História dos Fortes e Faróis de Salvador

Fortes e faróis em Salvador da Bahia
Fortes e faróis em Salvador da Bahia

A construção de fortes e faróis foi pela necessidade de proteger a cidade de Salvador e que o primeiro objetivo colonizatório dos portugueses era assegurar a soberania sobre o território descoberto.

A escolha do local para a instalação da cidade de Salvador levou também em consideração aspectos religiosos.

“Quanto mais alto se construía uma cidade, mais próximo se estaria de Deus e de sua proteção”, dizia alguém da época.

Estrategicamente, a escolha da alta montanha mostrava ser conveniente ao modelo militar então dominante em Portugal, desde que o planalto se encontrava na parte interna da Baía de Todos os Santos e esta era um bom ancoradouro para abrigar os navios.

Mapa dos Fortes de Salvador da Bahia
Mapa dos Fortes de Salvador da Bahia

Com base nessa conjuntura espacial, foi montada uma estrutura de defesa nos locais tidos como os mais estratégicos.

Quem conhece Salvador, tem que admitir que a escolha foi acertada.

Onde se fazer mais fortes dos que aqueles que foram construídos? Talvez um na Ilha de Itaparica, com certeza! Fora de Salvador!

Com o crescimento da cidade para além dos muros originais, esse sistema mostrou-se débil e ineficaz, tanto é verdade que os holandeses e franceses bombardearam-na e a tomaram com grande facilidade.

Essa debilidade e ineficácia não se devem, entretanto, à localização dos fortes, a nosso ver perfeita.

O problema estava na extensão do acesso pelo mar, aberto e vasto, o que dificultava uma defesa adequada, desde que o poder de fogo das fortificações era baixo.

Vídeos sobre os Fortes e Farois de Salvador da Bahia

A Ponta do Humaitá em Salvador é um dos locais mais bonitos de Salvador.

As naus vindas pelo sul, por exemplo, passando rente à Ilha de Itaparica, ficavam totalmente imunes às baterias dos fortes de Salvador.

Vejamos uma síntese da entrevista dada a um órgão de imprensa pelo coronel Anésio Ferreira Leite, Presidente da Associação Brasileira de Amigos das Fortificações Militares e Sítios Históricos (ABRAF):

Salvador chegou a ter mais de 30 fortificações. Atualmente restam apenas 11. Estamos jogando fora as nossas referências e as nossas raízes.

O primeiro forte erguido foi o de Santo Antônio da Barra em 1534, também conhecido como Farol da Barra, atualmente.

Em 1696 quando recebeu o farol, passou a ser chamado de Vigia da Barra”.

Em 1650 foi erguido o Forte de São Marcelo, também conhecido como Forte do Mar.

Ainda na Barra, existem os fortes Santa Maria e São Diogo erguidos entre os anos de 1624 e 1638. Subindo para o Campo Grande estão os fortes São Pedro e São Paulo da Gamboa, ambos construídos pelos holandeses.

O Forte de São Paulo da Gamboa teve o maior canhão da cidade, com 13 toneladas.

Este equipamento foi deslocado para a frente do Quartel General da 6ª Região Militar, na Mouraria.

Na entrada do Terminal Marítimo de São Joaquim está o Forte Santo Alberto ou Forte da Lagartixa, assim chamado por ter canhões pequenos que podiam ser deslocados para todos os lados.

No bairro de Santo Antônio está localizado o Forte de Santo Antônio Além do Carmo. Porque “Além do Carmo?

Tudo que era construído depois do portão norte era conhecido como “Além do Carmo”. A maior fortificação de Salvador é o Forte de Nossa Senhora do Monte do Carmo ou, simplesmente, Forte do Barbalho”.

História dos Fortes de Salvador da Bahia

A cidade do Salvador nasceu sob o signo da defesa, eis que o primeiro objetivo colonizatório dos portugueses era assegurar a soberania sobre o território descoberto

Os Fortes eram os principais elementos do sistema de defesa da capital colonial do Brasil. As velhas trincheiras, baluartes e torres que ocupavam lugares estratégicos de defesa ganharam muralhas e baterias de canhões.

Alguns projetos nasceram da criatividade dos militares portugueses, outros foram desenhados por engenheiros militares das escolas italianas e francesas, contratados pelo governo colonial, e mostram o aproveitamento das condições naturais do terreno, não só para as necessidades de defesa, como também para o exercício da mais bela plasticidade.

Quando o primeiro Governador-Geral, Tomé de Souza, chegou à velha Vila do Porto da Barra, em 1549, o sítio para a sede da administração colonial portuguesa já estava escolhido.

Cumprindo ordens de Rei D. João III, Tomé de Souza construiu a cidade-forte no local mais alto e protegido, cercado por pântanos quase intransponíveis e com vista sobre toda a Baía de Todos os Santos.

Os portugueses deram início à implantação de um sistema de defesa que iria evoluir até o século XVIII.

A primeira defesa militar construída foi uma grande muralha de taipa e barro, suficiente contra as flechas dos índios.

Posteriormente, a muralha foi ampliada e reforçada com pedra e cal, ganhando baluartes no lado de frente para o mar (por onde se aproximavam os corsários) e torres encasteladas nas portas voltadas para o São Bento e o Carmo.

No século XVII, a velha muralha deu lugar a um eficiente sistema de defesa em profundidade, com trincheiras, muralhas e fortificações, construídas em lugares estratégicos e armadas de acordo com a evolução da arte da guerra.

Na início do século XVII, a ameaça de uma grande invasão estrangeira levou ao aumento do número de posições fortificadas em Salvador.

Na época, a linha de defesa, formada pelos Fortes de Santo Antônio da Barra, do Mar (hoje São Marcelo), de Santo Alberto, de Nossa Senhora do Mont Serrat e de Itapagipe, e pela bateria de fortificações da Ribeira das Naus, já era estruturada o suficiente para impressionar os invasores.

Em 1624, esse sistema de defesa organizou uma heróica resistência contra os holandeses, mas foi vencido pela grande superioridade do inimigo.

Com a reconquista de Salvador pelos portugueses e espanhóis, um ano depois, o sistema de defesa foi retomado e novos Fortes construídos, enquanto outros eram recuperados e ampliados.

Isso permitiu à cidade repelir, em 1638, o novo ataque da poderosa armada holandesa sob o comando do príncipe Maurício de Nassau (que já havia tomado Recife); essa vitória quebrou o mito da invencibilidade holandesa e fez nascer a mística da Indomável Salvador.

Cronologia da Construção dos Fortes de Salvador

Do Fim do Século XVI à Invasão Holandesa

  • A Torre de Santo Alberto
  • Forte de Santo Antônio da Barra
  • Forte de Monserrate
  • Forte da Lagartixa

As Fortificações Depois de 1625

  • As Defesas do Porto da Barra – Fortes de Santa Maria e de São Diogo
  • O Forte do Mar ou de Nossa Senhora do Pópulo e São Marcelo

As Fortalezas do Século XVIII

  • Forte de São Pedro
  • Bateria de São Paulo da Gamboa
  • Forte de Santo Antônio
  • Além-do-Carmo
  • Forte do Barbalho
  • Forte da Jiquitaia
  • Ilustres Desaparecidos

Conheça os Fortes e Faróis de Salvador da Bahia

1. Farol da Barra ou Forte de Santo Antônio da Barra

Farol da Barra - Salvador da Bahia
Farol da Barra – Salvador da Bahia

Praia da Barra, Avenida Oceânica

O Forte de Santo Antônio da Barra, popularmente chamado de Farol da Barra.

Localizado na ponta da divisa entre a orla atlântica e a enseada da Baía de Todos os Santos (antiga Ponta do Padrão), o Forte de Santo Antonio da Barra proporciona uma bela vista do oceano e é impossível ficar indiferente à sua imponência e elegância do seu traçado. Essa é a mais antiga edificação militar do Brasil (1534), o farol original foi instalado em 1698 a uma altura de 37 metros do nível do mar, e foi o primeiro farol das Américas.

Entre os séc. XVII e XVIII, o forte recebeu a forma irregular de estrela, com quatro faces reentrantes e seis salientes.

Era a nova linha de arquitetura militar portuguesa. O óleo de baleia alimentava lampiões que sinalizava aos navegantes a entrada da baía.

Farol da Barra ou Forte de Santo Antônio da Barra
Farol da Barra ou Forte de Santo Antônio da Barra

Reformas transformaram o farol em 1839, 1890 e 1937, quando foi eletrificado e retirada a instalação incandescente a querosene. Hoje o alcance luminoso é de 70 Km para a luz branca e 63 Km para a luz encarnada.

Devido à forte inclinação católica, que costumou o Brasil a conviver com a presença da Igreja, uma curiosidade super interessante do forte é a adoção como primeiro padroeiro de Salvador e a patente militar, no grau de soldado, concedida à imagem do Santo Antônio.

O Santo, quer dizer, a sua imagem, ganhou promoções e vencimentos correspondentes durante séculos, e só teve seu soldo cassado em 1912, quando já detinha o posto de tenente-coronel.

Um dos marcos do litoral soteropolitano e principal cartão-postal da Praia da Barra. Construído entre 1583 e 1587, faz parte do Forte Santo Antonio da Barra e abriga o Museu Náutico.

Em 1501, durante a primeira expedição exploradora à América Lusitana, os portugueses aportaram na Barra, negociaram com os índios e instalaram seu padrão de posse no local. Era dia de Todos os Santos e batizaram, com esse nome, a grande baía.

Esse local, que marca a entrada da Baía de Todos os Santos, ficou conhecido como a Ponta do Padrão e, depois, Ponta de Santo Antônio.

História do Forte de Santo Antônio da Barra em Salvador

Nele, foi construído o Forte de Santo Antônio da Barra (século 16) e, em seu interior, um farol (século 17).

O Forte de Santo Antônio da Barra, foi o primeiro do Brasil, teve sua primeira edificação por volta de 1536, realizada pelo donatário da Capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho. Entre 1583 e 1587, foi reformado e ampliado.

Entre 1596 e 1602, o forte foi reconstruído, em pedra e cal, como uma torre octogonal. Esse projeto é atribuído ao engenheiro-mor de Portugal, o cremonense Leonardo Torriani.

Farol da Barra Visto do Mar (1928)
Farol da Barra Visto do Mar (1928)

Além do farol, são atrações do forte o Museu Náutico da Bahia e um Café. A subida à torre do farol possui tranquilos 94 degraus e é bem legal; o topo permite vistas panorâmicas da Barra e do mar e é possível ver de perto o maquinário centenário do sistema de iluminação do farol.

Naufrágio do galeão Santíssimo Sacramento que fez o FAROL DA BARRA ser construído

O galeão Santíssimo Sacramento, havia saído do Tejo como capitânia da escolta de uma frota de 50 embarcações mercantes da Companhia Geral do Comércio do Brasil e que trazia João Corrêa da Silva, para ser empossado no governo da Bahia, conduzindo também estanho e cobre para o estaleiro do Salvador, foi naufragar, durante uma tempestade, no dia 5 de maio de 1668.

Naufrágio do galeão Santíssimo Sacramento em 1668

Tendo o galeão chegado próximo a Salvador, e na presença de fortes ventos vindos do Sul, o mesmo não pode entrar na Bahia pela rota normal e acabou se chocando com o banco de Santo Antônio, permanecendo ainda por alguma horas à deriva e por fim naufragando durante a noite (aproximadamente às 23:00 horas).

O governador em exercício, Alexandre de Sousa Freire, enviou assim que informado do acidente quantas embarcações rápidas e pessoas hábeis de navegação que se encontravam na Ribeira, mas por ser, para a época, grande a distância a ser percorrida, somente chegaram ao local com romper do dia.

“Acharam feita em pedaços a nau, e grande número de corpos, uns ainda vivos, vagando pelos mares, outros jazendo já mortos nas areias…, e só salvaram as vidas algumas pessoas, às quais pôs em salvo a sua fortuna e a diligência dos pescadores daquelas praias…, e algumas poucas que sobre as tábuas piedosamente despedaçadas no seu remédio se puseram em terra.” (ROCHA PITA, Sebastião, História da América Portuguesa – Lisboa, 1730).

Existem divergências quanto ao número de pessoas que estavam embarcadas no Sacramento, alguns citam 800, outros 400. Sabe-se que salvaram-se apenas cerca de 70 pessoas.

Após 3 séculos submerso é que seu casco foi localizado, na posição 13º 02’ 18″ S e 30º 30’ 14″ W, por pescadores que buscavam o motivo pelo qual suas redes ficavam presas no fundo. O que restava do Sacramento repousava à 15 metros de profundidade, próximo a um declive acentuado.

O casco posteriormente deslizou por este declive vindo a ficar numa profundidade que varia dos 25 a 30 metros.

Veja também a História da Fundação de Salvador da BahiaCentro Histórico de Salvador

 e História do Forte de Santo Antônio da Barra em Salvador

2. Farol de Itapuã

Farol de Itapuã - Salvador da Bahia
Farol de Itapuã – Salvador da Bahia

Listrado em vermelho e preto, o farol que inspira versos e canções. Antiga referencia para barcos que passavam pela costa, hoje e um marco poético e bucólico para todos que apenas desejam passar uma tarde em Itapuã.

Construído em 1873, pelo engenheiro Zózimo Barroso, com recursos próprios, para sinalizar bancos de areia existentes na área e orientar a navegação marítima em Salvador, este farol fica a 23 km de distância do Farol da Barra.

Sua torre, em ferro fundido, tem 21 m de altura, está assentada sobre uma base de concreto e ligada à praia por uma ponte, também de concreto.

Originalmente pintado de roxo-terra, desde 1950 mantém as faixas horizontais pintadas nas cores vermelha e branca.

Forte Nossa Senhora de Mont Serrat ou Monserrate

Forte Nossa Senhora de Mont Serrat Forte - Salvador da Bahia
Forte Nossa Senhora de Mont Serrat Forte – Salvador da Bahia

Ponta de Humaitá

Construído numa enseada no então limite norte de Salvador, entre 1583 e 1587, o Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat sucedeu ao primitivo Fortim de São Filipe, com forma de um hexágono irregular com torreões circulares nos ângulos, recobertos por cúpulas. Uma ponte levadiça entre a rampa e o terraço configurava o primitivo fortim, e no térreo, dois quartéis rodeava a entrada.

Em maio de 1624, o forte se envolveu nos confrontos inerentes à invasão na Bahia e impediu o desembarque dos holandeses mas acabou sendo tomado pelos inimigos em nova investida contra a cidade.

O Governador-Geral, Diogo de Mendonça Furtado foi aprisionado e conquistada a capital do Estado do Brasil e estabelecido um novo governo pelo fidalgo holandês Johan Van Dorth. Na frente do forte, há uma placa que recorda aos visitantes: “Aos 17 de julho / de 1624 foi / morto neste / sítio o gene / ral hollandez / João van Dorth).

Forte Nossa Senhora de Mont Serrat em Salvador BA
Forte Nossa Senhora de Mont Serrat em Salvador BA

O Forte de Monte Serrat tem expressiva importância histórica, com participação indireta na Sabinada e na Questão Christie no séc XIX.

Há até registro que, em 1859, o forte foi visitado pelo Imperador Pedro II do Brasil, que registrou em seu diário de viagem: “28 de Outubro (…) fui ao forte de Monserrate que jaz abandonado, tendo se picado a inscrição que existia sobre o portão. Tem bela vista e o [engenheiro André] Przewodowski, que mora perto, disse que ninguém morreu ainda aí de febre amarela ou de cólera.” 

Forte Nossa Senhora de Mont Serrat em Salvador BA
Forte Nossa Senhora de Mont Serrat em Salvador BA

Esse forte é mais um tesouro especialíssimo de Salvador. Um exemplar de arquitetura militar abaluartado (= “traçado italiano”, “fortificação em estrela” ou “fortificação à moderna”), sendo considerado a mais antiga fortificação brasileira com configuração original e uma das melhores obras militares do Brasil Colônia.

Com instalações simples, no forte há vários quadros sobre o Sistema Defensivo de Salvador, a invasão holandesa na Bahia, bandeiras históricas do Brasil, etc. Um verdadeiro alento histórico.

Começou a ser construído em 1583 e, até a sua conclusão, em 1742, foi cenário de lutas e resistências holandesas. Hoje, abriga o Museu da Armada, com diversos objetos e armamentos militares.

A vista para a Baia de Todos os Santos e a llha de Itaparica é um capitulo extra. Abre de terça a domingo, das 9h as 12h e das 13h30 as 17h.

O Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat pertencia ao Exército e, hoje, é visto por muitos como a mais bela construção militar do período colonial brasileiro.

Começou a ser construído em 1583, numa posição estratégica no alto da ponta mais avançada da península e com vistas sobre o porto da cidade.

História do Forte de Nossa Senhora de Monte Serrat

Concluído em 1742, permanece como uma casa de comando flanqueada às muralhas de bastiões redondos, contando com nove canhões.

Sua história viu a resistência aos holandeses e a morte do comandante, em 1624, por militares brasileiros durante visita do governador Van Dorth ao forte.

Desde 1993, abriga o Museu da Armaria, com armamentos civis e militares, leves e médios, alguns utilizados pelo Exército no passado.

De lá, a vista da entrada da Baía de Todos os Santos é privilegiada, vendo-se de um lado Salvador e do outro, a Ilha de Itaparica.

História do Forte de Nossa Senhora de Monserrate

3. Forte Santa Maria

Forte Santa Maria - Salvador da Bahia
Forte Santa Maria – Salvador da Bahia

Praia do Porto da Barra

O forte de arquitetura italiana foi construído antes da invasão holandesa, sendo uma das mais antigas construções arquitetônicas da cidade

Os canhões ainda estão lá, mirando possíveis invasores vindos do mar. Na construção há uma antiga sala de pólvora.

O Forte de Santa Maria, no Porto da Barra, foi construído a partir de 1614, com projeto do engenheiro-mor e dirigente das obras de fortificação do Brasil, Francisco de Frias da Mesquita (1578 – 1645).

Foi reconstruído, em alvenaria de pedra e cal, em 1696, com projeto atribuído ao engenheiro José Pais Esteve. Dessa época é a estrutura básica atual desse Forte.

Sua fachada ainda exibe o emblema do Império do Brasil. Foi tombado pelo Iphan, em 1938, e é administrado pela Marinha. Desde maio de 2016, abriga o Espaço Pierre Verger da Fotografia Baiana.

Forte de Santa Maria em Salvador BA
Forte de Santa Maria em Salvador BA

Hoje o Forte de Santa Maria além de abrigar o Espaço Pierre Verger da Fotografia Baiana, o forte possui um vão aberto, em que é possível apreciar outros ângulos da Baía de Todos os Santos. Pequeno, delicado, gracioso, esse é um dos muitos tesouros inestimáveis de Salvador.

Vídeo sobre o Forte de Santa Maria que expulsou os holandeses do Brasil

4. Forte de São Diogo

Forte São Diogo - Salvador da Bahia
Forte São Diogo – Salvador da Bahia

Forte de São Diogo – Salvador da Bahia – Base do Morro de Santo Antonio

A tomada de Salvador, então capital do Brasil, pelos holandeses, em 1624, demonstrou a fragilidade da defesa da cidade. Portugal e, consequentemente, o Brasil, estava sob o domínio da Espanha (a chamada União Ibérica). Felipe IV, rei daquele país, inimigo pessoal dos holandeses, mobilizou então uma enorme flotilha de guerra que conseguiu retomar a cidade, um ano depois.

Não se dando por vencidos, os holandeses realizaram sucessivos ataques no sentido de retomarem a “cabeça” do Brasil.

Procurando evitar isso, a Espanha executou um sistema de defesa, dotando a cidade de fortificações, distribuídas ao longo da Baía de Todos os Santos, Barra e Itapagipe.

Em curto espaço de tempo, dezenas de fortes formaram um verdadeiro cordão de fogo, tornando Salvador a cidade mais protegida das Américas. Depois destes fortes, a cidade nunca mais foi invadida.

Forte de São Diogo surgiu justo nesse contexto. Foi edificado entre os anos de 1626 e 1635, após a expulsão dos invasores holandeses (1624-1625).

Forte de São Diogo em Salvador BA
Forte de São Diogo em Salvador BA

Sua posição no terreno e bateria de canhões inibiu nova incursão estrangeira pelo Porto da Barra, em 1638, por constituir um sistema de defesa em conjunto com o Forte de Santa Maria. Seu atual traçado curvilíneo ganhou contornos no início do séc. XVIII.

Hoje um importante centro cultural de Salvador, foi construído no inicio do século 17 para defender a entrada sul da cidade.

Reformado após a invasão holandesa, em 1624, o forte teve suas obras concluídas em 1722.

Forte de São Diogo em Salvador BA
Forte de São Diogo em Salvador BA

O primitivo Forte de São Diogo foi construído entre 1609 e 1613, na encosta do Morro de Santo Antônio.

História do Forte de São Diogo em Salvador BA

Ergue-se sobre a antiga estrutura do castelo de Pereira Coutinho, donatário da Capitania.

O projeto dessa época é do engenheiro-mor Francisco de Frias da Mesquita (1578-1645).

A partir de 1626 foi reconstruído. Sofreu alterações a partir de 1704 até 1722 e, dessa época, é a estrutura básica atual. Outras reformas ocorreram no final do século 19.

Desde maio de 2016, abriga o Espaço Carybé de Artes.

5. Forte de São Marcelo

Forte de São Marcelo - Salvador da bahia
Forte de São Marcelo – Salvador da bahia

Inspirado no Castelo de Santo Ângelo (Itália) e na Torre do Bugio (Portugal), o Forte de São Marcelo, também conhecido como “Forte do Mar” (já foi designado também de Forte de Nossa Senhora do Pópulo), situa-se sobre uma coroa de areia a 300 metros da costa da Baía de Todos os Santos, em frente ao coração do Centro Histórico de Salvador.

Com forma circular e estilo renascentista, sua edificação toda em madeira ocorreu em 1623 e conta com 2.500 m² de área construída e, por razões de segurança, apenas trezentas pessoas podem circular nele ao mesmo tempo.

O Forte de São Marcelo já foi palco de diversos confrontos ao longo da história.

Em 1912, por uma ação truculenta do, então, Presidente Hermes da Fonseca, o Forte voltou seus canhões para a própria cidade que deveria proteger e a bombardeou impiedosamente por cerca de quatro horas, no trágico episódio conhecido como Bombardeio de Salvador; que nos custou o Palácio dos Governadores, o Theatro São João, a antiga Sé Primacial e a Biblioteca Pública.

Forte de São Marcelo
Forte de São Marcelo

Por ser “mais novo”, o forte apresenta o brasão imperial mutilado pela República sobre o Portão de Armas e devido à sua localização, beleza e originalidade foi denominado por Jorge Amado como o “Umbigo da Bahia”.

Erguido originalmente em madeira sobre um recife, apenas com a invasão holandesa passou por reformas, transformando-se em sólida fortaleza de proteção do centro da cidade. Abre de terça a domingo, entre 9h e 18h.

Localizado no meio da Baía de Todos-os-Santos e antes denominado Forte de Nossa Senhora do Pópulo e conhecido como Forte do Mar, o Forte de São Marcelo nasceu como um baluarte de forma triangular, construído em madeira, no início do século XVII, sobre um arrecife, na entrada do porto de Salvador.

Mapa da entrada de São Salvador da Bahia de Todos os Santos
Trata-se de um mapa holandês publicado na cidade de Amsterdã, em 1624. Titulado: “Mostra a invasão de Salvador da Bahia pela Baía de Todos os Santos”.

Depois da invasão holandesa de 1624 foi reconstruído em alvenaria de pedra e ganhou sua forma circular, assim como a missão de proteger o centro da cidade colonial dos ataques marítimos estrangeiros.

O Forte tornou-se uma imponente construção militar e foi responsável pela guarda do porto, além de ter integrado a rede de fortificações que defendeu a maior cidade das Américas das invasões holandesas, corsários e piratas.

No final do século XVIII, serviu para prisão de estudantes relapsos e indisciplinados e importantes personagens históricos, como o líder da Revolta dos Alfaiates, Cipriano Barata, e o general farroupilha Bento Gonçalves.

O Forte de São Marcelo fica em frente ao cais e ao Mercado Modelo.

O mapa representa a entrada da Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos (atual cidade de Salvador, capital do Estado da Bahia, Brasil), possui legendas das principais construções e fortificações de São Salvador.

Destaque para o Forte de Santo Antônio da Barra (no canto direito da iconografia), a única construção que tem a denominação direta no mapa.

Veja História do Forte de São Marcelo ou Forte do Mar em Salvador

História das Fortalezas e Defensas de Salvador da Bahia

6. Forte de Santo Alberto, Torre de São Tiago ou Fortim da Lagartixa

Forte de Santo Alberto remonta à antiga Torre de São Tiago e sua atual edificação data de 1694.

Com a vitória brasileira na Guerra da Independência (1822-23), é o Forte de Santo Alberto quem, em 02/jul/1823, dá o tiro autorizando o embarque das forças para Portugal.

Forte de Santo Alberto, Torre de São Tiago ou Fortim da Lagartixa
Forte de Santo Alberto, Torre de São Tiago ou Fortim da Lagartixa

Afastado do mar pela ampliação do porto de Salvador, após a 2ª Guerra Mundial, abrigou o Serviço Veterinário do Exército.

Contemporâneo ao Forte de Santo Antônio Além do Carmo, protegia o ancoradouro e a aguada das embarcações em Água de Meninos.

Localizado em frente à entrada do Ferry-Boat, o Forte de Santo Alberto é quase um ilustre desconhecido de Salvador. Fechado e tomado por carros, vive quase um ostracismo.

Bahia.ws é o maior guia de turismo e viagem da Bahia e Salvador. 

História dos fortes e faróis de Salvador da Bahia

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