Fauna do Pantanal Matogrossense

A vida selvagem e fauna do Pantanal Matogrossense são compostos por um universo harmônico, único no mundo em sua extraordinária e fervilhante beleza, com os seus mamíferos, aves, répteis, anfíbios e insetos.

No Pantanal convivem animais de diferentes ecossistemas – e em poucos lugares do mundo eles podem ser avistados, em estado selvagem, com tanta facilidade.

Fauna do Pantanal Matogrossense
Fauna do Pantanal Matogrossense

Eles estão ali há muito tempo: em cavernas e grutas calcárias nas bordas da serra da Bodoquena foram encontrados vestígios dos animais que dominavam a planície pantaneira antes da última glaciação, há cerca de 12 mil anos — entre eles, o tigre-dentes-de-sabre (Smílodo popudator) e a preguiça-gigante (Eremotherium lundi).

A exuberância da fauna se perpetua. Durante milênios, uma série de condições favoráveis concorreu para que o Pantanal se tornasse um dos mais ricos refúgios de fauna silvestre do planeta.

Se não tem muitas espécies endêmicas, por ser zona de confluência de biomas, seu território abriga uma fabulosa quantidade de animais em migração e outros típicos do cerrado e das matas tropicais.

Os números são impressionantes. Estima-se que existam 665 espécies de aves, 263 de peixes, 95 de mamíferos e 162 de répteis, além de 1132 de borboletas.

Já foram registrados 3,9 milhões de jacarés, 400 mil capivaras e dezenas de milhões de aves.

Os animais são avistados nas proximidades das fazendas, nas estradas, às margens dos rios, vazantes, corixos e baías, mesmo por quem não dispõe de equipamentos especiais.

VIDA SELVAGEM E FAUNA DO PANTANAL MATOGROSSENSE

60 Espécies da Fauna do Pantanal

1. ONÇAS E OUTROS MAMÍFEROS

O principal atrativo do Pantanal é a facilidade com que se podem avistar os animais selvagens vivendo em liberdade. Alguns, porém, são mais ariscos.

Não é sempre que se vê uma onça-pintada, por exemplo – mas quem consegue jamais esquecer da beleza majestosa do maior felino das Américas.

As maiores onças-pintadas podem pesar mais de 120 quilos.

Onça-pintada no Pantanal Matogrossense

Calcula-se que haja mais de 20 mil exemplares de onças-pintadas nas matas, em lugares sombrios e úmidos, quase sempre perto de rios.

Onça-parda no Pantanal Matogrossense
Onça-parda no Pantanal Matogrossense

Outros felinos comuns na planície úmida são a onça-parda, menor e mais ágil que a pintada (pesa cerca de 50 quilos), a jaguatirica, o gato-do-mato e o gato-mourisco.

Os cervídeos também são comuns.

Um deles é o grande cervo-do-pantanal, que vive em lugares alagados e de vegetação densa, próximos a rios e banhados, onde divide espaço com o veado-campeiro e o veado-mateiro.

Há ainda capivaras, porcos-do-mato, morcegos, ariranhas, lontras, tamanduás, macacos e tatus.

2. AVES

A extensa planície alagada pode ser chamada – sem risco de exagero – de paraíso das aves.

Aves no Pantanal Matogrossense

Cerca de 650 espécies já foram identificadas em seus limites.

Ao longo do ano, há um contínuo vaivém de espécies, intensificado no período de julho a novembro, época de reprodução da maioria das aves.

Não é por acaso que a observação de pássaros, o birdwatching, leva cada vez mais visitantes à região.

A espécie que mais imediatamente se associa ao Pantanal é o tuiuiú ou jaburu, ave de grande porte da família das cegonhas, que constrói seus ninhos nas árvores mais altas.

Os ninhais, nome que recebe a concentração de ninhos em um mesmo local, são marca registrada do cenário pantaneiro.

Entre os grandes tuiuiús e as chocas, denominação geral dada às aves pequenas, há todo um universo.

Arara-azul no Pantanal Matogrossense
Arara-azul no Pantanal Matogrossense

Há araras, de diversos tipos arara-azul, arara-vermelha e arara-canindé —, além de periquitos e outros psitacídeos; há gaviões, também muitos e variados, como o gavião-belo, o gavião-caboclo e o caramujeiro, que se alimenta de crustáceos e moluscos aquáticos servindo-se de sua garra em forma de gancho.

Igualmente comuns são os colhereiros, as emas e seriemas, as garças, os socós, os biguás, as biguatingas, as anhumas e as tachãs, que emitem gritos fortes e estridentes, razão pela qual são consideradas as sentinelas do Pantanal.

3. PEIXES

Peixes de escama, de couro, coloridos, miméticos, em cardumes ou solitários.

A bacia do Paraguai é uma das mais ricas do mundo em número e diversidade de seres aquáticos e atrai pescadores e estudiosos de todas as partes.

Peixe dourado
Peixe dourado

Entre os peixes mais comuns dos rios pantaneiros está o ágil peixe dourado, que pode atingir 18 quilos.

Saltador de corredeiras, o dourado, assim como outras espécies de peixes (curimbatá, piraputanga, lambaris, piaus e alguns bagres), nadam contra a correnteza em direção às nascentes para a reprodução e a desova.

Nesse período, chamado piracema, a pesca é proibida; o volume de peixes nos cursos d’água é tào elevado que ocorrem verdadeiros congestionamentos.

Quando as águas começam a baixar, os peixes fazem o caminho de volta, mas muitos não conseguem atravessar os obstáculos e ficam presos em lagos e lagoas, tornando-se alvos fáceis para aves, jacarés, entre outros predadores.

A piranha, outro peixe típico do Pantanal, vive principalmente em águas profundas.

Embora sempre seja vista como temível predadora, ela dificilmente ataca animais de grande porte, a não ser que estejam feridos; na verdade, come principalmente pedaços de nadadeiras de outros peixes – as piranhas são mutiladoras – ou animais mortos.

As arraias pantaneiras, que têm um perigoso ferrão na cauda, raramente são avistadas, pois ficam enterradas no fundo de águas lodosas.

Entre as espécies que atraem pescadores estão o jaú, imenso peixe de couro que chega a pesar 100 quilos, e o pintado, que pode alcançar 1,5 metro de comprimento e mais de 25 quilos de peso.

5. RÉPTEIS E ANFÍBIOS

Sucuris, víboras e jacarés estão entre os répteis que vivem no Pantanal – muitas vezes, marcando presença embaixo dos ninhais, à espera de que filhotes caiam do galho. Apesar da aparência ameaçadora, os répteis não costumam ser agressivos e fogem em situação de ameaça.

Entre as serpentes, a mais conhecida é a majestosa sucuri. A espécie presente no Pantanal pode alcançar 5 metros e, com sua força muscular, enrola-se na presa e a mata por constrição e asfixia: depois, passa dias digerindo a comida.

Alvo do comércio ilegal de peles, os jacarés foram mortos aos milhares até a década de 1970, quando as leis de proteção ambiental se tornaram mais rigorosas.

Caiman, Yacare Caiman, crocodilos na superfície do rio, noite com céu azul, animais no habitat natural. Pantanal, Brasil
Jacaré do Pantanal

Hoje, livres da ameaça de extinção, os jacarés do Pantanal são avistados em rios (as expedições noturnas estão entre os programas mais concorridos) ou criados em cativeiros autorizados pelo Ibama.

As águas pantaneiras abrigam, ainda, quarenta espécies de sapos e rãs.

Juntos, mamíferos, aves, répteis, anfíbios e insetos compõem um universo harmônico, único no mundo em sua extraordinária e fervilhante beleza.

Veja as seguintes publicações sobre o pantanal 

  1. Observação de Mamíferos e Répteis no Pantanal
  2. Pescar no Pantanal – Melhores lugares, iscas, modalidades e épocas
  3. Espécies de peixes mais encontrados no Pantanal
  4. Observações de Aves no Pantanal Matogrossense
  5. Espécies de aves mais comuns no Pantanal Matogrossense
  6. Flora do Pantanal Matogrossense
  7. Fauna do Pantanal Matogrossense
  8. Pantanal Matogrossense – Geografia, Clima, Solo e Rios
  9. História do Pantanal Matogrossense – Descoberta e Desenvolvimento Econômico
  10. Região do Pantanal Sul
  11. Região do Pantanal Norte
  12. Por que ir ao Pantanal Matogrossense? 
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