Pontos Turísticos, Arquitetura e História de Ouro Preto MG

Eis a estrada, eis a ponte, eis a montanha/ sobre a qual se recorta a igreja branca. Assim Cecília Meireles descreveu a antiga Vila Rica, e é assim – as torres das igrejas e os velhos telhados destacados sobre o fundo escuro dos montes – que a atual Ouro Preto se mostra àqueles que chegam.

A história começa em 1698, quando o bandeirante paulista Antônio Dias fundou um arraial próximo ao pico do Itacolomí, onde encontrara ouro.

Ouro Preto MG
Cidade de Ouro Preto MG

Outros núcleos surgiram em seguida – entre eles o de Ouro Preto, fundado por portugueses. Os arraiais de Antônio Dias e de Ouro Preto cresceram e se fundiram, recebendo em 1711 o nome de Vila Rica; a rivalidade entre as duas freguesias, entretanto, jamais desapareceu de todo.

Não por acaso, a cidade tem duas matrizes: nos anos pares, a procissão da Semana Santa, que é o ponto alto da vida religiosa e cultural da cidade, sai da matriz do Pilar; nos anos ímpares, da matriz de Antônio Dias.

Em 1823, Vila Rica tornou-se a capital da Província de Minas, sob o nome de Ouro Preto; em 1897, porém, a capital foi transferida para Belo Horizonte e a cidade caiu no esquecimento.

A contrapartida da decadência econômica foi a preservação de sua formidável herança arquitetônica, declarada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco cm 1980.

Hoje, Ouro Preto enfrenta muitos problemas – o tráfego que faz estremecer as antigas construções, a ocupação desordenada da periferia, a pobreza da população.

Nada disso embaça o brilho das igrejas, do casario, das pontes e chafarizes de pedra, das ladeiras impregnadas de história.

Isso já seria motivo suficiente para visitar a cidade, mas ela ainda oferece bons hotéis e restaurantes, compras sofisticadas e passeios ecológicos pela região.

Vídeos Pontos Turisticos de Ouro Preto

PONTOS TURÍSTICOS DE OURO PRETO

1. MUSEU DA INCONFIDÊNCIA

O prédio, antiga Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, foi construído em 784 e reformado em 1854.

MUSEU DA INCONFIDÊNCIA EM OURO PRETO
MUSEU DA INCONFIDÊNCIA EM OURO PRETO

Um dos mais representativos e bem conservados exemplos da arquitetura mineira do século XVIII, nele estão os restos mortais dos inconfidentes.

É difícil encontrar algum brasileiro que não se comova ao contemplar os nomes gravados nas lápides do austero Panteão dos Inconfidentes.

O aceno do museu conta ainda com obras de Aleijadinho e Ataíde, além de mobiliário dos séculos XVIII e XIX e documentos.
Pça. Tiradentes, 139, Centro

2. IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

Quer nos azulejos / ou no ouro da talha / olha, o que está vivo/ são os mortos do Carmo.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO EM OURO PRETO
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO CARMO EM OURO PRETO

Os azulejos mencionados no poema de Carlos Drummond de Andrade adornam a igreja da Ordem Terceira do Carmo (1776), que inaugurou o rococó em Ouro Preto; os mortos são os que repousam no cemitério contíguo.

E a única igreja mineira ornamentada com o luxo dos azulejos portugueses. No interior, destacam-se o lavabo de pedra-sabão e os altares laterais, de Aleijadinho, e a pintura da sacristia, de Ataíde.

Ao lado da igreja, na casa do noviciado – onde Aleijadinho viveu seus últimos anos fica o Museu do Oratório, que abriga 162 oratórios e trezentas imagens sacras do século XVII ao XX, reunidos pela colecionadora Angela Gutierrez.

Fazem parte da coleção curiosidades como ratórios portáteis, tão pequenos que podiam ser transportados no bolso dos viajantes, e oratórios afro-brasileiros, construídos por escravos, além de peças ricamente trabalhadas tanto por artistas anônimos como por aqueles renomados. R. Brigadeiro Musqueira, s/n.

3. MUSEU DE CIÊNCIA E TÉCNICA DA ESCOLA DE MINAS

O antigo Palácio dos Governadores. construído em 1741, hoje abriga a Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.

MUSEU DE CIÊNCIA E TÉCNICA DA ESCOLA DE MINAS EM OURO PRETO
MUSEU DE CIÊNCIA E TÉCNICA DA ESCOLA DE MINAS EM OURO PRETO

Ali foi instalado o Museu de Ciência e Técnica, cujo amplo e didático acervo se divide nos setores de mineralogia (com uma grande coleção de gemas e cristais raros), mineração, astronomia, siderurgia e história natural.

O prédio, uma atração em si, ostenta uma bela capela e um chafariz talhado por Aleijadinho.

A parte posterior do museu abriga um observatório astronômico, que abre aos sábados à noite para aqueles que desejam apreciar o estrelado céu de Ouro Preto. Pça. Tiradentes, 20, Centro.

4. IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS E MISERICÓRDIA (MERCÊS DE CIMA)

IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS E MISERICÓRDIA (MERCÊS DE CIMA) EM OURO PRETO
IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS E MISERICÓRDIA (MERCÊS DE CIMA) EM OURO PRETO

Inaugurada em 1774, esta igreja segue o estilo das construções do início dos Setecentos.

Uma reforma posterior alterou-lhe a fachada, introduzindo uma torre única central, padrão usado no século XIX; em 1858 foi construído um cemitério anexo, hoje desativado.

O belo medalhão de pedra-sabão sobre a porta, com a Virgem estendendo o manto sobre os escravos dos mouros, foi durante muito tempo erroneamente atribuído a Aleijadinho. R. Pe. Rolim, s/n.

5. CASA DA ÓPERA (TEATRO MUNICIPAL)

CASA DA ÓPERA (TEATRO MUNICIPAL) EM OURO PRETO
CASA DA ÓPERA (TEATRO MUNICIPAL) EM OURO PRETO

Erguido em 1769, é o mais antigo teatro do Brasil em funcionamento.

A fachada triangular, encimada por uma lira, é diferente do padrão geral das construções coloniais da cidade; o interior, por sua vez, conserva o mobiliário e os equipamentos do século XVIII. Com acústica perfeita, o teatro mantém uma ativa agenda cultural.

Está fechado para restauração, com previsão de reabertura em julho de 2006. R. Brigadeiro Musqueira, s/n, Centro, tel. (31)3559-3224.

6. IGREJA DE SÀO FRANCISCO DE ASSIS

IGREJA DE SÀO FRANCISCO DE ASSIS EM OURO PRETO
IGREJA DE SÀO FRANCISCO DE ASSIS EM OURO PRETO

Ponto alto da arquitetura colonial brasileira, esta igreja, construída entre 1767 e o começo do século XIX, é a obra-prima de Aleijadinho, autor do projeto, do altar-mor, dos púlpitos, do frontispício e das esculturas internas.

Na parte externa, as duas torres cilíndricas, a Cruz de Lorena ladeada por duas bolas de fogo e os magníficos entalhes do medalhão e da portada são impressionantes.

No interior, revela-se outra obra-prima: a pintura do forro, executada por Manuel da Costa Ataíde, que retratou uma comovente Virgem de Porciúncula, com os traços negros de sua concubina, cercada por anjinhos mestiços.

São também de Ataíde os painéis laterais, de madeira, pintados como se fossem azulejos. Lgo. de Coimbra, s/n, Centro.

7. IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS E PERDÕES (MERCÊS DE BAIXO)

IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS E PERDÕES (MERCÊS DE BAIXO)
IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS E PERDÕES (MERCÊS DE BAIXO)

Uma lenda cerca esta igreja, cuja construção foi concluída em 1772: a capela que lhe deu origem teria sido erguida pela mulher de um juiz condenado à morte pelo assassinato da própria filha.

Documentos indicam que o episódio de fato ocorreu, mas sua relação com a construção é duvidosa; a história, porém, confere um interesse adicional à igreja, que abriga um rico acervo de imagens e peças sacras, três delas de Aleijadinho: um crucifixo e duas imagens de roca (compostas apenas de mãos e rosto, com o corpo coberto por tecido) representando são Pedro Nolasco e são Raimundo Nonato. R. das Mercês, s/n, Centro.

8. MUSEU CASA GUIGNARD

MUSEU CASA GUIGNARD EM OURO PRETO
MUSEU CASA GUIGNARD EM OURO PRETO

Um dos grandes nomes das artes plásticas brasileiras, Alberto da Veiga Guignard nasceu no Rio de Janeiro. ias viveu muito tempo em Minas Gerais.

A cidade de Ouro Preto, onde residiu em seus últimos anos, foi um de seus temas recorrentes.

Em 1987. foi inaugurado um museu em sua homenagem, num casarão do século XVII, com um chafariz de Aleijadinho no pano interno. O acervo consiste em cerca de mil peças, entre objetos pessoais, quadros, documentos, fotos e, naturalmente, quadros.

O museu promove eventos e atividades culturais e didáticas. R Conde de Bobadela (r. Direita), 110, Centro.

9. IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE ANTÔNIO DIAS

IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE ANTÔNIO DIAS EM OURO PRETO
IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DE ANTÔNIO DIAS EM OURO PRETO

Em 1727 foram iniciadas as obras desta igreja, construída no mesmo local em  que o bandeirante Antônio Dias erguera uma capela no ano de 1699 – ela é, portanto, um marco do nascimento de Vila Rica.

O projeto e a construção (que se prolongou até meados do século XVIII) ficaram a cargo de Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho; na igreja, aliás, ambos estão sepultados.

A fachada é muito parecida com a da matriz do Pilar, mas as riquezas internas são únicas, a começar pelos oito altares separados por grandes pilastras trabalhadas.

As pias entalhadas em pedra-sabão foram consideradas as mais bonitas da cidade pelo poeta Manuel Bandeira.

Na sacristia fica o Museu Aleijadinho. com magníficas cômodas de jacarandá e peças como a imagem de são Francisco de Paula, de olhar ameaçador, e os perturbadores leões que serviam como suporte de ataúdes.

Repare, ainda, na delicadeza e na perfeição do Cristo entalhado em marfim. Pça. Antônio Dias, s/n, Antônio Dias.

10. CAPELA DO PADRE FARIA

CAPELA DO PADRE FARIA EM OURO PRETO
CAPELA DO PADRE FARIA EM OURO PRETO

Construída no começo do século XVIII em substituição à capela improvisada em que o padre João de Faria Fialho rezou a primeira missa do arraial, a capela é conhecida também pelo nome de Nossa Senhora do Rosário dos Brancos.

A recente restauração recuperou a exuberância que se esconde atrás da fachada singela, como a magnífica talha dourada do altar-mor e dos altares laterais e a pintura do forro, uma das mais antigas de Minas Gerais.

Nas pinturas laterais, percebem-se elementos orientais, o que revela a influência dos ornamentos da porcelana chinesa trazida pelos portugueses de Macau.

No adro, há um cruzeiro de três braços, de quartzito, e a torre do sino — o único que, desobedecendo às ordens da Coroa, fez soar o toque fúnebre no dia da execução de Tiradentes. R. Nossa Senhora do Parto.

11. CASA DOS CONTOS

CASA DOS CONTOS EM OURO PRETO
CASA DOS CONTOS EM OURO PRETO

Um dos mais bem conservados exemplos da arquitetura civil colonial, a casa, construída entre 1782 e 1784, servia de residência para um rico comerciante local.

Em 1789, foi usada como prisão para os inconfidentes: nela morreu um deles, o poeta Cláudio Manuel da Costa.

Depois, foi ocupada pela Intendência do Ouro e por outras repartições públicas. Hoje, restaurada, expõe mobiliário dos séculos XVIII e XIX e abriga uma agência da Receita Federal, um centro de estudos sobre o ciclo do ouro e unia biblioteca especializada.

Possui unia monumental escadaria em cantaria, belas pinturas do forro e grandes fornos e cadinhos utilizados para a fundição de ouro. R. Sào José, 12, Centro. 

12. IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (SANTA IFIGÊNIA)

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (SANTA IFIGÊNIA) EM OURO PRETO
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO DOS PRETOS (SANTA IFIGÊNIA) EM OURO PRETO

Assim como tinham sua igreja matriz, cada freguesia de Ouro Preto (Ouro Preto e Antônio Dias) tinha sua igreja de Nossa Senhora do Rosário, protetora dos negros.

Esta, à qual se junta a devoção a santa Ifigênia, foi construída em Antônio Dias entre 1733 e 1785, a mando – segundo a tradição – de Chico Rei, escravo alforriado que se tornou dono de uma próspera mina de ouro e libertou centenas de outros cativos.

Para chegar à igreja, localizada no alto de uma colina, sobe-se uma grande escadaria.

Na fachada simples destaca-se uma imagem de Nossa Senhora do Rosário esculpida por Aleijadinho; no interior não há ouro, mas belas talhas em madeira representando conchas, camarões e outros elementos que evocam o universo africano.

O relógio da torre, de 1762, ainda funciona.

Na entrada, vê-se a pia de pedra em que  as negras lavavam os cabelos, a fim de doar à irmandade o pó de ouro contrabandeado das minas. R. Santa Ifigênia, 396, Alto da Cruz.

13. IGREJA DE SÀO JOSÉ

IGREJA DE SÀO JOSÉ EM OURO PRETO
IGREJA DE SÀO JOSÉ EM OURO PRETO

A construção desta igreja, cujo retábulo do altar-mor foi projetado por Aleijadinho, estendeu-se de 1752 a 1811.

Infelizmente, ela está fechada para restauração, sem previsão de abertura. 

Ainda assim, vale a pena parar e observar na fachada o terraço com balaustrada de pedra-sabão que rodeia a torre central, um dos mais originais da cidade O escritor Bernardo Guimarães (1825-84), autor do romance A escrava Isaura, está enterrado no cemitério anexo. R. Teixeira Amaral, s/n.

14. IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO PILAR

IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO PILAR
IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DO PILAR

Atual construção, de 1731, substituiu a primitiva matriz do Pilar, marco da fundação da cidade, construída entre 1700 e 1703 em taipa e madeira.

O altar de santo Antônio e o de Nossa Senhora das Dores, entre os seis existentes, devem ter pertencido à matriz antiga.

A fachada simples se contrapõe à extraordinária riqueza do interior, onde foram usados mais de quatrocentos  quilos de ouro.

Há opulência em cada detalhe: no arco central há mais de uma centena de flores brasileiras esculpidas e folheadas a ouro; a talha do altar-mor é de Francisco Xavier de Brito, um dos mestres de Aleijadinho.

Na restauração foi recuperada a versão original da pintura da Santa Ceia do painel central, que havia sido repintada tardiamente duas vezes.

No subsolo da igreja fica o Museu de Arte Sacra de Ouro Preto, com uni grande acervo de peças produzidas entre os séculos XVI e XIX, tais como imagens, paramentos e tecidos bordados a ouro, e prataria. Pça. Monsenhor Joào Castilho Barbosa, s/n.

15. IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO EM OURO PRETO
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO EM OURO PRETO

O traçado circular desta igreja construída entre 1733 e 1785 é único em Ouro Preto e remete às construções do Norte europeu – uma solução erudita aplicada a uma igreja levantada por uma ordem de escravos em substituição à capela original, de 1709.

A originalidade da obra contrasta com o interior despojado, onde se destacam os altares dedicados aos santos negros.

A imagem de Santa Helena é de Aleijadinho. Lgo. do Rosário, s/n.

TRIUNFO EUCARÍSTICO

Em 1731, durante a construção do altar da igreja matriz de Nossa Senhora do Pilar, o Santíssimo Sacramento foi transferido provisoriamente para a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Para celebrar seu retorno, em 1733, e a inauguração oficial da matriz, foi realizada uma procissão, um grande festival barroco que ficou conhecido como Triunfo Eucarístico.

Nela desfilaram personagens bíblicos, outros caracterizados como os sete planetas, mouros e cristãos, os quatro ventos, seguidos pelos membros das várias irmandades de Ouro Preto, cujos trajes e paramentos, assim como os arreios de cavalos, foram confeccionados em seda, ouro, prata, gemas preciosas e plumas.

A festa estendeu-se por dias e dá a medida do esplendor do apogeu do ciclo do ouro, da força da Igreja nos Setecentos e do as¬pecto ritualístico e festivo da religiosidade mineira.

16. IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS (SÃO MIGUEL E ALMAS)

IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS (SÃO MIGUEL E ALMAS) EM OURO PRETO
IGREJA DO BOM JESUS DE MATOSINHOS (SÃO MIGUEL E ALMAS) EM OURO PRETO

O ponto alto desta igreja é a portada de Aleijadinho, que mostra, dramaticamente, são Miguel Arcanjo sobre o fogo do inferno, rodeado pelas almas do purgatório.

Em seu interior há apenas três altares cm estilo rococó, com retábulos pintados e sem douramento.

A igreja é da época da decadência do ouro – estima-se que sua construção tenha se iniciado por volta de 1763 e terminado já no início do século XIX.

O teto do altar-mor e da nave foi restaurado, deixando ver trechos da pintura original de Ataíde, autor também da Santa Ceia e da Crucificação pintadas na nave.

Na sacristia há altares com pinturas do século XVIII e cinco quadros da Via Sacra, atribuídos a Aleijadinho ou seus discípulos. R. Alvarenga Peixoto, s/n, Cabeças. 

17. IGREJA SÂO FRANCISCO DE PAULA

IGREJA SÂO FRANCISCO DE PAULA EM OURO PRETO
IGREJA SÂO FRANCISCO DE PAULA EM OURO PRETO

A mais recente igreja da cidade levou quase cem anos para ser construída: as  obras iniciaram-se em 1804 e foram concluídas em 1898, pois a mineração já entrava em declínio.

Mais clara e leve que as construções anteriores, é uma das poucas igrejas de Ouro Preto cm que se veem plaquetas informativas junto a algumas peças e altares.

A porta tapa-vento, com vidros vermelhos e verdes, foi projetada por Aleijadinho, e as pinturas azuis dos sete altares são folheadas a ouro.

Em um dos altares, à esquerda, há um brasão com o símbolo do Império e um cravo fixado por Dom Pedro II em 1871 para marcar sua passagem.

Especialistas atribuem a bela imagem de São Francisco de Assis do altar-mor a Aleijadinho.

A igreja guarda ainda duas de quatro estátuas de porcelana portuguesa que ornavam as escadarias de entrada. Sua localização, no alto do morro da Piedade, proporciona uma belíssima vista panorâmica da cidade. R. Pe. Marcos Pena, s/n, Centro.

18. OUTRAS ATRAÇÕES 

18.1. PASSEIO PELA CIDADE 

Para conhecer a alma de Ouro Preto, o visitante precisa percorrê-la sem pressa. 

Só assim verá, por exemplo, os vários passos – pequenas capelas com um único compartimento, em que param as procissões durante a Semana Santa – construídos entre os séculos XVIII e XIX. 

Um dos mais antigos é o passo da praça Tiradentes, no coração da cidade, geminado à residência localizada na esquina da rua Conde de Bobadela.

Chafariz do Passo de Antônio Dias em Ouro Preto
Chafariz do Passo de Antônio Dias em Ouro Preto

O passo de Antônio Dias data de meados do século XIX e situa-se ao lado do chafariz de Antônio Dias, recentemente restaurado. 

Os chafarizes lavrados em pedra, que abasteceram Vila Rica durante os tempos do ouro, são outro símbolo da cidade: veja, no centro, o chafariz dos Contos (1745), perto da Casa dos Contos, e o chafariz de Marília (1758), na rua Santa Ifigênia, construído por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho.

No passeio, observe ainda as antigas pontes que entrecortam Ouro Preto e a riqueza das construções, muitas delas de grande importância histórica, como a casa de Tomás Gonzaga (rua Cláudio Manuel, 61), que abriga a Secretaria de Turismo e Cultura, e a casa de Cláudio Manuel da Costa (rua Carlos Tomás, 6), hoje residência particular. 

18.2. ATELIÊS 

Ao longo de sua história, Ouro Preto atraiu artistas plásticos de diferentes estilos. Muitos deles abrem seus ateliês à visitação ou vendem seus quadros na própria residência.   

18.3. COMPRAS 

O ouro declinou há muito, mas Ouro Preto conserva a tradição de centro de comercialização de joias e pedras preciosas.

topázio-imperial
topázio-imperial

No entanto, a única gema extraída na região é o raro e valioso topázio-imperial; as demais vêm de outras localidades do estado.  Qualquer que seja seu interesse – gemas ou joias montadas evite feiras e vendedores ambulantes; compre apenas em lojas que emitam certificados de garantia.  

19. MINAS DE OURO

Das numerosas minas de ouro que erigiram a glória de Vila Rica, duas delas, cavadas a mão no início do século XVIII, ainda podem ser visitadas, revelando ao turista um pouco da impressionante realidade dos trabalhadores que as exploravam. 

19.1. Mina do Chico Rei 

Na mina de Chico Rei lenda e história se misturam: segundo Topázio-imperial a tradição, Chico – que teria sido rei na África, antes de ser aprisionado – comprou a Lavra, enriqueceu com ela e conseguiu a alforria de vários outros cativos.

Além disso, com o ouro extraído, ergueu a igreja de Santa Ifigênia.

Acredita-se que ele teria sido o responsável pela introdução do congado, uma dança de origem africana, nos festejos religiosos da cidade.

A mina, hoje propriedade particular, com restaurante e loja de artesanato anexos, dispõe de 360 metros visitáveis.

O acesso às mais de noventa galerias que se prolongam sob Ouro Preto é restrito a pesquisadores e geólogos (rua Dom Silvério, 108, Antônio Dias. 

19.2. Mina du Veloso

Fica mais afastada no Centro, no bairro São Cristóvão. Fomos atendidos pelo guia Dudu, que foi ótimo, e explicou bastante sobre tipos de mineração.

Em um dos salões da mina é possível ver estalagmites (mas não se entra nesse salão, vemos apenas de longe). Uma coisa diferente é que há um poço com água supercristalina, embora não-potável, devido à alta concentração de minérios.

Em alguns pontos, samambaias estão brotando nas paredes. 

19.3. Mina Felipe dos Santos

Também fica mais longe, no bairro Alto da Cruz.

Foi aberta à visitação mais recentemente e é alvo de estudos de geólogos e engenheiros, que acreditam que a mina também era usada para exploração de ocre.

A visita foi guiada pelo atual proprietário da mina, que foca mais em lendas e crenças. Tem uma pequena queda d’água dentro da mina.

História de Ouro Preto MG

Cidades Históricas em Minas Gerais nasceram da febre de mineração que marcou o Brasil durante o século XVIII até as primeiras décadas do século seguinte, as cidades históricas mineiras dividem-se em dois grupos: as do circuito do ouro, ao qual pertencem Ouro Preto, Mariana, São João del-Rei, Tiradentes e as várias vilas e distritos que as circundam, e as do circuito dos diamantes, cujos principais centros são Diamantina e Serro.

Ouro Preto e Diamantina foram declaradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco; as demais cidades, independentemente de títulos, também ostentam tesouros da arte e da arquitetura colonial.

O que todas têm em comum – mais que o casario, as magníficas igrejas e monumentos, o calçamento de lajes irregulares e as belas paisagens que as envolvem – é a atmosfera intraduzível em que se confundem natureza e história, passado e presente.

Principal cidade brasileira dessa época Ouro Preto, sua origem está ligada à descoberta do ouro aluvião pelos exploradores Antônio Dias de Oliveira e padre João de Faria Fialho, que ocuparam as margens dos ribeirões e os morros que circundam a cidade, onde o minério era abundante.

Ouro Preto fundada em 1698, por bandeirantes paulistas, tornou-se sede da Capitania das Minas Gerais em 1711, quando foi elevada à categoria de vila, com o nome de Vila Rica de Albuquerque.

A cidade, implantada nas encostas de um estreito e sinuoso vale delimitado por duas cadeias de montanhas na região das chamadas Minas Gerais, originou-se do processo de agregação entre os diversos arraiais de garimpo de ouro, ali estabelecidos no início do século XVIII. A riqueza das jazidas explica sua primeira denominação (Vila Rica) e o nome que recebeu, em 1720 (Ouro Preto).

A partir de meados do século XVIII, em substituição às técnicas de pau-a-pique e adobe, as construções passaram a ser de pedra e cal, expressão da riqueza propiciada pela exploração do ouro e do trabalho escravo.

O ouro e o talento de excepcionais artistas – como o escultor Aleijadinho e o pintor Manoel da Costa Athaíde – possibilitaram a construção de monumentos que destacam a cidade na arquitetura mundial, pelo esplendor do admirado barroco mineiro, fruto, entre outros, da genialidade desses seus principais artífices.

Um dos fatos mais importantes da história brasileira, no século XVIII, teve a cidade como cenário: em 1789, ocorreu a Inconfidência Mineira – o movimento pela independência em relação a Portugal – cujo mártir, Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes), tornou-se o patrono cívico da Nação.

Nos últimos anos do século XVIII, a cidade começou a tomar o aspecto atual e chegou ao seu apogeu até regredir, no século XIX, quando sua economia direcionou-se ao cultivo do café e à criação de gado.

Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica recebeu de D. Pedro I o título de Imperial Cidade de Ouro Preto e tornou-se a capital da Província de Minas Gerais.

A drástica redução da mineração do ouro com a decorrente mudança das atividades econômicas determinou uma significativa regressão das atividades econômicas de Ouro Preto. Em 1897, a cidade perdeu a condição de capital para Belo Horizonte.

Apesar do declínio do garimpo, a cidade continuou fazendo parte do circuito do ouro e o extrativismo mineral ainda é uma das suas principais atividades econômicas. Por sua condição histórica e localização privilegiada, o turismo é importante na região.

E como ocorreu no passado, a vida cultural e artística de Ouro Preto continua bastante ativa e diversificada, destacando-se nacionalmente. 

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