culinaria nordestinaSomando influências européias, africanas e indígenas a uma extraordinária fartura de temperos e ingredientes, a mesa nordestina oferece imensas surpresas ao paladar.

O cardápio da cozinha nordestina presente nas mesas dos vários estados do Nordeste brasileiro é farto e variado. Os frutos da terra e os do mar já seriam suficientes para explicar a abundância da oferta.

A riqueza dos ingredientes naturais juntou-se à cultura gastronômica trazida pelos europeus – portugueses, franceses, holandeses -, africanos e indígenas.

Por trás desse cenário, Gilberto Freyre distinguiu um traço sociológico fundamental: “Só o grande lazer das sinhás ricas e o trabalho fácil das negras e molecas explicam as exigências de certas receitas das antigas fanúlias das casas-grandes e dos sobrados”.

De fato, inúmeros pratos da cozinha nordestina requerem horas de preparo e dedicação.

Da mesa do café-da-manhã da cozinha nordestina fazem parte o cuscuz de tapioca e o de milho com leite, o mungunzá com coco, a batata-doce, a carne-de-sol em tirinhas, a manteiga de garrafa e o café adoçado com rapadura.

No almoço da cozinha nordestina entram o feijão-de-corda, a carne de bode, o cabrito guisado, a buchada de carneiro e miúdos de porco.

Ou ainda moqueca de peixe, siri mole, abóbora com camarão seco, além de ostras e mariscos para abrir o apetite. Detalhe: nada impede que as diferentes carnes se misturem na mesma refeição.

Durante a ceia, aparentemente mais leve, servem-se tapioca, queijo de coalho assado, inhame e café.

Há tradições, entretanto, que não cruzam as divisas dos estados. O azeite de dendê, muito popular entre os baianos do litoral, não é utilizado em Sergipe.

O óleo de babaçu maranhense desaparece nos contornos do Piauí – neste, típico é o doce de limão, preparado demorada e meticulosamente, com fervuras em diversas águas, várias provas e períodos de descanso de 24 horas.

Cabe, aliás, aos doces a façanha de unir as vertentes dos nove estados nordestinos: as variações são muitas, mas em quase todos eles se encontra a combinação do açúcar europeu, do coco africano e da mandioca nativa – um irresistível exemplo de mestiçagem gastronômica traduzido em delícias como a cocada, o bolinho-de-estudante e a tapioca ou o beiju com coco.

 
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