Fazendas de cacau atraem turistas ao sul da Bahia

Fazendas de cacau em Ilhéus
Fazendas de cacau em Ilhéus

Famosa por suas belas praias, a Bahia aposta em uma nova mania turística: a exploração do turismo das fazendas de cacau da região sul.

O Brasil, que já foi o segundo maior produtor de cacau do mundo, voltou a exportar.

As fazendas de cacau de Ilhéus e região oferecem visitas guiadas que apresentam todo o ciclo do fruto, desde sua plantação até os processos realizados após a colheita, fundamentais para a produção dos chocolates.

Ilhéus reserva destinos para quem quer conhecer fazendas de cacau.

Muito conhecida pelos escritos de Jorge Amado e por ter sido cenário de “Gabriela, Cravo e Canela”, a cidade de Ilhéus, no Sul da Bahia, geralmente é destino dos turistas que não abrem mão de calor e de boas praias.

Não é à toa, já que o município é detentor do litoral mais longo do território baiano, com quase 100 km de extensão.

O que nem todo mundo sabe, porém, é que a região viveu seu auge principalmente durante os anos 1920, época em que o cacau garantiu o enriquecimento de diversas famílias que exportavam o produto principal utilizado para a fabricação do chocolate.

Após anos e anos de prosperidade, a chegada da praga chamada vassoura-de-bruxa arrasou as lavouras de cacau locais, em meados de 1989.

mapa da Costa do Cacau na Bahia
mapa da Costa do Cacau na Bahia

Ainda se reerguendo e aprendendo a conviver com o problema, a cidade reserva bons destinos para quem está disposto a conhecer como funciona uma lavoura cacaueira, do plantio à secagem das amêndoas (como são chamados os “caroços” do cacau), além de descobrir diferenças entre os mais diversos tipos de cacau.

Vídeos sobre as fazendas de cacau entre Ilhéus e Uruçuca

Rota ou Estrada do Chocolate – Visitas a Fazendas de Cacau

No trecho rodoviário entre Ilhéus e Uruçuca, na zona chamada de Costa do Cacau, no sul baiano, um verdadeiro roteiro gastronômico está sendo formado. É a “estrada do chocolate”.

Na rota da “estrada do chocolate”, há, por exemplo, promoção de experiências rurais. Restaurantes e lojas de produtos derivados do cacau são algumas das opções disponíveis na região.

De acordo com a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur-BA), mais de 80 marcas do setor chocolateiro estão instalando suas atividades na região, que conta com 13 fazendas produtoras de cacau.

O sul baiano é a região que mais produz cacau e derivados no estado, que, a saber, é o maior produtor do fruto no país.

1. Fazenda Provisão

Fazenda Provisão está aberta a todos aqueles que desejam ter uma experiência diferenciada junto à natureza, à história da região, à cultura cacaueira, num ambiente aconchegante com cheiro, gosto e clima típicos uma fazenda tradicional.

Rodovia Ilhéus – Uruçuca, km 27. Funcionamento: Segunda a sábado, das 9h às 17h.

2. Fazenda Yrerê

Logo na entrada da Fazenda Yrerê, localizada na Rodovia Jorge Amado.

A Fazenda Yrerê é  aberta à visitação.

Com decoração colorida e extremamente aconchegante, o local faz um convite quase irrecusável a uma visita ao “mundo offline”.

Em um passeio que dura cerca de duas horas, os anfitriões apresentam uma pequena trilha à sombra da Mata Atlântica, com direito a pés de cacau pelo caminho.

É guia quem faz questão de ressaltar cada detalhe do local durante a caminhada, da história da propriedade, que acumula mais de dois séculos, a informações sobre a qualidade e o plantio do cacau.

Com um facão, ele abre alguns frutos fresquinhos, tirados direto do pé, e permite que os convivas se esbaldem na polpa branquinha, bastante carnuda e saborosa – mas que não lembra, nem de longe, o gosto do chocolate.

Além do turismo rural, da fabricação de móveis rústicos e artesanatos, o casal apostou recentemente em uma marca própria de chocolates finos, feitos com amêndoas selecionadas. Estão disponíveis nas versões 54% e 70% cacau.

Grandes sofás macios e coloridos, bancos rústicos ou até mesmo uma rede convidam os visitantes a um descanso após a andança em meio ao verde.

A Fazenda Yreré esta localizada as margens do Rio Cachoeira a sombra da Mata Atlântica do Sul da Bahia, no quilometro onze da rodovia Jorge Amado (Ilhéus/Itabuna).

3. Vila Rosa Chocolates

A Vila Rosa, que oferece aos visitantes uma imersão no mundo do chocolate.

Vila Rosa, no distrito de Taboquinhas, em Itacaré (BA)
Vila Rosa, no distrito de Taboquinhas, em Itacaré (BA)

O roteiro inclui conhecer o processo de produção artesanal, desde a amêndoa de Cacau até à barra de chocolate.

No passeio é possível fazer trilhas pela Mata Atlântica, pomares, jardins, piscinas naturais e visita ao antigo casarão com direito a degustar excelentes sabores de chocolates artesanais além de outros derivados do fruto como o Mel de Cacau (feito do néctar e que ganhou este nome por ter o sabor doce acentuado).

Por ser muito perecível, são poucos os lugares no Brasil onde você pode degustar essa iguaria. Para completar a experiência, é ainda servido cachaça de cacau aos visitantes da fazenda.

A Vila Rosa Chocolate está localizada em R. Pedro Longo, 174 – Centro, Itacaré – BA.

História do Chocolate

O chocolate é obtido de uma mistura entre o cacau, açúcar e leite.

No entanto, a sua fabricação começa bem antes, quando as frutas do cacau são quebradas para a retirada de suas sementes amargas, a base do chocolate.

A transformação do chocolate no doce que conhecemos só irá acontecer mais tarde, depois das sementes do cacau passarem por vários processos industriais, como a decomposição da matéria-prima, adição do leite, do açúcar e a sua moldagem nos tabletes vendidos nos supermercados.

Embora não se tenha conhecimento ao certo da origem do cacau, sabemos que ele já era consumido no século 16 pelos astecas e maias antes de ser levado para a Europa.

Os astecas também costumavam usar grãos de cacau como dinheiro e apenas os nobres bebiam o “tchocolalt”, uma mistura de grãos de cacau e mel, considerada uma bebida afrodisíaca e sagrada.

Em 1502, quando a esquadra de Cristóvão Colombo chegou à Ilha de Guanaja, os nativos astecas deram uma taça da bebida ao viajante, que foi um dos primeiros europeus a provar o sabor do chocolate. Mais tarde, no século 18, o botânico sueco Carlos Linnaeus batizou o chocolate de “Theobroma”, que em grego quer dizer alimento dos deuses.

Por volta de 1700, a novidade chegou à França e Inglaterra, ganhou a adição de leite e se espalhou pelo mundo.

E 65 anos depois, conquistou a indústria com o começo de sua produção nos Estados Unidos. No Brasil, o cultivo de cacau teve o seu início no século 19 em Ilhéus, na Bahia.

Lá está a maior região produtora da fruta no país.

Altos e baixos da produção do cacau

1920 a 1930 – Auge

Na época, a cidade vivia seu grande momento, quando os coronéis do cacau enriqueceram por meio da exportação da principal matéria prima do chocolate: a amêndoa da fruta. O que não faltam são histórias da época, todas temperadas pelo

imaginário da população local. Alguns nativos dizem que, entre os coronéis mais abastados, havia os que viajavam ao Rio de Janeiro apenas para cortar os cabelos, como uma forma de ostentação. Outros chegavam a passar seis meses por ano em Paris, com direito a motorista particular e tudo.

1980 – Decadência

Em meados da década de 1980, a produção brasileira de cacau era de cerca de 400 mil toneladas por ano. No finalzinho da década, já em 1989, com a chegada da vassoura-de-bruxa, o faturamento local caiu muito, levando várias famílias à falência. Segundo registros, mais de 300 mil pessoas ficaram desempregadas em Ilhéus e nas imediações.

Anos 2010 – Recuperação

Recentemente, a Bahia voltou a participar do mercado mundial do cacau, do qual estava afastado havia mais de 20 anos. A Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), vinculada ao Ministério da Agricultura, garante estudos e levantamentos para que os produtores convivam com a praga e tenham amêndoas de alta qualidade produzidas.

Processo de Fabricação do Chocolate

Processo de fabricação do chocolate
Processo de fabricação do chocolate

1- AMÊNDOA DO CACAU

A confecção do chocolate tem o seu início nas fazendas de cacau.

Lá as amêndoas ou sementes dos frutos são retiradas. Elas são as principais matérias-primas do doce.

Cada cacau possui de 20 a 50 sementes, com alto teor de gordura e água. Por isso, elas precisam secar ao sol durante oito dias.

2- TORRAR

Depois de secas, as amêndoas são levadas à fábrica e passam pela Máquina de torrefação.

Lá acontece um processo de aquecimento que elimina toda a umidade e contribui para o desenvolvimento da cor, aroma e sabor.

3- TRITURAR

Em seguida as sementes são resfriadas e encaminhadas para o triturador, que retira a casca das amêndoas.

4- MOER

Depois de secas, as amêndoas são levadas à fábrica e passam pela máquina de torrefação.

Lá acontece um processo de aquecimento que elimina toda a umidade e contribui para o desenvolvimento da cor, aroma e sabor.

5- PRENSAR

Em seguida, a massa passa pela máquina da prensagem, que separa o ingrediente em dois produtos: o primeiro é a manteiga de cacau que será reintroduzida na próxima etapa.

A segunda é a torta de cacau.

Parte dela é dissolvida e misturada ao açúcar para se fazer o chocolate em pó. A outra porção é resfriada e quebrada em tabletes, usados na fabricação do chocolate.

6- MISTURAR

Grandes misturadores homogenizam e transformam a mistura em uma pasta.

Na produção do chocolate preto, a torta e a manteiga de cacau recebem açúcar e leite, formando a massa de chocolate tradicional. Já o meio amargo leva todos os elementos, menos o leite. E o branco é feito apenas com manteiga de cacau, açúcar e leite.

7- REFINAR

Todos os chocolates passam pelos cilindros de refinação, onde os cristais de açúcar da mistura são triturados e quebrados em pequenas partículas. É isso que deixa a textura do doce melhor e sua consistência mais mole.

Nesse processo se determina a qualidade do chocolate.

8- CONCHAR

Aparelhos mantêm a massa em movimento, retirando a acidez e umidade do chocolate.

Depois ele segue para um outro instrumento com o objetivo de fazer o doce passar por diversas trocas de temperatura.

Nele, cristaliza-se a manteiga de cacau e deixa a pasta na consistência ideal para ser moldada.

9- PRODUTO FINAL – MOLDAGEM

A pasta de chocolate é colocada em fôrmas para que adquira o aspecto desejado.

Nas barras crocantes são adicionados recheios de castanhas, de amêndoas ou flocos de arroz antes de encherem as fôrmas.

Depois os chocolates são resfriados até ficarem sólidos e estarem prontos para a embalagem automática.

10- Porcentagens diferentes de açúcar

O chocolate contém em média meio a meio de chocolate e açúcar. E uma porcentagem menor de manteiga de cacau.

O chocolate branco possui um sabor particular, diferindo do escuro na composição: é feito com manteiga de cacau, leite em pó e essência de baunilha.

O cacau elaborado resulta em: manteiga de cacau, cacau ou chocolate em pó e chocolate em barra.

Cada tipo de chocolate apresenta porcentagens diferentes de açúcar:

Chocolate ao leite: 60%
Chocolate branco: 59,4%
Chocolate meio amargo: 51,4%

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