Pantanal Matogrossense – Geografia, Clima, Solo e Rios

Este post também está disponível em: Português English

A geografia, a complexa rede de rios e a imensa extensão de áreas úmidas da planície pantaneira do Pantanal Matogrossense constituem uma paisagem única no planeta, patrimônio de toda a humanidade.

Corredor biogeográfico é a expressão usada por ecólogos para referir-se a regiões que permitem o trânsito e a dispersão de espécies de fauna e flora. E exatamente esse papel que o Pantanal, na zona de transição entre o cerrado, o chaco paraguaio e a Amazônia, representa.

Pantanal Matogrossense
Pantanal Matogrossense

O maior conjunto de áreas úmidas do mundo ocupa cerca de 210 mil quilômetros quadrados, dos quais quase 140 mil estão em território brasileiro; localizado na parte mais elevada da bacia do rio Paraguai, esse gigantesco sistema se estrutura ao longo dos rios Paraguai e Paraná (médio e inferior).

O rio Paraguai, assim como o rio Paraná no Pantanal, é um dos poucos rios do planeta livres de barragens.

Mas a drenagem desse imenso quadrilátero é feita também por outros cursos d’água extensos e caudalosos: ao sul, o rio Taquari (800 quilômetros), o rio Aquidauana (565 quilômetros), o rio Miranda (490 quilômetros) e o rio Coxim (280 quilômetros), e, ao norte, o rio São Lourenço (670 quilômetros) e o rio Cuiabá (650 quilômetros).

Mapa do Pantanal e de sua bacia hidrográfica e a posição das áreas
Mapa do Pantanal e de sua bacia hidrográfica e a posição das áreas.

O rio Taquari, que se alonga por 500 quilômetros em terras pantaneiras, tem especial relevância em virtude da extensão de sua bacia, de cerca de 29 mil quilômetros.

Ciclo das Águas do Pantanal Matogrossense

GEOGRAFIA DO PANTANAL MATOGROSSENSE

1. FORMAÇÃO

A natureza começou a moldar esse mostruário de vida selvagem há cerca de 60 milhões de anos.

Estima-se que o Planalto Central do Brasil soergueu-se no período Jurássico, formando um enorme escudo que acabaria por se romper e desabar. Assim surgiu a planície pantaneira.

Ao longo das eras geológicas que se seguiram, a força dos elementos transformou o território em uma superfície plana, com declividade quase nula, bordejada por grandes planaltos situados 600 metros acima de seu leito inundado.

O tempo esculpiu nas pedras um reservatório inigualável, eternamente alimentado pela água dos rios e das chuvas tropicais que se avolumam no quadrante brasileiro do Alto Paraguai.

Mapa do Pantanal
Mapa do Pantanal Matogrossense

2. MICROVIDA NAS ÁGUAS

Os rios que abastecem o Pantanal originam-se, ao norte, da Chapada dos Parecis; a leste, do Planalto Central e, ao sul, da serra da Bodoquena.

Quando os rios transbordam de seu leito, esses cursos d’água promovem a dispersão da microflora e da microfauna locais; assim, uma elevada quantidade de crustáceos, moluscos e peixes se distribui pelas baías (nome regional dos lagos), corixos (canais de ligação entre as baías) e banhados.

O número de microalgas por litro chega a 500 milhões, mais do que o que ocorre nos deltas do Mississippi e do Nilo, duas das regiões mais férteis do planeta.

A terra, a areia e os sedimentos agem como freio das águas que escoam do grande planalto que cerca o Pantanal.

Por causa desses sinuosos leques aluviais, elas já chegam lentas, sem energia suficiente para ultrapassá-los.

Com o leito dos rios asfixiado pelos tributários, as margens alagam e forma-se uma lâmina rasa de águas, logo engrossada pelas chuvas que desabam abundantemente.

As nascentes localizadas nas cabeceiras e serras de pequena altitude ao redor do Pantanal alimentam 175 rios e, durante as cheias, as águas avançam sobre suas margens.

As vastas e planas extensões territoriais dão origem a um mar fechado, com intenso movimento subaquático.

São poupadas do alagamento as elevações arenosas que servem de abrigo para o gado.

Quando chega a vazante, em junho, as águas baixam e nutrientes, assim como microrganismos animais e vegetais se depositam no solo.

O ciclo anual das águas no Pantanal Matogrossense, a interdependência do planalto-planície.
O ciclo anual das águas no Pantanal Matogrossense, a interdependência do planalto-planície.

3. VÁRIOS PANTANAIS

Campos com baías e capões, campos alagados, cordilheiras com lagoas salinas, galerias de mata ciliar, espinheirais: a variedade caracteriza o Pantanal.

As paisagens do Pantanal Matogrossense se intercalam e formam um ecossistema único, no qual o relevo e a hidrografia interagem profundamente.

Para melhor compreender os fragmentos que compõem esse todo, o Pantanal foi dividido em onze sub-regiões — “pequenos pantanais” —, cada qual com características e história próprias: Nabileque, Miranda, Aquidauana, Abobral, Nhecolândia, Paiaguás, Barão de Melgaço, Poconé, Cáceres, Paraguai e Porto Murtinho.

O pantanal da Nhecolândia, por exemplo, onde existem baías salinas, de água doce, com vegetação de camalotes, ou ainda desprovidas de vegetação, recebeu seu nome em homenagem ao proprietário de uma das mais antigas fazendas do local.

Essa região vem sofrendo o crescente impacto da substituição da mata de galeria das margens do rio Taquari, o alimentador da área, por pastagens, o que causa seu assoreamento.

Entre a serra da Bodoquena e o rio Paraguai está o pantanal do Nabileque, que, com o pantanal de Paiaguás, entre os rios Taquari, São Lourenço e Itiquira (também chamado de Piquiri), sofre as cheias mais acentuadas.

No pantanal do Poconé, entre os rios Cuiabá e Paraguai, o garimpo de ouro assoreou rios e causou a redução da fauna ictiológica.

O pantanal do Barão de Melgaço, próximo à Chapada dos Guimarães, ao norte, está entre os rios Cuiabá e Itiquira; tem extensas áreas de savanas, grande parte coberta de capim.

Entre o rio Paraguai e a Chapada dos Parecis, situa-se o pantanal de Cáceres, cujas vegetações predominantes são o cerrado e o campo, embora haja igualmente trechos de mata pluvial tropical, por causa da proximidade com a região amazônica.

O pantanal do Paraguai, que se limita a oeste com a serra do Amolar e com o maciço do Urucum, apresenta períodos de cheia de mais de seis meses.

O pantanal de Aquidauana, assim como o de Miranda, a oeste, é menos afetado pelas enchentes; neste segundo encontram-se grandes extensões de carandás e paratudos, nome regional do ipê.

O pantanal do Abobral, a leste do rio Paraguai, é um dos mais baixos e um dos primeiros a encher.

Ao sul, o pantanal de Porto Murtinho tem vegetação de chaco e inundações anuais. Esses “pequenos pantanais” costumam ser agrupados em duas grandes regiões: Pantanal Sul (no estado de Mato Grosso do Sul) e Pantanal Norte (Mato Grosso).

4. CLIMA E SOLO

O clima do Pantanal apresenta diferenças marcantes entre as estações seca e chuvosa; é predominantemente tropical, livre de influências oceânicas.

Está exposto à invasão de massas frias oriundas das porções mais ao sul, com veloz penetração pelas planícies do pampa e do chaco.

A temperatura pode baixar rapidamente e até provocar geadas, com mínimas em torno de 0 °C, enquanto as máximas atingem quase 40 °C, com médias anuais de 25 °C.

A estação seca, com pancadas de chuvas e temperatura agradável, estende-se de maio a setembro.

Em julho, o ponto crucial da seca, a água restringe-se aos leitos dos rios ou aos banhados e lagoas localizados nas porções inferiores das planícies.

Em novembro começam as chuvas, que atingem o ponto culminante em janeiro e fevereiro e se prolongam até março – é o verão pantaneiro.

[box type=”info” style=”rounded”]Como pode ser visto nos gráficos abaixo, o Pantanal Norte (no Mato Grosso) é geralmente alguns graus mais quente do que o Sul (Mato Grosso do Sul) e recebe mais chuvas durante a estação úmida.Nesse período, cerca de 80% das planícies aluviais do Pantanal são inundadas.

As inundações ocorrem inicialmente no norte, depois fluem gradualmente para o sul, onde essas águas se combinam com o alto índice pluviométrico da região sul, resultando em sua inundação cerca de dois meses depois.

A precipitação anual total na região varia entre 1.000 e 1.250 mm. Isso é, na verdade, menos chuva do que em outros estados vizinhos, o que significa que o Pantanal pode ser tecnicamente classificado como semiárido.

A maior parte da precipitação ocorre nos meses de novembro a março.Nos meses mais frios da estação seca, a temperatura média fica em torno de 24 °C, mas pode sofrer quedas repentinas coincidindo com a chegada de frentes frias de tempestades vindas dos Andes. Isso geralmente ocorre em julho e é conhecido localmente como friagem, com temperaturas que chegam a cair até -1 °C por curtos períodos.

Por outro lado, as temperaturas nos meses mais quentes podem ultrapassar os 40 °C e se tornar muito desconfortáveis devido à chuva e à alta umidade.[/box]

Temperatura média de Cuiabá
Temperatura média de Cuiabá
Chuva média de Cuiabá
Chuva média de Cuiabá
Temperatura média de Corumbá
Temperatura média de Corumbá

A temperatura se eleva e só diminui imediatamente após as fortes pancadas. Nesse período, a região, úmida e quente, transforma-se num enorme alagado em que se misturam rios, banhados e lagos.

O solo, influenciado pelo regime de chuvas, varia de alagado no verão a seco no inverno.

A composição do solo do Pantanal Matogrossense mais encontrada é a argilo-arenosa, considerada pobre na parte mais funda, mas muito fértil na camada superficial, graças à deposição de matéria orgânica.

O Pantanal sofre de uma série de problemas causados pela ação humana.

Entre eles estão as pastagens e as lavouras de soja e arroz mal administradas, que podem aumentar a carga de partículas sedimentáveis dos rios e provocar a erosão. Nas secas, é comum a prática das queimadas, extremamente prejudiciais.

Quando a intervenção humana se dá nas cabeceiras dos rios, a situação se agrava: como o movimento de águas é intenso, todo o território acaba sendo afetado.

Assim, os rios que nascem e percorrem áreas de muita atividade agrícola podem levar para a planície sedimentos, pesticidas e outros detritos.

Ainda assim, o Pantanal resiste como uma espécie de paraíso ecológico, uma imensa extensão de rios e áreas úmidas intactas.

O desafio que se impõe – a moradores, autoridades, turistas e a todos os brasileiros – é mantê-lo assim para as próximas gerações.

Veja as seguintes publicações sobre o pantanal 

  1. Observação de Mamíferos e Répteis no Pantanal
  2. Pescar no Pantanal – Melhores lugares, iscas, modalidades e épocas
  3. Espécies de peixes mais encontrados no Pantanal
  4. Observações de Aves no Pantanal Matogrossense
  5. Espécies de aves mais comuns no Pantanal Matogrossense
  6. Flora do Pantanal Matogrossense
  7. Fauna do Pantanal Matogrossense
  8. Pantanal Matogrossense – Geografia, Clima, Solo e Rios
  9. História do Pantanal Matogrossense – Descoberta e Desenvolvimento Econômico
  10. Região do Pantanal Sul
  11. Região do Pantanal Norte
  12. Por que ir ao Pantanal Matogrossense? 
Hide picture