto e de uma moral, tendo seu clero, onde reúne os elementos construtivos de uma religião.

    Quando os escravos africanos foram trazidos para o Brasil, a fim de trabalharem nas plantações, as autoridades portuguesas ordenaram que fossem batizados no prazo de seis meses, mas os negros continuaram a adorar os seus ídolos.

    Os colonizadores não conseguiram faze-los cristãos, pois eles agarravam-se às suas crenças e à sua fé quando eram libertados, levavam consigo a sua religião primitiva.

    Finalmente catequizados de maneira vaga, eram batizados, mas, no entanto nada compreendiam dessa religião que lhes ensinavam à força, e que confundia seus espíritos, pois o catolicismo se transformava desde então, num meio de disfarce de suas crenças tradicionais.

    Na realidade o santo não era adorado, mas sim o Orixá correspondente.

    Tudo não passava de uma fachada para esconder um ritual secreto.

    A escravidão desenvolveu no negro um complexo de inferioridade, pois a religião predominante do branco fazia para de uma cultura superior, ou seja: de senhores.

    Enquanto que o negro elevava sua crença de um plano inferior a um plano superior, tinha o sincretismo como um fenômeno de ascensão sempre desejado mais ou menos em surdina.

    Por isso que os negros africanos limitavam-se a justapor os santos católicos aos deuses de suas crenças, considerando-os como de categoria igual, se bem que perfeitamente distintos.

    O candomblé tem as suas crenças, suas divindades, seus dignitários, seus fiéis, suas cerimônias de ritos muito complicados, seus lugares de culto, seus altares e seus objetos sagrados.

    Os seus Orixás (divindades) do candomblé personificam um fenômeno natural (tempestade, trovão, arco-íris, doença, etc.), uma atividade humana (caça, colheita, etc.) ou sentimentos (amizade, fidelidade, etc.)

    O rei dessas divindades é Olorum, pai dos deuses, criador invisível e soberano, transmitiu seus poderes aos Orixás que dominam o mundo em seu nome, mas são um pouco maus e convêm evitar-lhes as cóleras.

    Olorum tem dois filhos, Obatalá (céu) e Odudua (terra), sendo rodeado por uma corte de divindades que são os Orixás.

    É impossível fixar sobre a data precisa em que começou a introdução de escravos negros no Brasil, pois por quase meio século antes do seu descobrimento, datava o comércio de escravos africanos na Europa, tendo Portugal como sede.

    Sendo a escravidão negra no Brasil contemporânea da sua colonização e seu grande tráfico iniciou-se pouco menos de uns 50 anos após a descoberta do Brasil.

    Esses migrantes involuntários trouxeram suas concepções de mundo, filosofia e religião: jejes, marrins, iorubas, fons, angolas, hausás, fantis, ashautis, malês, fulas, congos etc.

    São apenas algumas das raças mais representativas, tendo cada qual suas crenças.

    Mas aqui, independente de cultura ou etnia, foram misturados segundo o interesse dos mercadores traficantes, espalhando-se pouco a pouco pelas senzalas da Bahia, Pernambuco, Minas gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e depois nos centros urbanos.

    Durante mais de três séculos, homens, mulheres e crianças da raça negra oriundas do continente africano, foram trazidos como escravos.

    Até o advento da lei Eusébio de Queiroz, promulgada em 4 de setembro de 1850 e mesmo alguns anos depois, integrantes de várias nações vinham para o Brasil, trazendo consigo toda uma tradição cultural e religiosa que muito influenciou na formação do povo brasileiro.

    Existem em circulação no Brasil diversos trabalhos publicados acerca da religiosidade africana, mas essas publicações, entretanto são espécies de guias, para os que professam o Candomblé, a Pajelança e outros ramos da seita espiritual, sem, contudo, oferecer aos leitores uma visão folclórica do que ocorre em função do candomblé.

    O etnólogo baiano Édison Carneiro, autor de vários estudos sobre o tema, alguns como “Religiões Negras” (1936); Candomblés da Bahia (1948); Antologia do negro brasileiro (1950) é até o momento a maior autoridade no assunto.

    Confundem muitos os autores a origem destes negros, ora os classificam por tribos, ora por nomes genéticos, ora por simples portos de procedência.

    A Circular do Ministério da Fazenda nº 29 de 13 de maio de 1891, assinada pelo então ministro Rui Barbosa, determinou a incineração de todos os documentos que diziam respeito à escravidão negra no Brasil, impedindo assim que estudiosos e pesquisadores saibam a verdadeira origem do negro brasileiro.

    Por causa da inexistência de documentos, calcula os historiadores: Visconde de Taunay que foram trazidos para o Brasil 3.600.000, já Roberto Simonsen calcula 3.300.000 e Maurício Goular entre 3.500.000 a 3.600.000, no período de 1538/1850.

    Os dignitários dos candomblés gêge-nagô (pequenas nações negras da Costa dos Escravos, do grupo Iorube) e congo-angola reivindicam com orgulho a sua ascendência africana, gabam a pureza das suas tradições e desprezam os candomblés “dos caboclos”, considerando-os abomináveis misturas e acusando-os de mancharem os veneráveis ritos com práticas indígenas.

    As cerimônias de candomblé mais importantes são acompanhadas de danças, de melopéias e de oferendas de animais: carneiros, cabras, bodes e galinhas.

    Entre cerimônias realizam-se no barracão, onde muitas vezes é ornamentada com grinaldas e letreiros: Viva Oula ou Viva Xangô.

    Os Orixás têm o direito de serem venerados todas as semanas e nos dias determinados pela tradição, os filhos-de-santo apresentam iguarias aos seus feitiços, enchem as quartinhas com água fresca para o banho, e levam os colares de pérolas do santo e as suas cores.

    O sincretismo é um fenômeno antigo, pois desde o início da colonização já o encontramos no quilombo dos Palmares, tanto nos gestos ou ritos como na semelhança dos deuses africanos e dos santos.

    Mas também um fenômeno geral em toda América católica, encontramo-lo tanto em Cuba como no Haiti, neste caso pode ser Orixá, ao mesmo tempo ser santo, e vice-versa. Aqui eles se unem conjuntamente na mística africana e na mística católica.

    A religião afro-descendente tende em algumas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, devido à influência da desorganização urbana, tomar cada vez mais um aspecto de magia.

    O negro em contato com o catolicismo, que possuía preces fortes endereçadas a santos para evitar certas moléstias ou acidentes, que multiplicava nas capelas os ex-votos, como sinal de milagre, diante disso, o negro não podia deixar de reconhecer a existência de uma força inegável na religião de seus senhores brancos.

    Portanto, o sincretismo assume formas diferentes segundo a natureza das representações coletivas dos povos assimilados, não sendo suas leis em gerais, mas variáveis segundo as culturas em contato.

    A festa de candomblé começa pela madrugada com a matança (sacrifício de animais) em holocausto aos Orixás, sendo esta cerimônia de caráter privado, não sendo permitida a presença de pessoas estranhas que não sejam iniciadas dentro da seita, cabendo as Iabás (cozinheiras) prepararem toda a carne dos animais sacrificados.

    Tirando os Erês e colocando tudo devidamente pronto, com um preparo especial, juntamente com as outras comidas secas aos respectivos pés (assentamento), a comida correspondente a cada Orixá.

    Somente no final da tarde antes do crepúsculo é que começa a cerimônia pública, que acontece no barracão todo enfeitado com folhas de coqueiro e bandeirolas de papel.

    No centro do terreiro de candomblé encontra o Padé de Exu, oferenda que se dá ao mensageiro dos Orixás, mediador entre os seres mortais e os deuses. Pois, em qualquer obrigação o primeiro a ser tratado é Exu, para a festa decorrer em paz, harmonia e seus desígnios sejam cumpridos, e ele possa tomar conta da porteira e não deixar entrar os espíritos maus, que possam vir a perturbar o bom andamento da festa.

    Candomblé da Bahia, origem e religiosidade do baiano

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