Pontos Turísticos, Arquitetura e História de Icó no Ceará

Icó no Ceará
Icó no Ceará

Icó é um município brasileiro do estado do Ceará e é um registro vivo arquitetônico do passado.

A cidade de Icó foi a terceira vila instalada no Ceará e possui um sítio arquitetônico datado do século XVIII. 

A cidade é um registro vivo arquitetônico do passado.

Entre os séculos XVIII e XIX, Icó, foi o mais importante entreposto de comercialização de gado no Ceará.

Situada na região do Cariri, sua colonização por parte dos Portugueses encontrou ferrenha resistência por parte dos Índios Cariris, senhores da região.

Elevada a categoria de vila em 1738, significativa área da cidade no seu centro urbano é tombada pelo Patrimônio Histórico Federal.

Destaques para o Teatro da Ribeira e a Casa de Câmara e Cadeia, ambos construído em 1860 e para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte, recentemente restaurada e tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional.

Magníficos sobrados com azulejos portugueses pontificam por toda a cidade.

Um sitio que é formado pelo perímetro urbano planejado pela Metrópole, na primeira metade do século XVII.

Teatro da Ribeira do Icó
Teatro da Ribeira do Icó

Um projeto urbanístico com ruas bem traçadas e retas (delimitando quadras relativamente uniformes), praças bastante amplas, prédios públicos.

O sítio nuclear situa-se entre as atuais ruas: 7 de Setembro, Ilídio Sampaio e Benjamin Constant, fechando-se ao lado leste com a praça principal.

Pontos Turísticos de Icó

Teatro da Ribeira do Icós

Datado de 1860, obra do arquiteto Henrique Théberge, filho do médico e historiador que financiou esta obra neoclássica, Pedro Théberge.

É o mais antigo teatro do estado do Ceará.

Casa de Câmara e Cadeia de Icó no Ceará
Casa de Câmara e Cadeia

É formado de dois pavimentos, no térreo encontram-se três galerias; no primeiro andar encontram-se camarotes superiores.

Casa de Câmara e Cadeia

Datada da segunda metade do século XVIII, foi uma das mais seguras cadeias de sua época. Seus portões são verdadeiras fortalezas.

As celas possuem um dos mais perfeitos esquemas de segurança, com paredes que possuem uma espessura é de um metro e meio, as chaves das celas são únicas e pesam aproximadamente meio quilo cada uma.

Igreja de Nossa Senhora da Expectação em Icó
Igreja de Nossa Senhora da Expectação

No seu interior encontra-se a capela penitenciária com a imagem de São Domingos (protetor dos presidiários).

O prédio compõe-se de dois pavimentos. No andar superior funcionou a Câmara e no térreo funcionou a Cadeia Pública. Atualmente está inativa e passará pelas últimas reformas de restauração.

Igreja de Nossa Senhora da Expectação

Igreja em estilo barroco, situada no Largo do Théberge, é a Igreja Matriz da cidade. Ao lado da igreja do Monte, antes da saída para Orós, encontra-se o cemitério centenário.

História de Icó no Ceará

A palavra Icó é de origem indígena e significa “Água ou Rio da Roça”. Nome de uma tribo Tapuia da Nação Cariri-Icós, radicada nas margens do Rio Salgado (CE) e do Rio do Peixe (PB).

É também nome de uma árvore da família Caparidáceas, conhecida como icozeiro. Antes de ser assim chamada, essa terra teve muitos outros nomes: Ribeira dos Icós, Arraial Velho, Arraial Novo, Arraial de Nossa Senhora do Ó, Sítio de Nossa Senhora do Ó dos Icós, Povoação do Salgado, Icó dos Fonsecas, Icó dos Montes e, finalmente, o ICÓ.

Carta da Capitania do Ceará, António José da Silva Paulet, 1818
Carta da Capitania do Ceará, António José da Silva Paulet, 1818

Apesar da resistência da população e dos motivos que, em épocas passadas, tenham gerado tal denominação, não se pode negar que Icó é também conhecida como “terra do louro”.

No início do século XVIII, as tribos indígenas que habitavam a região se opuseram tenazmente aos colonizadores.

Entre as serras do Pereiro e os vastos sertões do Cedro, o capitão-mor Gabriel da Silva Lago mandou erguer uma paliçada de defesa e proteção dos moradores da ribeira do rio Salgado contra as investidas dos índios.

Neste local, surgiu um arraial, a atual Icó. Após lutas sangrentas entre sesmeiros, colonizadores e indígenas, o padre João de Matos Serra, prefeito das Missões, obteve a pacificação.

Com o fim das lutas, o Arraial da Ribeira dos Icós floresceu e se desenvolveu nos arredores da Capela de Nossa Senhora da Expectação.

O povoamento e o desenvolvimento da região coube às famílias Monte e Feitosa, que desfrutavam de grande prestígio e dominavam vastas áreas do território. Em 1736, o arraial foi elevado à categoria de vila com a denominação de Arraial da Ribeira dos Icós.

O arraial se transformou na Vila do Icó, localizada na área mais dinâmica da Capitania do Ceará, em ponto estratégico do cruzamento de duas importantes vias de comunicação colonial: a Estrada Geral do Jaguaripe ligava o Ceará a Pernambuco (Porto de Aracaty-Icó-Cariri) e a Estrada das Boiadas ou dos Inhamus (ligação do Ceará com o Piauí e a Paraíba).

Também convergia para Icó, a Estrada Nova das Boiadas que partia de Sobral e atravessava o sertão central do Ceará.

Em meados do século XVIII, a Capela de Nossa Senhora do Ó (padroeira do povoado) foi erguida por Francisco Monte, período em que a vila alcançou um grande desenvolvimento econômico propiciado pela criação de gado, em todo o Nordeste.

A vila funcionava como um ativo centro de comercialização do gado em pé pela sua posição de polo coletor e distribuidor no sertão. Fruto desta prosperidade é o conjunto de sobrados construídos no núcleo histórico.  

No século XIX, como um dos centros comerciais e culturais mais importantes do Ceará, a vila foi elevada à condição de cidade, em 1842.

1709 – A capela dá início à cidade

A cidade teve início a partir da construção da capela de Nossa Senhora da Expectação, cujo patrimônio foi doado por Francisco Montes Silva em 1709, quando em torno da capela, cresceu o povoado.

Embora os historiadores apresentem controvérsia em relação ao motivo da edificação da capela, BARROSO (1962:144) afirma que meia légua de terra foi doada por Francisco Montes para sepultar uma filha, sendo construída no local a capelinha de Nossa Senhora da Expectação.

1735 – Criação da Vila

Em 17 de outubro de 1735, foi criada a Vila, conforme Carta Régia de D. João VI, indicando, inclusive, o traçado das ruas, tornando Icó, no coroação do Ceará, uma cidade típica, cujos templos, de fachadas barrocas ornamentais, não tinham semelhantes e, nas suas ruas largas, erguiam-se faustosas residências, alinhando-se uns juntos dos outros os sobrados de azulejos, como queriam as ordens vindas de Portugal.

1824 – O Icó e a Confederação do Equador

Denominado Confederação do Equador, o expressivo, porém efêmero movimento revolucionário de 1824, era liderado no Ceará por Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e teve em Icó uma destacada participação. Insatisfeitas com os desmandos do imperador, as províncias de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará se uniram em confederação, mas foram duramente reprimidas e violentadas.

O conhecido movimento de caráter separatista e republicano, que teve início em Pernambuco, encontrou grande adesão dos cearenses e fez do Icó um aliado contra o autoritarismo imperial de D. Pedro I. O principal líder da Confederação – Joaquim do Amor Divino Rabelo, conhecido como Frei Caneca, foi fuzilado em Recife.

Em Icó, os participantes do movimento foram severamente castigados e o sangue lavou as ruas da cidade. Foi instituído um governo municipal provisório, representantes do Governo Imperial que nomeou a chamada Comissão Matuta para punir os participantes do movimento.

Assim, Icó assistiu, entristecido, ao fuzilamento, em praça pública, daqueles que lutavam contra o arbítrio do poder central e por melhores condições econômicas para as camadas mais pobres da população.

1883 – 2013 – Icó, 171 anos de Emancipação Política

A cidade de Icó completou no último dia 25 de outubro de 2015, 173 anos de emancipação política. Mas desde 1682 já há registros daqueles que travaram luta com os verdadeiros donos da terra, o povo indígena da família dos Icós, da grande Nação Tupi, pertencente à Confederação dos Cariris. Icó não sabes quantos anos tem.

A história oficial é sempre frágil, já que é contada pela classe que domina e quer se reproduzir sempre heróica. Depois de tribo, por volta de 1735, Icó passa a ser vila para depois virar cidade. Portanto, para todos os efeitos, a cidade tem hoje 173 anos de luta, glórias e resistências.

A contagem dos anos de um município é contado a partir de sua emancipação. Contudo isso, Icó é uma das cidades mais antigas do Ceará. Sem contar no fato, de que és também, uma das mais belas do Ceará e do Brasil.

Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Icó

No Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Icó-CE estão os bens de maior relevância e o traçado urbanístico imposto pelas Coroa Portuguesa, no séc. XVIII.

O conjunto arquitetônico e urbanístico de Icó – tombado pelo Iphan, em 1998 – é considerado o melhor da arquitetura tradicional feita no Ceará, inclusive no plano popular.

Igreja Nossa Senhora da Conceição em Icó no Ceará
Igreja Nossa Senhora da Conceição em Icó no Ceará

Este patrimônio concentra-se em suas principais ruas, onde estão os bens de maior relevância e o traçado urbanístico imposto pelas normas da Coroa Portuguesa, no século XVIII.

Como toda a arquitetura tradicional produzida na antiga Província do Ceará, a de Icó também prima pela simplicidade e despojamento. A cidade conserva – com bastante integridade – um precioso acervo arquitetônico e a área delimitada para a proteção possui, aproximadamente, 320 imóveis.

A cidade foi a primeira a receber este tipo de tombamento – conjuntos urbanos protegidos pelo Iphan – e uma de suas maiores expressões é o centro histórico, que remonta ao período colonial.

Matriz Nossa Senhora da Expectação em Icó no Ceará
Matriz Nossa Senhora da Expectação em Icó no Ceará

Formada basicamente por portugueses e franceses, herdou uma rica arquitetura no estilo barroco com características próprias da Região Nordeste e com linhas do neoclássico francês.

Durante a exploração do ouro e a produção do charque, nos séculos XVIII e XIX, Icó progrediu como importante entreposto comercial do interior da Província do Ceará.

Desse período também permaneceram inúmeras construções, verdadeiros documentos da ocupação do sertão nordestino pela pecuária.
Mesmo nas igrejas mais antigas, não existem trabalhos complexos e sofisticados de talha ou cantaria.

Icó - Antiga Casa de Câmara e Cadeia
Icó – Antiga Casa de Câmara e Cadeia

O único edifício de traço mais erudito existente na cidade é o Teatro da Ribeira dos Icós, construção de linhas neoclássicas.

Alguns sobrados na cidade, localizados no trecho mais antigo da Rua Ilídio Sampaio, ostentam fachadas com elementos decorativos mais elaborados como gradis, cercaduras e revestimentos em azulejos portugueses.

Também merece destaque o trabalho plástico nas edificações construídas ou remodeladas entre o final do século XIX e o início do XX.

Icó - Antiga Casa de Câmara e Cadeia
Icó – Antiga Casa de Câmara e Cadeia

Note-se a capacidade dessa arquitetura de adaptar o repertório básico da arquitetura brasileira do período colonial ao meio agreste e à escassez do sertão.

Centralizando o caminho das boiadas, Icó tornou-se o mais importante entreposto comercial do interior da Província do Ceará.

Datam dessa época a construção de igrejas, da cadeia, do mercado e de sobrados com belos azulejos portugueses.

Seu desenvolvimento entrou em declínio com a queda da exportação dos produtos derivados da criação de gado, em consequência das sucessivas secas e da entrada no mercado nacional do gado criado nas pastagens do Sul e Sudeste do Brasil.

Icó - Teatro da Ribeira dos Icós
Icó – Teatro da Ribeira dos Icós

O enfraquecimento político e econômico contribuiu para a preservação de grande parte do patrimônio arquitetônico e urbanístico da cidade. A nova área de expansão urbana surgiu a leste do rio Salgado, poupando o núcleo histórico de maiores alterações.

Uma das suas características é o traço determinante do urbanismo colonial da região: a implantação da cidade, apesar de dependente, de “costas” para o rio Salgado, afluente do rio Jaguaribe. Seu valioso acervo arquitetônico encontra-se conservado, em sua maior parte, apesar da descaracterização na paisagem, testemunho da ocupação do sertão nordestino.

Guia de Turismo e Viagem de Icó no Ceará e Nordeste

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