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Literatura Nordestina

Jorge Amado

A literatura brasileira já nasceu madura, expressando-se na linguagem do século XVII – o barroco -, isso se deve a um escritor nordestino, Gregório de Mattos.

Desde Gregório de Mattos, as letras nordestinas exibem uma extraordinário vigor.

A região nordeste também consagrou um fenômeno cultural, o cordel, e, com os romances de Jorge Amado, tornou uma face da identidade brasileira reconhecida mundo afora.

Se, como acreditava Haroldo de Campos, a literatura brasileira não teve infância, quer dizer,já “nasceu” madura, expressando-se na linguagem mais elaborada do século XVII – o barroco -, isso se deve a um escritor nordestino, o poeta baiano Gregório de Mattos (1636-96).

Bacharel pela Universidade de Coimbra, dono de sólida cultura, Gregório conquistou notoriedade graças a uma poesia satírica implacável, voltada contra os poderosos, o que lhe valeu a alcunha de “Boca do Inferno”.

Sua obra, entretanto, não se resumiu a desqualificar religiosos e políticos – o que lhe imprime surpreendente atualidade. Gregório produziu também. versos líricos e sacros.

A contribuição do “Boca do Inferno” seria apenas a primeira de uma série que o Nordeste daria à história literária nacional – mesmo quando se considera, como aqui, somente uma seleção de poetas e ficcionistas.

Uma contribuição que está longe de se restringir aos autores que surgiram. a partir do regionalismo modernista – como o baiano Jorge Amado (1912-2000), o alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) e a cearense R achel de Queiroz (1910-2003) , para ficarmos no trio mais célebre.

O romantismo marcou uma presença notável dos escritores nordestinos.

O maranhense Gonçalves Dias (1823-64)- inaugurando uma tradição de força do estado nas letras nacionais – e o baiano Castro Alves (1847-71) se tornaram praticamente sinónimos de poesia no país.

Outro maranhense, Joaquim de Sousa Andrade (1833-1902), o Sousândrade, como preferia ser chamado – diz-se, para ter no nome o mesmo número de letras de Shakespeare -, é um caso raríssimo.

Com o poema O Guesa (1867-88), ele pôs a literatura brasileira na vanguarda do continente. Na obra, Sousândrade retoma uma lenda quíchua, que trata do sacrificio de um jovem ao deus Sol.

Imagina, então, o personagem escapando dos sacerdotes e indo refugiar-se em Wall Street.

Do Maranhão também era o jornalista e político Manuel Odorico Mendes (1799-1864) , que se impôs e venceu – o desafio de traduzir Homero e Virgílio.

Como um contraponto a essa erudição, vale lembrar que foi ainda na primeira metade do Oitocentos que a poesia popular nordestina começou a tomar corpo, até se consagrar no formidável fenômeno cultural que é a literatura de cordel.

Nascido com as primeiras tipografias particulares instaladas no Brasil e consolidado a partir da década de 1930, o cordel firmaria poetas como os cearenses Aderaldo Ferreira de Araujo, o Cego Aderaldo (1878-1967), e Antonio Gonçalves Silva, o Patativa do Assaré (1909-2002).

Na ficção romântica praticada no Nordeste, o nome do cearense José de Alencar (1829-77) se impõe.

Como poucos autores, Alencar tinha um “projeto literário” sistematizado, que incluía a elaboração de uma “língua brasileira” e o levou a escrever romances de temática variada: indianistas, regionais, urbanos, históricos etc.

Alguns são de referência obrigatória – entre eles, O Guarani (1857), Lucíola (1862) e Iracema (1865).

Seu conterrâneo Joaquim Franklin da Silveira Távora (1842-88) acreditava que era na região de ambos que se poderia forjar uma “autêntica” literatura brasileira, algo que o Sul estaria impedido de fazer em razão da grande presença de estrangeiros.

Em O cabeleira (1876) pretendeu fazer um romance mais comprometido corn os cenários que descrevia.

A preocupação com a fidelidade ao real, tratado de forma objetiva, seria, con1o se sabe, o n1ote do realismo, vertente que enterrou o romantismo e consagrou o gênio do carioca Machado de Assis. Em sua face naturalista, a nova estética acentuava o determinismo das “leis naturais”.

Com O Mulato (1881) e principalmente O cortiço (1890), o maranhense Aluísio de Azevedo iria se destacar como o maior romancista do naturalismo brasileiro, que consagrou ainda entre os nordestinos o cearense Adolfo Caminha (1867-97), autor de A normalista (1993) e O bom crioulo (1895).

Também cearenses eram os naturalistas de inspiração regional Domingos Olímpia (1850-1906), que escreveu Luzia-homem (1903), e Manuel de Oliveira Paiva (1861-92), de quem postumamente foi publicado Dona Guidinha do Poço (1952).

Na poesia que marca aquele período, a parnasiana, o maranhense Raimundo Correia (1859-1911) conseguiria um lugar de proa.

Antes do modernismo chamaria a atenção o poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), enquanto o maranhense Graça Aranha (1868-1931), outro autor de peso daquela fase, acabaria passando para a história principalntente devido à sua participação na Semana de 22.

Não demoraria para ter inicio um período particularn<ente bem sucedido da literatura brasileira, no qual a ficção regionalista, sobretudo a nordestina, alcançaria um patamar de excelência.

O ponto de partida para isso foi A bagaceira (1928), do paraibano José Américo de Almeida (1887-1980) , seguido por O quinze (1930), de Rachel de Queiroz, Menino de engenho (1932), do também paraibano José Lins do Rego (1901-57) e Caetés (1933), de Graciliano Ramos.

Em 1933 foi lançado também o primeiro “romance da Bahia” de Jorge Amado: Cacau.

Ao longo de sua carreira, Amado publicaria mais de trinta livros, traduzidos para cerca de cinqüenta idiomas.

Vista muitas vezes com reservas, a importância da obra de Jorge Amado ultrapassou o âmbito literário para situar-se num plano sociocultural.

É inegável que certo recorte da identidade brasileira passou a ser reconhecido mundo afora graças aos romances do ficcionista baiano.

Apesar disso, Jorge Amado preferia cultuar os seus pares. Quando leu Caetés – no original, que lhe foi emprestado por José Américo de Almeida-, tomou um navio até Alagoas só para conhecer Graciliano Ramos, em quem nunca deixou de enxergar um modelo de escritor.

Romances como São Bernardo (1934) e Vidas secas (1938) ultrapassam o código regionalista. Do primeiro, o também ficcionista Adonias Filho (1915-90), natural da Bahia, ressaltava a primazia do literário sobre o documental.

E de Vidas sems pode-se afirmar que se trata de um dos livros mais bem realizados da literatura brasileira, por apresentar uma sintonia petfeita entre o enredo e a forma de narrá-lo.

A superação do regionalismo traria à tona escritores de ambições mais universais, comumente voltados para un<a prosa intinusta e experimental.

Nas duas vertentes trabalhou, por exemplo, o pernambucano Osman Lins (1924-78), autor de O Visitante (1955) e que em 1973 lançaria Avalovara, romance de estrutura complexa e original.

Dois anos antes, o paraibano Ariano Suassuna (1927) estreara na prosa narrativa publicando o Romance d’A pedra do reino (1971). Em 1971 saíram ainda Cais da sagração, do maranhense Josué Montello (1971), e Sargento Getúlio, do baiano João Ubaldo Ribeiro (1941), autor também de Viva o povo brasileiro (1982).

Suassuna, que em 1977 editou O rei degolado, uma continuação de A pedra do reino, dedica-se há anos a escrever o terceiro volume da trilogia.

Organizador do Movimento Armorial, que procura precisamente conjugar o popular e o erudito, Ariano é uma influência visível em autores como os pernambucanos Maximiano Campos (1941-98) e Raimundo Carrero (1947).

Na mesma geração se destacariam o baiano Antônio Torres (1940), os sergipanos Francisco J. C. Dantas (1941) e Antonio Carlos Viana (1946) e na seguinte o potiguar João Alm.ino (1950) e os cearenses Ronaldo Correia de Brito (1950) e Ana Miranda (1951) – que começou sua trajetória com o poeta e só estrearia no romance em 1989 com Boca do Inferno, um livro inspirado por, sim, ele mesmo, Gregório de Mattos.

O amadurecimento da ficção nordestina verificado a partir do modernismo encontrou na poesia um avanço semelhante. Haja vista a obra de um autor como o pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968), que fazia concluir em seu trabalho a liberdade estética e a reflexão metafisica.

Já o alagoano Jorge de Lima (1895-1953) , em Invenção de Orfeu (1952), entregou-se a uma dimensão épica.

Cultivando uma poesia “objetiva”, o pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-99) criou uma poética própria, que, apesar do seu rigor formalista, encontrou espaço para denúncia social, como se lê em Morte e Vida Severína (1956).

O mesmo cuidado está presente na produção do maranhense Ferreira Gullar (1930).

Após se dedicar, em A luta corporal (1954), a uma poesia de contornos concretistas, Gullar se distanciaria cada vez mais dessa experiência até chegar ao Poema Sujo (1976), em que, do exílio político, evoca, com raro donúnio do verso, a sua São Luís natal.

Morto precocemente em um acidente de avião, o piauiense Mário Faustino (1930-62) era um crítico erudito que, em sua poesia, escrita em meio ao brilho dos talentos então atuantes, procurava encontrar o próprio caminho.

Encontrar o próprio caminho continua sendo a proposta dos novos autores nordestinos, como o baiano Carlos Ribeiro (1958) e o pernambucano Marcelino Freire (1967), cuja produção ratifica o vigor de uma literatura que, tendo nascido já madura, como vimos, não envelheceu. Continua forte, adulta -grande.

Escritores que marcaram a história literária do nordeste

Biografia de Jorge Amado – Bahia

Jorge Amado (1912-2001) foi escritor brasileiro. O romance “Gabriela Cravo e Canela” recebeu os prêmios Jabuti e Machado de Assis. Seus livros foram traduzidos para quase todas as línguas.

Foi Membro da Academia Brasileira de Letra, ocupando a cadeira de nº 23. Iniciou sua carreira de escritor com obras de cunho regionalista e de denúncia social.Biografia de Jorge Amado

Passou por várias fases até chegar na fase voltada para crônica de costumes. Politicamente comprometido com ideias socialistas foi preso duas vezes, uma em 1936 e outra em 1937.

Exilado, viveu em Buenos Aires, França, Praga e em vários outros países com democracias populares. Voltou para o Brasil em 1952. Entre suas obras adaptadas para a televisão, cinema e teatro estão “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Gabriela Cravo e Canela”, “Tenda dos Milagres” e “Tieta do Agreste”.

Jorge Amado (1912-2001) nasceu na Fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna, Bahia, no dia 10 de agosto de 1912.

Filho do fazendeiro de cacau, João Amado de Faria e Eulália Leal Amado. Passou a infância na cidade de Ilhéus, onde aprendeu as primeiras letras. Cursou o secundário no Colégio Antônio Vieira em Salvador.

Aos 12 anos foge do internato e vai para Itaporanga, em Sergipe, onde morava sua avô. Passou os anos da sua adolescência no meio do povo, tomando conhecimento da vida popular que iria marcar fortemente sua obra de romancista.

Começou com 14 anos a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da “Academia dos Rebeldes”, grupo de jovens que, juntamente com o “Arco e Flecha” e o “Samba”, desempenharam importante papel na renovação das letras baianas.

Comandados por Pinheiro Viegas, figuraram na Academia dos Rebeldes, além de Jorge Amado, os escritores João Cordeiro, Dias da Costa, Alves Ribeiro, Edison Carneiro, Valter da Silveira, e Clóvis Amorim.

Em 1927, com apenas 15 anos, ingressou como repórter no “Diário da Bahia” e também escrevia para a revista “A Luva”. Aos dezenove anos publicou seu primeiro romance “O País do Carnaval”. Nessa época já estava no Rio de Janeiro, em contato com nomes importantes da literatura. Foi redator chefe da revista carioca “Dom Casmurro”, em 1939.

Em 1933 lança seu segundo livro “Cacau”. Depois vieram vários romances que retratavam o dia a dia da cidade de Salvador, entre eles “Mar Morto”, 1936 e “Capitães de Areia”, 1937, que retrata a vida de menores delinquentes, sendo na época proibido pela censura do Estado Novo.

Jorge Amado foi casado com a escritora Zélia Gattai (1916-2008), que aos 63 anos começou a escrever sua memórias.

Teve dois filhos, João Jorge, sociólogo e autor de peças para teatro infantil, e Paloma, psicóloga, casada com o arquiteto Pedro Costa. É irmão do médico neuropediatra Joelson Amado e do escritor James Amado.

Participou do movimento da frente popular da Aliança Nacional Libertadora.

Foi exilado na Argentina, no Uruguai, em Paris, em Praga e ainda morou em diversos países. Recebeu vários prêmios, títulos honoríficos.

Foi membro correspondente da Academia de Ciências e Letras da República Democrática da Alemanha; da Academia das Ciências de Lisboa; da Academia Paulista de Letras; e membro especial da Academia de Letras da Bahia.

Foi membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº 23.

Jorge Leal Amado de Faria faleceu no dia 6 de agosto. Seu velório foi realizado no Palácio da Aclamação em Salvador. Foi cremado, a seu pedido, e suas cinzas foram colocadas ao pé de uma mangueira, em sua casa na Bahia.

Obras de Jorge Amado

O País do Carnaval, 1931
Cacau, 1933
Suor, 1934
Jubiabá, 1935
Mar Morto, 1936
Capitães de Areia, 1937
Terras do Sem-Fim, 1943
O Amor do Soldado, 1944
São Jorge dos Ilhéus, 1944
Bahia de Todos os Santos, 1944
Seara Vermelha, 1945
O Mundo da Paz, 1951
Os Subterrâneos da Liberdade, 1954
Gabriela Cravo e Canela, 1958
Os Velhos Marinheiros, 1961
Os Pastores da Noite, 1964
Dona Flor e Seus Dois Maridos, 1966
Tenda dos Milagres, 1969
Teresa Batista Cansada de Guerra, 1972
Tieta do Agreste, 1977
Farda Fardão Camisola de Dormir, 1979
O Menino Grapiúna, 1981
Tocaia Grande, 1984
O Sumiço da Santa: Uma História de Feitiçaria, 1988
Navegação de Cabotagem, 1992
A Descoberta da América pelos Turcos, 1994
O Milagre dos Pássaros, 1997

Biografia de Tobias Barreto – Sergipe

Tobias Barreto (1839-1889) foi filósofo, escritor e jurista brasileiro. Foi o líder do movimento intelectual, poético, crítico, filosófico e jurídico, conhecido como Escola do Recife, que agitou a Faculdade de Direito do Recife. Patrono da cadeira nº 38 da Academia Brasileira de Letras.

Tobias Barreto (1839-1889) nasceu na Vila de Campos do Rio Real, hoje Tobias Barreto, no estado de Sergipe, no dia 7 de junho de 1839. Filho de Pedro Barreto de Menezes e de Emerenciana Barreto de Menezes. Iniciou os estudos em sua cidade natal.Biografia de Tobias Barreto

Em 1861 mudou-se para a Bahia, ingressou no seminário, não se adaptou, passou só uma noite. Mudou-se para uma república de amigos em Salvador. Estudou filosofia e matérias preparatórias. Quando o dinheiro acabou, voltou para Vila de Campos.

Viveu alguns anos lecionando Latim em Itabaiana, Sergipe.

Em 1863 mudou-se para o Recife, com o objetivo de ingressar na Faculdade de Direito. O ambiente na cidade era muito intelectualizado e dominado pelos estudantes do curso jurídico. Entre os alunos estavam Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Castro Alves, que tornou-se seu amigo.

Se submeteu ao concurso para ensinar Latim no Ginásio Pernambucano, ficando em segundo lugar. Em 1867 concorreu para a vaga de professor de Filosofia no mesmo Ginásio, é classificado mas não é escolhido.

Tobias Barreto procurava esquecer sua origem humilde, mas se achava descriminado pela cor da pele.

Tentou casar com Leocádia Cavalcanti, mas não foi aceito pela família aristocrática da moça. Apaixonou-se por Adelaide do Amaral, artista portuguesa e casada. Declamava versos cheios de amor e mantinha duelos poéticos com Castro Alves.

Casou-se com a filha de um dono de engenho e proprietário de terras da cidade de Escada. Depois de formado, passou dez anos morando na pequena cidade pernambucana, na zona açucareira. Dedicou-se à advocacia.

Foi eleito para a assembleia Provincial de Escada. Mantinha um jornal, no qual imprimiu vários livros.

A sua contribuição filosófica e científica foi de grande importância, uma vez que contestou as linhas gerais do pensamento jurídico dominante e tentou fazer um entrosamento entre a filosofia e o direito, propagando os estudos de Darwin e de Haeckel.

Apesar de ter vivido até as vésperas da República, não se envolveu nos movimentos republicanos. Voltou para o Recife, onde passou a lecionar na Faculdade de Direito. Hoje a Faculdade é consagrada como “A Casa de Tobias”.

Tobias Barreto de Meneses morreu no Recife, Pernambuco, no dia 26 de junho de 1889.

Obras de Tobias Barreto

O Gênio da Humanidade, 1866
A Escravidão, 1868
Ensaios de Filosofia e Crítica, 1875
Ensaio de Pré-História da Literatura Alemã, 1879
Estudos Alemães, 1880
Dias e Noite, 1881
Menores e Loucos, 1884
Discursos, 1887
Questões Vigentes, 1888
Polêmicas, 1901

Biografia de Lêdo Ivo – Alagoas

Lêdo Ivo (Maceió AL 1924) publicou seu primeiro livro de poesia, As Imaginações, em 1944.

Na época, cursava Direito na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro RJ. Nas décadas seguintes publicou 5 romances, 14 livros de ensaios sobre literatura e traduziu poemas das obras de Guy de Maupassant, Rimbaud e Dostoiévski.

Em 1957 ocorreu a publicação de seu livro de crônicas A Cidade e os Dias. Escreveu também uma novela, O Sobrinho do General, lançada em 1964. Seu livro de poesia Finisterra (1972) recebeu vários prêmios, entre os quais o Prêmio Jabuti de Poesia, em 1973.Biografia de Lêdo Ivo

Em 1982 recebeu o Prêmio Mário de Andrade, pelo conjunto de obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 1986.

Recebeu, em 1991, o Troféu Juca Pato – Intelectual do Ano, concedido pela União Brasileira dos Escritores. Entre suas obras poéticas estão Cântico (1949), Magias (1960), O Sinal Semafórico (1974), Crepúsculo Viril (1990) e O Rumor da Noite (2000).

A poesia de Lêdo Ivo filia-se à terceira geração do Modernismo.

Para o crítico Carlos Montemayor, “como todos os poetas da sua geração, Lêdo Ivo tem uma alta consciência da linguagem; porém a sua consciência é muito mais ampla, uma consciência amazônica que implica não só o seu envolvimento, mas também a sua libertação, sua erupção, suas explosões flamejantes”.

Biografia de João Cabral de Melo Neto – Pernambuco

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) foi um poeta e diplomata brasileiro. Autor de “Morte e Vida Severina”, poema dramático que o consagrou. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Recebeu o Prêmio da Poesia, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Jabuti da Academia Brasileira do Livro e o Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Crime na Calle Relator”.Biografia de João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto (1920-1999) nasceu no Recife, Pernambuco. Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro Leão Cabral de Melo. Irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo e primo do poeta Manuel Bandeira e do Sociólogo Gilberto freire.

Passou sua infância entre os engenhos da família nas cidades de São Loureço da Mata e Moreno. Estudou no Colégio Marista, no Recife. Amante da leitura lia tudo o que tinha acesso, no colégio e na casa da avó.

Em 1941, participa do Primeiro Congresso de Poesia do Recife, lendo o opúsculo “Considerações sobre o Poeta Dormindo”.

Em 1942 publica sua primeira coletânea de poemas, com o livro “Pedra do Sono”, onde predomina uma atmosfera vaga de surrealismo e absurdo. Depois de se tornar amigo do poeta Joaquim Cardoso e do pintor Vicente do Rego Monteiro, transfere-se para o Rio de Janeiro.

Durante os anos de 1943 e 1944, trabalhou no Departamento de Arregimentação e Seleção de Pessoal do Rio de Janeiro. Em 1945 publica seu segundo livro “O Engenheiro”, custeado pelo empresário e poeta Augusto Frederico Schmidt.

Realiza seu segundo concurso público, e em 1947 ingressa na carreira diplomática passando a viver em várias cidades do mundo, como Barcelona, Londres, Sevilha, Marselha, Genebra, Berna, Assunção, Dacar e outras.

Em 1950, publicou o poema “O Cão Sem Plumas”, a partir de então começa a escrever sobre temas sociais. Em 1956 escreve o poema “Morte e Vida Severina”, responsável por sua popularidade.

Trata-se de um aoto de Natal que persegue a tradição dos autos medievais, fazendo uso da redondilha, do ritmo e da musicalidade. Foi levado ao palco do Teatro da Universidade Católica de São Paulo (TUCA), em 1966, musicada por Chico Buarque de Holanda.

O poema narra a trajetória de um retirante, que para livrar-se de uma vida de privações no interior, ruma para a capital. Na cidade grande o retirante depara-se com uma vida de dificuldades e miséria.

João Cabral de Melo Neto foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve cinco filhos.

Casou pela segunda vez com a poetisa Marly de Oliveira. Foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, para a cadeira nº 37, tomando posse em 6 de maio de 1969. Em 1992, começa a sofrer de cegueira progressiva, doença que o leva à depressão.

João Cabral de Melo Neto morreu no Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro de 1999, vítima de ataque cardíaco.

Prêmios Literário

Prêmio José de Anchieta, de poesia, do IV Centenário de São Paulo, em 1954.
Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, em 1955.
Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro, em 1993.
Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da obra.
Prêmio da União Brasileira de Escritores pelo livro “Crime na Calle Relator”, 1988

Obras de João Cabral de melo Neto

Pedra do Sono, 1942
O Engenheiro, 1945
Psicologia da Composição, 1947
O Cão Sem Plumas, 1950
O Rio, 1954
Morte e Vida Severina, 1956
Paisagens com Figuras, 1956
Uma Faca Só Lâmina, 1956
Quaderna, 1960
Dois Parlamentos, 1960
Terceira Feira, 1961
Poemas Escolhidos, 1963
A Educação Pela Pedra, 1966
Museu de Tudo, 1975
A Escola das Facas, 1980
Poesia Crítica, 1982
Auto do Frade, 1984
Agrestes, 1985
O Crime na Calle Relator, 1987
Sevilha Andando, 1989

Biografia de Augusto dos Anjos – Paraíba

Augusto dos Anjos (1884-1914) foi um poeta brasileiro. Sua obra é extremamente original.

É considerado um dos poetas mais críticos de sua época. Foi identificado como o mais importante poeta do pré-modernismo, embora revele em sua poesia, raízes do simbolismo, retratando o gosto pela morte, a angústia e o uso de metáforas.

Declarou-se “Cantor da poesia de tudo que é morto”.

O domínio técnico em sua poesia, comprovaria também a tradição parnasiana. Durante muito tempo foi ignorado pela crítica, que julgou seu vocabulário mórbido e vulgar. Sua obra poética, está resumida em um único livro “EU”, publicado em 1912, e reeditado com o nome “Eu e Outros Poemas”.Biografia de Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos (1884-1914) nasceu no engenho “Pau d’Arco”, na Paraíba. Filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos. Recebeu do pai, formado em Direito, as primeiras instruções.

No ano de 1900, ingressa no Liceu Paraibano e compõe nessa época, seu primeiro soneto, “Saudade”.

Augusto dos Anjos, estudou na Faculdade de Direito do Recife entre 1903 e 1907.

Formado em Direito, retorna a João Pessoa, capital da Paraíba, onde passa a lecionar Literatura Brasileira, em aulas particulares.

Em 1908, Augusto dos Anjos é nomeado para o cargo de professor do Liceu Paraibano, mas em 1910, é afastado do cargo por desentendimentos com o governador.

Nesse mesmo ano casa-se com Ester Fialho e muda-se para o Rio de Janeiro, depois que sua família vendeu o engenho Pau d’Arco. Em 1911 é nomeado professor de Geografia, no Colégio Pedro II.

Durante sua vida, publicou vários poemas em jornais e periódicos.

Em 1912 publicou seu único livro “EU”, que causou espanto, nos críticos da época, diante de um vocabulário grotesco, na sua obsessão pela morte: podridão da carne, cadáveres fétidos e vermes famintos.

Como também por sua retórica delirante, por vezes criativa, por vezes absurda, como neste trecho do poema “Psicologia de um Vencido”: “Eu, filho do carbono e do amoníaco,/ Monstro da escuridão e rutilância,/ Sofro, desde a epigênese da infância,/ A influência má dos signos do zodíaco”.

Em 1914, Augusto dos Anjos é nomeado Diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, em Leopoldina, Minas Gerais, para onde se muda. Nesse mesmo ano, depois de uma longa gripe, é acometido de uma pneumonia.

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos morre em Leopoldina, Minas Gerais, no dia 12 de novembro de 1914.

Biografia de Nísia Floresta – Rio Grande do Norte

Em seu livro Patronos e Acadêmicos – referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras -, Veríssimo de Melo começa o capítulo sobre Nísia da seguinte maneira: “Nísia Floresta Brasileira Augusta foi a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra”.

De fato, a história e a obra de Nísia são de uma importância rara. “Infelizmente, a falta de divulgação da obra de Nísia tem sido responsável pelo enorme desconhecimento de sua vida singular e de seus livros considerados de grande valor”, diz Veríssimo.Biografia de Nísia Floresta

A educadora, escritora e poetisa nascida em 12 de outubro de 1810, em Papari, Rio Grande do Norte, filha do português Dionísio Gonçalves Pinto com uma brasileira, Antônia Clara Freire, foi batizada como Dionísia Gonçalves Pinto, mas ficou conhecida pelo pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta.

Nísia é o final de seu nome de batismo. Floresta, o nome do sítio onde nasceu. Brasileira é o símbolo de seu ufanismo, uma necessidade de afirmativa para quem viveu quase três décadas na Europa.

Augusta é uma recordação de seu segundo marido, Manuel Augusto de Faria Rocha, com quem se casou em 1828, pai de sua filha Lívia Augusta.

Neste mesmo ano, o pai de Nísia havia sido assassinado no Recife, para onde a família havia se mudado.

Em 1831, ela dá seus primeiros passos nas letras, publicando em um jornal pernambucano uma série de artigos sobre a condição feminina. Do Recife, já viúva, com a pequena Lívia e sua mãe, Nísia vai para o Rio Grande do Sul onde se instala e dirige um colégio para meninas.

A Guerra dos Farrapos interrompe seus planos e Nísia resolve fixar-se no Rio de Janeiro, onde funda e dirige os colégios Brasil e Augusto, notáveis pelo alto nível de ensino.

Em 1849, por recomendação médica leva sua filha, gravemente acidentada, para a Europa.

Foi em Paris que morou por mais tempo. Em 1853, publicou Opúsculo Humanitário, uma coleção de artigos sobre emancipação feminina, que foi merecedor de uma apreciação favorável de Auguste Comte, pai do positivismo.

Esteve no Brasil entre 1872 e 1875, em plena campanha abolicionista liderada por Joaquim Nabuco, mas quase nada se sabe sobre sua vida nesse período. Retorna para a Europa em 1875 e, três anos depois, publica seu último trabalho Fragments d’un ouvrage inédit: Notes biographiques.

Nísia faleceu em Rouen, na França, aos 75 anos, a 24 de abril de 1885, de pneumonia. Foi enterrada no cemitério de Bonsecours.

Em agosto de 1954, quase 70 anos depois, seus despojos foram transladados pra o Rio Grande do Norte e levados para sua cidade natal, Papari, que já se chamava Nísia Floresta. Primeiramente foram depositados na igreja matriz, depois foram levados para um túmulo no sítio Floresta, onde ela nasceu.

Sua mais completa biografia – Nísia Floresta – Vida e Obra – foi escrita por Constância Lima Duarte, em 1995.

Um livro de 365 páginas, editado pela Editora Universitária (da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) que, em 1991, havia sido apresentado como Tese de Douturamento em Literatura Brasileira da autora, na USP/SP.

Biografia de Rachel de Queiroz – Ceará

Rachel de Queiroz (1910-2003) foi uma escritora brasileira.

A primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, eleita para a cadeira nº 5, em 1977. Foi também jornalista, romancista, cronista, tradutora e teatróloga.

Integrou o quadro de Sócios Efetivos da Academia Cearense de Letras. Seu primeiro romance “O Quinze”, ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha. O “Memorial de Maria Moura” foi transformado em minissérie para televisão e apresentado em vários países.

Rachel de Queiroz (1910-2003) nasceu, em Fortaleza, capital do Ceará, em 17 de novembro de 1910. Filha de Daniel de Queiroz Lima e Clotilde Franklin de Queiroz, descendente pelo lado materno da família de José de Alencar.Biografia de Rachel de Queiroz

Em 1917, foi para o Rio de Janeiro, junto com a família, que procurava fugir da seca que desde 1915 atingia a região. Mais tarde a romancista iria aproveitar o tema para escrever seu primeiro livro “O Quinze”. Pouco tempo depois, seguiram para Belém do Pará, onde passaram dois anos.

De volta à Fortaleza, ingressou no Colégio Imaculada Conceição, diplomando-se professora, em 1925. Estreou no jornalismo em 1927, no Jornal “O Ceará”, com o pseudônimo de Rita de Queluz, publicando uma carta ironizando o concurso Rainha dos Estudantes.

Em fins de 1930, com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, através da publicação do romance “O Quinze”, uma obra de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca.

O livro foi editado em apenas mil exemplares e já mostrava as características que marcariam toda sua obra. A consagração veio com o Prêmio da Fundação Graça Aranha, em 1931.

Em 1932, publicou um novo romance, intitulado “João Miguel”. Em 1937, retornou com “Caminho de Pedras”. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe d’Oliveira, com o romance “As Três Marias”. No Rio, onde residia desde 1939, colaborou no “Diário de Notícias”, na revista “O Cruzeiro” e no “O Jornal”.

Rachel de Queiroz publicou mais de duas mil crônicas, que resultou na edição dos livros: “A Donzela e a Moura Torta”, “100 Crônicas Escolhidas”, “O Brasileiro Perplexo, “O Caçador de Tatu” e “Cenas Brasileiras”

Em 1950, publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance “O Galo de Ouro”. Tem duas peças de teatro, “Lampião”, escrita em 1953, e “A Beata Maria do Egito”, de 1958, laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional do Livro.

No campo da literatura infantil, escreveu o livro “O Menino Mágico”, a pedido de Lúcia Benedetti. O livro surgiu, entretanto, das histórias que inventava para os netos.

Rachel de Queiroz traduziu para o português mais de quarenta obras.

O presidente da República, Jânio Quadros, a convidou para ocupar o cargo de Ministra da Educação, que foi recusado. Na época, justificando sua decisão, teria dito: “Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista.”

Foi membro do Conselho Estadual de Cultura do Ceará. Participou da 21ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando especialmente na Comissão dos Direitos do Homem.

Foi membro do Conselho Federal de Cultura desde a sua fundação em 1967, até sua extinção em 1989.

Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 5, em 4 de agosto de 1977. Integrou o quadro de sócios Efetivos da Academia Cearense de Letras.

Foi sócia honorária da Academia Sobralense de Estudos e Letras e da Academia Municipalista do Estado do Ceará.

Em 1985, foi inaugurada em Ramat-Gau, Tel Aviv (Israel), a creche “Casa de Rachel de Queiroz”, sendo Rachel de Queiroz, a única escritora brasileira a contar com essa honraria naquele País. Colaborou semanalmente no jornal O Povo, de Fortaleza e desde 1988, iniciou colaboração semanal no jornal O Estado de São Paulo e no Diário de Pernambuco.

Rachel de Queiroz faleceu em sua casa no Rio de Janeiro, de um ataque cardíaco, no dia 4 de novembro de 2003.

Obras de Rachel de Queiroz

O Quinze, 1930
João Miguel, 1932
Caminho de Pedras, 1937
As Três Marias, 1939
A Donzela e a Moura Torta, 1948
O Galo de Ouro, 1950, folhetins na revista O Cruzeiro
Lampião, 1953
A Beata Maria do Egito, 1958
100 Crônicas escolhidas, 1958
O Brasileiro Perplexo, 1964
O Caçador de Tatu, 1967
O Menino Mágico, 1969
Dora Doralina, 1975
As Menininhas e Outras Crônicas, 1976
O Jogador de Sinuca e Mais Historinhas, 1980
Cafute e Pena-de-Prata, 1986
Memorial de Maria Moura, 1992
Nosso Ceará, 1997
Tantos Anos, 1998
Três Romances, 1948
Quatro Romances, 1960

Biografia de Antônio Francisco da Costa e Silva – Piauí

Antônio Francisco da Costa e Silva nasceu em Amarante, no Piauí, em 29 de novembro de 1885.

Formou-se pela Faculdade do Direito do Recife. Foi funcionário do Ministério da Fazenda, tendo ocupado os cargos de Delegado do Tesouro no Maranhão, no Amazonas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Viveu não só na capitais desses estados, mas também, por mais de uma vez, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Jornalista. Recolheu-se ao silêncio, demente, em 1933. Faleceu em 29 de junho de 1950.

Publicou os seguintes livros de poemas: Sangue (1908), Zodíaco (1917), Verhaeren (1917), Pandora (1919) e Verônica (1927).

Organizou ele próprio uma Antologia de seus versos, cuja primeira edição é de 1934. Posteriormente saíram mais duas edições; a última em 1982. De suas Poesias Completas publicaram-se três edições: em 1950, 1975 e 1985.

Biografia de Ferreira Gullar – Maranhão

Ferreira Gullar (1930-2016), pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, foi um poeta, crítico de arte e ensaísta brasileiro. Abriu caminho para a “Poesia Concreta” com o livro “A Luta Corporal”.

Organizou e liderou o movimento literário “Neoconcreto”. Recebeu o Prêmio Camões, em 2010. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Ferreira Gullar (1930-2016) nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 10 de setembro de 1930. Iniciou seus estudos em sua cidade natal.

Com 13 anos passou a se dedicar à poesia. Com 18 anos começou a assinar Ferreira Gullar e publicou seu primeiro livro de poesias intitulado “Um Pouco Acima do Chão”. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como jornalista. Participou do Centro Popular de Cultura da extinta União Nacional do Estudante.

Ferreira Gullar iniciou sua obra sob os princípios da poesia concreta, logo deixou os vanguardistas de São Paulo, numa luta para construir uma expressão própria. Em 1954 escreveu a “A Luta Corporal”, livro que prenunciava a Poesia Concreta.

Em 1956, depois de participar da primeira exposição de Poesia Concreta, realizada em São Paulo, organizou e liderou o grupo “Neoconcreto”, no qual participaram Lígia Clark e Hélio Oiticica.

Após romper com os concretistas, aproxima-se da realidade popular e do pensamento progressista da época, todo ele ligado ao populismo.

Ferreira Gullar presidia o Centro Popular de Cultura da UNE, quando em 1964, veio o golpe militar. Filiado ao PC e um dos fundadores do grupo Opinião, foi preso e viveu fora do país de 1971 a 1977. Esteve exilado em Paris e depois em Buenos Aires.

Em 1976, publica o “Poema Sujo”, escrito em 1975, no exílio em Buenos Aires, que representa a solução dos problemas vividos por todos os intelectuais do período, que viram seus ideais populistas serem sufocados pela revolução de 1964.

Em 1977 é absolvido pelo STF e retorna ao Brasil.

Para o teatro, Ferreira Gullar escreveu, em 1966, em parceria com Oduvaldo Vianna Filho, a peça “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”. Em parceria com Arnaldo Costa e A.C. Fontoura, escreveu, em 1967, “A Saída? Onde Fica a Saída?”.

Junto com Dias Gomes, em 1968, escreveu “Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória”. Para a televisão, colaborou para as novelas Araponga em 1990, Irmãos Coragem, em 1995 e Dona Flor e Seus Dois Maridos, em 1998.

Ferreira Gullar ganhou diversos prêmios de literatura, entre eles, o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Ficção de 2007, com “Resmungos”. Também teve reconhecimento com Prêmio Camões, em 2010. No mesmo ano, recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da UFRJ. Em 2011, recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia.

No dia 9 de outubro de 2014, Ferreira Gullar foi eleito para a cadeira nº 37 da Academia Brasileira de Letras.

Em dezembro desse mesmo ano realizou a exposição “A Revelação do Avesso” onde apresentou 30 quadros feitos a partir de colagens com papel colorido, que foram produzidas como passatempo.

A mostra foi acompanhada por um livro com fotos da coleção completa e também com poemas do autor.

Ferreira Gullar faleceu no Rio de Janeiro, no dia 4 de dezembro de 2016.

Obras de Ferreira Gullar

Um Pouco Acima do Chão, poesia, 1949
A Luta Corporal, poesia, 1954
Teoria do Não-Objeto, ensaio, 1959
João Boa-Morte, Cabra Marcado pra Morrer, poesia, 1962
Quem Matou Aparecida?, poesia, 1962
Cultura Posta em Questão, ensaio, 1964
Se Corre o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, teatro, 1966
A Saída? Onde Fica a Saída?, teatro, 1967
Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória, teatro, 1968
Por Você, Por Mim, poesia, 1968
Vanguarda e Subdesenvolvimento, ensaio, 1969
Dentro da Noite Veloz, poesia, 1975
A Luta Corporal e Novos Poemas, poesia, 1976
Poema Sujo, poesia, 1976
Antologia Poética, poesia, 1977
Augusto dos Anjos ou Vida e Morte Nordestina, ensaio, 1977
A Vertigem do Dia, poesia, 1980
Sobre Arte, ensaio, 1983
Barulhos, poesia, 1987
Poemas Escolhidos, 1989
Indagação de Hoje, ensaio, 1989
O Formigueiro, poesia, 1991
Argumentação Contra a Morte da Arte, ensaio, 1993
Rabo de Foguete-Os Anos no Exílio, memórias, 1998
Muitas Vozes, poesia, 1999
Rembrandt, ensaio, 2002
Relâmpagos, ensaio, 2003
Um Gato Chamado Gatinho, poesia, 2005
Resmungos, poesia, 2007
Em Alguma Parte Alguma, poesia, 2010
Autobiografia Poética e Outros Textos, 2016

História e origem da literatura Nordestina

Biografia dos principais autores do nordeste

Bahia.ws – Guia de Turismo e Viagem de Salvador, Bahia e Nordeste

 
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