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Danças e Ritmos Musicais do NordesteAs danças e ritmos musicais do nordeste são bem variados. Alguns, inclusive, têm caráter nacional, espalhando-se por todo o país.

O coco é outra dança bastante conhecida no nordeste, sendo praticada e dançada no litoral e no sertão. Trata-se de uma dança com formação em roda ou fileiras, na qual os participantes dançam em pares ou sozinhos, o “tirador” canta uma linha melódica e os dançarinos repetem em seguida.

O nome da dança teve origem no movimento de quebrar o coco, e conta-se que Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, foi um dos dançadores de coco mais famosos da região.

Outra dança típica muito conhecida é o frevo, marca registrada de Pernambuco. Sua denominação parece ter se originado do termo “ferver”, devido aos seu “rítimo quente” e animado, com passos rápidos e bem ornamentados.

Existem ainda outras danças e ritmos musicais no nordeste como o Samba de Matuto, Xaxado, Baião, Forró, Xote e marchinha junina (ou arrasta pé).

Veja o vídeo explicando a diferença nas danças e nos ritmos musicais do Nordeste.

Veja as seguintes danças e ritmos musicais do nordeste:

Samba de Matuto

Dança de cortejo, sem enredo ou drama, na qual as cantigas dançadas fazem referência a Santos católicos, a espíritos das religiões afro-brasileiras e as do cotidiano. Possui nítida identificação com os terreiros de xangôs.Samba de Matuto

Antes de cada apresentação, o mestre acende três pontos (velas) para que os orixás permitam o bom andamento do folguedo.

Nas cidades litorâneas de Passo de Camaragibe, Porto de Pedras e São Miguel dos Milagres vamos encontrar no período carnavalesco, uma grande incidência de Samba-de-Matuto.

O Samba de Matuto com sua origem carnavalesca, não tem enredo. Possui relação com os Maracatus pernambucanos e é uma espécie de cantiga dançada que fala dos santos católicos e, sobretudo, de entidades religiosas de origem africana.

Como no Pastoril, possui dois cordões: o azul e o encarnado. É comum realizar, na abertura de cada apresentação, uma saudação aos orixás. As integrantes do Samba de Matuto vestem blusas e saias rodadas.

Xaxado

É conhecido pelo nome de xaxado um ritmo e dança típicos do nordeste do Brasil, com raiz nos costumes do sertanejo local, originário das regiões do Pajeú e Moxotó no interior de Pernambuco e evidentes características extraídas das culturas indígenas.

Seu nome é atribuído ao som onomatopaico que os dançarinos fazem com as alpercatas arrastadas no chão durante a dança, soando “xa-xa-xa”.

Há também a versão de que o nome xaxado seja derivado da palavra “xaxar”, uma corruptela de sachar (cavar a terra com o sacho, capinar). Os agricultores xaxam o feijão juntando a terra com uma enxada pequena no pé do caule do broto com poucos dias de nascido.Xaxado

Verificando os movimentos dos pés de quem está manuseando uma enxada, limpando mato na roça ou xaxando, é semelhante aos de quem está dançando o xaxado básico.

A “paternidade” do xaxado também é matéria de bastante controvérsia, pois alguns autores afirmam que se trata de uma adaptação de danças portuguesas; outros afirmam ser uma recriação de danças indígenas, e há ainda várias fontes que acreditam terem sidos os cangaceiros, em especial o bando de Lampião os criadores do xaxado.

Na verdade, as primeiras pesquisas sobre o ritmo remontam a 1922, onde se verificava sua prática nas regiões do Agreste e Sertão pernambucano.

Os cangaceiros possuem o mérito de serem os principais divulgadores do xaxado, pois eles usavam a dança como grito de guerra ou para celebração de vitórias.

Utilizando o rifle em substituição da mulher, a dança era exclusivamente praticada por homens (mesmo porque na época as mulheres ainda não participavam dos grupos de cangaceiros, situação que mudaria pouco depois com a inclusão de Maria Bonita e outras mulheres no bando de Lampião).

Com o passar dos anos as mulheres conseguiram seu espaço na brincadeira. Por conta dessa divulgação, o xaxado é muito ligado ao cangaço, e mesmo inovações na dança acabaram por surgir dentro dos vários grupos cangaceiros.

Assim, hoje em dia o xaxado é executado aos pares, e os grupos dançam geralmente acompanhados por conjuntos de pífano, zabumba, triângulo e sanfona, apesar de originalmente o xaxado não possuir qualquer acompanhamento, sendo uma forma predominantemente vocal, com o som das alpercatas arrastadas no chão fazendo as vezes de instrumento de percussão, ditando o ritmo da dança.

Os movimentos do xaxado são apresentados em fila, claro sinal de influência indígena, sem volteio, avançando o pé direito em três e quatro movimentos para os lados e puxando o esquerdo, num rápido e arrastado sapateado.

Origem do Ritmo Baião

O baião é uma espécie de coreografia desenvolvida ao mesmo tempo em que se canta ao som deste ritmo, popular especialmente no Nordeste brasileiro.

Ele provém de uma das modalidades do lundu – estilo musical gerado pelo retumbar dos batuques africanos produzidos pelos escravos bantos de Angola, trazidos à força para o Brasil.

A princípio ele era conhecido como baiano, por descender do verbo ‘baiar’, que popularmente se referia a ‘bailar’ ou ‘baiar’, expressões traduzidas no Brasil por bailar. Esta sonoridade foi gerada pelos nordestinos a partir de uma mistura da coreografia dos africanos com as cultivadas pelos nativos, somadas ainda à dança praticada na metrópole. Era, portanto, uma síntese das três culturas, muito exercitada ao longo do século XIX.

Na década de 40, especialmente depois de 1946, o baião ganhou novo impulso com a intervenção do genial sanfonista e compositor Luiz Gonzaga, assumindo uma nova tonalidade com a incorporação um tanto inconsciente das características do samba e das congas cubanas.

Com esta nova feição este som transcendeu o próprio bolero, disseminou-se por todo o país e até mesmo cruzou os limites do país.

Somente no sul do Brasil o baião teve algumas pequenas modificações. Enquanto normalmente aquele que dança indica seu substituto na coreografia com uma umbigada, nesta região o dançarino escolhe outra pessoa estalando os dedos, simulando o toque de uma castanhola.

O principal instrumento a acompanhar o baião é a sanfona, muitas vezes complementada pelo agogô e o triângulo; com o passar do tempo tornou-se habitual o uso de uma orquestra.

O grande êxito musical deste ritmo ocorreu com a gravação da música intitulada Baião, composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Nesta canção os autores convidam os ouvintes a descobrir de que forma se dança o baião, e destaca suas características originais. Gonzagão, como era conhecido, continua a compor outras músicas neste ritmo, e assim leva esta sonoridade ao ápice do sucesso.

Nos anos 50 vários cantores aderiram a este ritmo, entre eles Marlene, Emilinha Borba, Ivon Curi. Gonzaga era considerado o ‘Rei do Baião’, enquanto Carmélia Alves era a ‘Rainha’, Claudete Soares a ‘Princesa’ e Luiz Vieira o ‘Príncipe’.

O baião é sempre coreografado por pares, os quais desenvolvem os passos conhecidos como balanceios, passos de calcanhar, passo de ajoelhar e rodopio. As mulheres costumam se apresentar trajando vestidos de chita comum, adornados com babados nas saias e dotados de generosos decotes e mangas curtas. Elas normalmente calçam sandálias com muitas cores. Enquanto isso os homens usam calças claras de brim, camisas simples e sandálias de couro cru.

Depois de algum tempo mantido à margem da história musical, o baião ressurgiu no final da década de 70, graças ao resgate perpetrado por músicos do calibre de Dominguinhos, Zito Borborema, João do Vale, Quinteto Violado, entre outros.

Além disso, este ritmo inspirou decisivamente o estilo tropicalista de Gilberto Gil e o rock de Raul Seixas, que unia estas duas sonoridades, batizando de Baioque o resultado desta fusão.

Forró suas origens e sua história

O forró e o samba, possuem as mesmas raízes, ou seja, ambos se originaram da mistura de influências africanas e européias. “Na música nordestina, um toque indígena, uma pitada européia, um tempero africano; é só degustar…” já citava um dos especialistas no assunto.

Porém, a origem da palavra forró é controversa. É certo que o ritmo nasceu no Nordeste e foi apresentado ao Sul do país por Luiz Gonzaga nos anos 40. Mas quando, onde e como ele apareceu lá no sertão ainda é, de certo modo, um mistério que vem dividindo muitos estudiosos e músicos.

Há a versão mais popular de sua origem, até transformada em canção por Geraldo Azevedo em 1982, “For All” Para Todos: a de que o nome viria dos dizeres “For All” (em inglês “para todos“).

A frase vinha escrita nas portas dos bailes promovidos pelos ingleses em Pernambuco, no início do século, quando eles vieram para cá construir ferrovias. Se a placa estivesse lá era sinal de que todos podiam entrar na festa, regada a ritmos dançantes que prenunciavam o forró de hoje, e essa era a versão defendida por Luiz Gonzaga. Nestes bailes tocavam todos os tipos de música e também o ritmo precursor do forró atual.

A segunda versão é dada pelo historiador e pesquisador da cultura popular Luís da Câmara Cascudo, que diz que a origem é o termo africano “forrobodó“, que significaria festa, bagunça.

Em alguns povoados pequenos do país (como na Ilha Grande- RJ ou na Ilha do Mel- PR) forró significa bailão popular ou arrasta pé, onde se dança de tudo.

Veja o vídeo “Xote e baião são alguns dos ritmos que compõem o forró”

Podemos didáticamente, dividir o forró em:

1. Como ritmo de dança e música: baião, xote, xaxado, côco, quadrilhas juninas:

· O baião: sua origem remonta ao século XIX, no nordeste do país, mas faltam informações precisas para esse início. Segundo alguns, a palavra vem de ” baiano”. O baião veio do lundu e era dançado em roda; um dos presentes intimava os outros a dançar por meio de umbigadas e toques de castanholas. A popularização do ritmo se deu mesmo a partir da década de 40, com Luiz Gonzaga, pernambucano que veio para o Rio de Janeiro e gravou inúmeras músicas, que falavam do cotidiano nordestino.

· O xote: ritmo de origem européia que surgiu dos salões aristocráticos da época da Regência – final do séc XIX. Conhecido originalmente com o nome schottisch, dominou no período do Segundo Reinado incorporando-se depois às funções populares urbanas, passando a ficar conhecido como chótis e finalmente xote. Saiu dos salões urbanos para incorporar-se às regiões rurais, onde muitas vezes aparece com outras denominações.

· O xaxado: o nome provém do som que os sapatos faziam no chão ao se dançar; é uma dança do agreste e sertão pernambucano, bailada inicialmente somente por homens, que remonta da década de 20. O acompanhamento era puramente vocal, melodia simples, ritmo ligeiro, e letra agressiva e satírica. Tornou-se popular pelos cangaceiros do grupo de Lampião.

· O côco: dança de roda do norte e nordeste do Brasil, fusão da musicalidade negra e cabocla. Acredita-se que tenha nascido nas praias, daí a sua designação. O ritmo sofreu várias alterações com o aparecimento do baião nas caatingas e agreste. Como compositor que popularizou o ritmo podemos citar Jackson do Pandeiro.

· As quadrilhas juninas: são de natureza rural, da tradição européia, do culto ao fogo, anteriores ao cristianismo. A Igreja Cristã adaptou a festa de São João para absorver os cultos agrários pagãos. No Brasil a festa é acompanhada de muita música e dança: a quadrilha (dança das Cortes européias), o baião, o xote entre outros.

2. Como estilo musical: forró tradicional ( estilo Luiz Gonzaga), forró malícia ( estilo Genival Lacerda), Forró Eletrônico ou “Oxentemusic” ( estilo Mastruz com Leite), forró universitário ( estilo Fala Mansa).

O forró teve sua “primeira ressurreição” inicialmente em meados dos anos 90, com algumas alterações em relação ao seu perfil original com o surgimento de novos grupos musicais: “A maioria destes grupos se formou após a febre da lambada e a música que eles fazem é chamada de lambaforró.

A dança também se modificou, assimilando passos da lambada (principalmente os giros)” afirma Dominguinhos.

A partir do ano 2000 houve uma segunda ressurreição do forró com o “forró universitário” surgido entre universitários de São Paulo e na região de Itaúnas no Espírito Santo, todos jovens que redescobriram o jeito romântico e melódico dos xotes de Luiz Gonzaga e começaram a surgir bandas hoje já reconhecidas como Fala Mansa, Rastapé e muitas outras.

A dança é “colada” e tem também variações afastadas e há um grande molejo de corpo. Podemos concluir, portanto, que o forró é um caldeirão de culturas de várias épocas e regiões que vai se modificando e se adaptando a cada geração. Importante lembrar que forró inicialmente designava apenas a festa ou baile dançante e o local onde acontecia. Só mais tarde passou a ser também um gênero musical e de dança que engloba diversas variações.

O gênero se espalhou por todo o país e hoje é quase uma paixão nacional.

Xote

O Xote é um ritmo binário, muito executado no nordeste brasileiro, mas que ganhou alcance nacional e hoje é tocado de norte a sul.

Xote é um rítmo musical dançante executado por diversos cantores e conjuntos de forró. É um rítmo dançante muito tocado nas festas juninas em diversos estados do Nordeste brasileiro.

O xote gaúcho é uma variação do rítmo, tocado no extremo sul do Brasil.

A palavra xote teve origem na palavra alemã “schottisch”, que significa escocesa, pois a dança inicialmente era uma referência à polca escocesa.

O “schottsch” chegou ao Brasil em 1851, através do português José Maria Toussaint. Inicialmente era difundida apenas entre a elite mas, não demorou muito para os escravos se interessarem, e através de observações, acabaram adaptando a coreografia para seu próprio jeito, com mais giros e movimentos, passando a ser conhecido com o nome de xótis ou xote.

O xote tornou-se uma dança típica do Nordeste do Brasil. É tocado por uma banda composta principalmente de sanfona, pandeiro e triângulo.

Há outro tipos, como o xote carreirinha, onde os casais correm no mesmo rumo, muito comum no Rio Grande do Sul, e o xote de sete volta, em que o casal tem que dar voltas pelo salão, em uma direção, depois em direção contrária.

Marchinha Junina

A marchinha junina não é só no carnaval que se dançam as marchinhas! No São João, essa variedade é ilustrada por músicas como “Nem se despediu de mim” e “Olha pro céu”, mais lentas e marcadas por combinações melódicas repetitivas.

É um dos ritmos preferidos dos quadrilheiros, que encontram nele o compasso ideal para as coreografias. Na marchinha, a sanfona é quem dita a condução.

Danças e Ritmos Musicais do Nordeste

 
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