História e Cronologia do Carnaval de Salvador da Bahia

Carnaval de Salvador BA 1939
Carnaval de Salvador BA 1939

São várias as versões sobre a origem da palavra Carnaval.

No dialeto milanês, Carnevale quer dizer “o tempo em que se tira o uso da carne”, já que o carnaval é propriamente a noite anterior à Quarta-Feira de Cinzas.

No Brasil, o evento é a maior manifestação de cultura popular, ao lado do futebol.

É um misto de folguedo, festa e espetáculo teatral, que envolve arte e folclore.

Na sua origem, surge basicamente como uma festa de rua. Porém, na maioria das grandes capitais, acaba concentrado em recintos fechados, como sambódromos e clubes.

Embora o carnaval tenha sido oficializado somente em 1884, há relatos de festejos desde o século XVI e XVII, inclusive durante a invasão holandesa, em 1624.

Carnaval de Salvador, que conta a partir de 1884, que é quando foi oficializado. Mas eu fui um pouco atrás. Então começo mostrando o relato do Padre Anchieta sobre o carnaval, os jesuítas, que foram as primeiras pessoas que trouxeram a cultura do carnaval para a Bahia. Há também o relato de um soldado durante a invasão Holandesa, em 1624, que conta como foi o carnaval quando estávamos em guerra, que a festa foi feita em quatro navios”.

Os festejos se espelhavam no carnaval realizado na Europa, principalmente em países como Portugal e Espanha, e tinham relação com a Igreja Católica.

“O carnaval foi instituído pela Igreja Católica como período para anteceder a quaresma para que as pessoas pudessem extravasar tudo que quisessem e depois entrar no recolhimento de 40 dias.

Os jesuítas trouxeram essa cultura e introduziram entre as comunidades indígenas como parte da catequese, porque eles entendiam que era interessante trazer um pouco de música, um pouco daquela coisa mais lúdica”.

Entre os séculos XVIII e XIX o carnaval passou a se tornar mais popular e tomar as ruas da capital baiana.

Os festejos aconteciam geralmente na Rua Chile, no centro de Salvador. “Como tinham muitos escravos, eles trouxeram as danças deles, alguns elementos rituais que acabaram se incorporando ao carnaval de rua. Isso tudo se juntou com o que se chamava entrudo”.

História, Origem e Cronologia do Carnaval 

Origem do Carnaval

A origem do Carnaval vem de uma manifestação popular anterior à era Cristã, tendo se iniciado na Itália com o nome de Saturnálias – festa em homenagem a Saturno.

As divindades da mitologia greco-romana Baco e Momo dividiam as honras nos festejos, que aconteciam nos meses de novembro e dezembro.

Durante as comemorações em Roma, acontecia uma aparente quebra de hierarquia da sociedade, já que escravos, filósofos e tribunos misturavam-se em praça pública.

Com a expansão do Império Romano, as festas tornaram-se mais animadas e freqüentes. Na época ocorriam verdadeiros bacanais.

No início da era Cristã, começaram a surgir os primeiros sinais de censura aos festejos mundanos na medida em que a Igreja Católica se solidificava. Querendo impor uma política de austeridade, a igreja determinava que esses festejos só deveriam ser realizados antes da Quaresma.

Os italianos adotaram, então, a palavra Carnevale, sugerindo que se poderia fazer Carnaval – “ou o que passasse pelas suas cabeças” antes da Quaresma, numa espécie de abuso da carne.

A festa chegou a Portugal nos séculos XV e XVI, recebendo o nome de Entrudo – isto é, introdução à Quaresma, através de uma brincadeira agressiva e pesada.

O evento tinha uma característica essencialmente gastronômica e era marcado por um divertimento entremeado com alguma violência. Fazia-se esferas de cera bem finas com o interior cheio de água-de-cheiro e depois atirava-se nas pessoas.

Os mais ousados, no entanto, começaram a injetar no interior das “laranjinhas ou limões-de-cheiro”, substâncias mau cheirosas e impróprias e a festa foi perdendo sua alegria. Foi exatamente esse Entrudo violento que aportou no Brasil.

Na segunda metade do século XIX, o jornal Diário da Bahia e a Igreja Católica criticavam e pediam providências às autoridades policiais contra o Entrudo.

Quando se aproximava o domingo anterior à Quaresma, todo mundo “entrudava”. Apareciam pelas ruas em forma de bandos os “Caretas” envoltos em cobertas, esteiras de catolé, folhas de árvores e abadás – uma espécie de camisa de manga curta bastante folgada, atingindo a curva dos joelhos, que os negros usavam.

No Entrudo, molhava-se quantos andassem pelas ruas, invadia-se casas para molhar pessoas e não se importava que fosse gente doente ou idosa.

Em 1853 o Entrudo passou a ser reprimido com ordens policiais. Mesmo assim, as “laranjinhas” e gamelas com água continuavam existindo.

Entrudos é um dos elementos do início do carnaval de Salvador.

Entrudos era uma brincadeira de origem europeia em que as pessoas atiravam objetos umas nas outras. “Se fabricavam uns limões de cera e colocavam água ou algum tipo de perfume de canela, cravo, dentro, e jogavam nas pessoas.

Na verdade, tinham dois tipos de entrudos, o de salão e o de rua. O de salão era esse, mais refinado, com os limões. O de rua era feito com água pura, com tripa de porco, farinha, ovo, tomate pobre. Era mais popular e vulgar”.

Por conta dos transtornos causados pelos entrudos, o governo começou a reprimir e proibir a brincadeira. Um decreto da Câmara Municipal de Salvador encerrou a prática.

“Faz-se reproduzir, para maior conhecimento de todos os habitantes deste município, a postura que absolutamente proibe o entrudo por ser prejudicial a saúde pública, perigoso aos que a ele se entregam e aos transeuntos”, diz trecho do decreto publicado naquela época.

Foi exatamente neste período que o Carnaval começou a se originar de forma diferente, dividindo-se em duas classes: o Carnaval de Salão e o Carnaval de Rua.

O Carnaval de Salão tinha a participação de brancos e mulatos de classe média; o Carnaval de Rua, contava com negros e mulatos pobres.

Praça Castro Alves, Teatro São João e Rua Chile
Praça Castro Alves, Teatro São João e Rua Chile em Salvador da Bahia.

Em 1860 o Teatro São João de Salvador da Bahia começou a realizar arrojados bailes de mascarados, na noite de sábado, iniciando as festas com músicas baseadas em trechos da ópera italiana “La Traviata”. Em seguida, eram tocadas valsas, polcas e quadrilhas.

O Teatro São João, em Salvador (BA), estava situado na Praça Castro Alves, final da Av. Sete e início da Rua Chile. Foi construído em 1806, no governo de João Saldanha da Gama Melo Torres, segundo planta instituida pelo Marques de Pombal e durante mais de cem anos foi o principal palco da cidade, com capacidade para 800 poltronas. Em 1913 foi totalmente destruído por um incêndio.

O evento contava com a participação das pessoas de bom nível social, que trocavam os bailes realizados em suas casas pelo do teatro.

Na época, havia o perigo do homem formado e do negociante serem vistos mascarados. Em razão disso, casas de fantasias e cabeleireiros, como os famosos “Pinelli” e “Balalaia” mantinham especialistas em disfarces.

Como os bailes carnavalescos não estavam ao alcance de todos, nem de acordo com a moral de muitos, era necessário estimular a sua ida para a rua. Por isso, os sub-delegados foram autorizados a distribuir gratuitamente máscaras a quem quisesse brincar o Carnaval.

Várias comissões passaram a ser nomeadas pelo chefe de polícia e a comissão central, juntamente com outras comissões paroquianas que distribuíam máscaras, facilitavam a aquisição de outros adereços, bem como a providência de banda de música.

Os comerciantes logo aderiram à idéia de olho no melhor faturamento, e começaram a adotar o Carnaval em substituição ao Entrudo.

Em 1870 os mascarados avulsos, estimulados pela polícia, e os bailes públicos começaram a ganhar terreno, embora o Entrudo ainda se mantivesse vivo.

O ambiente para a realização do Carnaval passou a ficar melhor com o surgimento do “Bando Anunciador”, que saía às ruas convidando todos para os festejos.

Nos clubes e teatros, foram surgindo competições entre os grupos e famílias que ostentavam roupas e jóias para mostrar quais associações e entidades eram mais elegantes e grã-finas.

O pioneiro Teatro São João passou a organizar seus bailes com um ano de antecedência.

Em 1878, o grupo de Carnaval de rua, “Os Cavaleiros da Noite”, aparecia pela primeira vez num salão em grande forma, no Teatro São João, causando um verdadeiro “ti, ti, ti”. Dois anos depois – com um número maior de bailes por toda a cidade -, Salvador contava com 120 mil habitantes, que concentravam recursos financeiros e grande poder político.

Havia, portanto, dinheiro, poder e fartura, e todo esse esplendor passou, então, a ser retratado nos salões e bailes de Carnaval. Só para se ter uma idéia, as roupas, adereços, enfeites, chapéus, bebidas, jóias, sapatos e meias usadas nas festas eram importadas das melhores casas de Paris e Londres.

Cinco anos antes da Proclamação da República, a cidade, habitada por cerca de 170 mil pessoas, organizou o seu primeiro grande Carnaval de rua.

O carnaval era uma festa com grande influência européia, como quase tudo o que existia no Brasil naquela época, com luxo, requinte e comentários elogiosos.

Fortemente influenciado pelo requintado Carnaval de Veneza, na Itália, e mesclando a presença de tipos do popular Carnaval de Nice, na França, o Carnaval de Salvador deu o primeiro passo rumo à popularização com a participação de muita gente nas ruas.

Ao mesmo tempo, palanques e bandas de música proliferavam na cidade. Surgiam também vários clubes uniformizados, como “Zé Pereira”, “Os Comilões” e “Os Engenheiros”, fantasiados com “Cabeçorras” e outras máscaras.

Como as comemorações cresciam, convencionou-se que o Campo Grande seria o lugar para os mascarados se reunirem nos dias de Carnaval e, de lá, saírem em bandos.

Em 1882, o comércio iniciou o costume de fechar as portas na terça-feira de Carnaval, a partir das 13 horas. O Carnaval de máscaras e o desfile dos clubes, ficavam então, mais animados depois das 14 horas.

O primeiro baile de Carnaval do Rio foi em 1840 com os participantes dançando polca e valsa, e o samba foi introduzido em 1917. 

Cronologia do Carnaval de Salvador da Bahia

O Grande Carnaval de 1884

O ano de 1884 é considerado como o marco decisivo para o Carnaval da Bahia. Embora a festa já possuísse considerável porte – principalmente nos salões – é nesse ano que teve início a organização dos festejos de ruas e os desfiles de clubes, corsos, carros alegóricos e de vários populares.

A partir daí ocorre a intensificação da participação do povo e aclamação do Carnaval de rua, que até hoje caracteriza esta festa na Bahia.

O Carnaval de 1884 pegou Salvador num período de crescimento rápido, provocado pelo progresso da agricultura em outras regiões e pelas exigências de um melhor ordenamento do espaço urbano com o êxodo rural.

Respirava-se progresso e os comerciantes já utilizavam a publicidade nos jornais durante a festa. Tanto as pessoas que se fantasiavam como as que esperavam o cortejo vestiam-se a rigor, algumas em ternos de linho, polainas e chapéus.

Fundado em 1º de março de 1833, o Clube Carnavalesco Cruz Vermelha só veio a participar do Carnaval em 1884.

O clube organizou um cortejo com rapazes e moças ricamente trajados e a novidade foi a presença de um carro alegórico, com o tema “Crítica ao Jogo de Loteria”, ricamente decorado com peças importadas da Europa.

O cortejo saiu de uma das ruas do Comércio, subiu a Montanha, passou em frente à Barroquinha, rua Direita do Palácio (rua Chile), Direita da Misericórdia, Direita do Colégio e retornou rumo ao Politeama de Baixo (Instituto Feminino).

A iniciativa foi um verdadeiro sucesso e ganhou milhares de aplausos e pétalas de flores dos populares que se encontravam nas ruas. O Cruz Vermelha mudou basicamente o Carnaval.

Em março de 1884, um grupo de jovens fundou o Clube Carnavalesco Fantoches da Euterpe.

O grupo era encabeçado por quatro figuras da alta sociedade: Antônio Carlos Magalhães Costa (bisavô de ACM), João Vaz Agostinho, Francisco Saraiva e Luís Tarquínio. (seu primeiro presidente) .

Em 1885, a disputa entre os dois clubes foi ainda maior.

O Diário de Notícias, o jornal mais influente da época, publicou um anúncio de um quarto de página, a pedido do Cruz Vermelha, descrevendo a sua passeata.

O Fantoches reagiu publicando o seu programa de festas em três colunas.

Ambos foram às ruas com temas maravilhosos e indumentárias vindas da Europa.

O carro-chefe do Cruz Vermelha apresentava “A Fama” e o Fantoches, “A Europa”. Desfilaram também outros clubes, como “Saca Rolhas”, “Cavalheiros de Malta”, “Clube dos Cacetes” e “Grupo dos Nenês”.

Na época, não havia uma comissão julgadora para estabelecer quem vencia os desfiles e o julgamento era determinado pela imprensa, que media a aprovação da população através dos aplausos.

O Cruz Vermelha, mais popular, sempre vencia, pois o Fantoches, mais ligado à aristocracia, tinha uma torcida bem menor. Todas as outras entidades representavam a classe média.

Em 1886, os negociantes resolvem não mais abrir o comércio na terça-feira de Carnaval. Os presidentes dos grandes clubes reuniram-se na Associação Comercial com o objetivo de estudar um itinerário único para todos os préstitos.

Dois anos depois, a cidade teve um dos carnavais mais famosos. O Cruz Vermelha e o Fantoches, deram em conjunto um grandioso baile no Politeama. Chegou, enfim, o dia do grande domingo de Carnaval.

E havia muita gente pelas ruas; nas janelas, o que mais imperava na cidade era a ansiedade. O primeiro préstito a surgir foi o Cruz Vermelha com coordenação, esplendor e luxo.

A multidão vibrava atirando flores sobre os carros.

O segundo a desfilar foi o préstito do Fantoches, com a sua magnífica decoração dos carros alegóricos, a graça, o luxo e o gosto artístico, que justificavam o delírio de todos. Resultado: Fantoches e Cruz Vermelha desfilando sobre chuvas de rosas.

O Carnaval já era uma verdadeira atração, uma realidade conseguida com muita luta e anos de esperança e já se podia afirmar que o vencera definitivamente o Entrudo.

Em 1892 é introduzido no Carnaval do país, o uso de confetes e serpentinas. Os confetes eram usados em retalhadas entre algumas entidades carnavalescas da época; as serpentinas vieram para substituir as flores atiradas aos carros alegóricos.

Em 1894, o Carnaval era eminentemente da elite dos clubes Cruz Vermelha, Fantoches e outros, que desfilavam pelas ruas e freqüentavam os bailes dos Teatros São João e Politeama. A população pobre continuava a fazer apenas algumas manifestações.

Primeiro Afoxé

Em 1895, os negros nagôs organizaram o primeiro afoxé, denominado “Embaixada Africana”, que desfilou com roupas e objetos de adorno importados da África.

Em 1896, surgiu, então, o segundo afoxé, o “Pândegos da África”, organizado também por negros. Os grupos representavam casas de culto de herança africana e saíam às ruas cantando e recitando seqüências de músicas e letras.

Os afoxés exibiam-se na Baixa dos Sapateiros, Taboão, Barroquinha e Pelourinho, enquanto os grandes clubes desfilavam em áreas mais nobres.

Nove anos mais tarde, um outro afoxé rompeu este tácito compromisso e subiu a Barroquinha e a Ladeira de São Bento, gerando protestos em que se lastimou a quebra deste pacto não escrito da divisão espacial de classes e de ritmos no Carnaval.

Neste momento, verificava-se na cidade uma divisão espacial muito séria.

Dissidentes do Cruz Vermelha, fundaram em 1900, o Clube Carnavalesco “Os Inocentes em Progresso”. O nome do clube foi inspirado em um bando de meninos que passavam no local cantando e tocando em latas.

Em 1949, ano do IV Centenário de fundação da cidade de Salvador, é fundado o afoxé “Filhos de Gandhy” pelos estivadores do Porto de Salvador, como forma de homenagear o grande líder pacifista indiano assassinado em 1948, o Mahatma Gandhy.

Surge o Trio Elétrico

Em 1950, surgiu, então, a famosa dupla elétrica.

Replica do Ford 1929 feita em 1975 para celebrar o primeiro carro de trio eletrico de salvador criado por Dodô e Osmar em 1950.
Replica do Ford 1929 feita em 1975 para celebrar o primeiro carro de trio eletrico de salvador criado por Dodô e Osmar em 1950.

Após observarem o desfile da famosa “Vassourinha”, entidade carnavalesca de Pernambuco que tocava frevo na Rua Chile, e empolgados com a receptividade do bloco junto ao público, a dupla elétrica formada por Adolfo Antônio Nascimento – Dodô e Osmar – Álvares de Macêdo e Osmar – resolveu restaurar um velho Ford 1929, guardado numa garagem.

No Carnaval do mesmo ano, saiu às ruas tocando seus “paus elétricos” em cima do carro e com o som ampliado por alto-falantes.

A apresentação aconteceu às cinco horas da tarde do domingo de Carnaval, arrastando uma multidão pelas ruas do centro da cidade.

O nome trio elétrico surgiu em 1951, quando, pela primeira vez, apresentou-se no Carnaval um conjunto de três instrumentistas.

A “dupla elétrica” convidou o amigo e músico Temístocles Aragão para integrar o trio e tocar nas ruas de Salvador numa picape Chrysler, modelo Fargo, maior que a “fobica” do ano anterior, em cujas laterais se liam em duas placas: “O trio elétrico”.

Osmar tocava a famosa “guitarra baiana”, de som agudo; Dodô era responsável pelo “violão-pau-elétrico”, de som grave, e Aragão, pelo “triolim”, como era conhecido o violão tenor, de som médio. Estava formado o trio musical.

Surge em 1961, o primeiro desfile público do Rei Momo, papel desempenhado pelo motorista de táxi e funcionário público Ferreirinha.

No ano seguinte, surgiu o primeiro grande bloco de Carnaval, denominado “Os Internacionais”, composto apenas por homens.

Nesta época, a todo instante “pipocava” um trio elétrico novo, mas os blocos iam para as ruas acompanhados somente de baterias ou grupos de percussão.

Foi aí que também apareceram as famosas cordas e as mortalhas para brincar o Carnaval.

Em 1965 por decreto presidencial é proibido o fabrico, a comercialização e o uso do lança-perfume, introduzido em nosso Carnaval desde 1906, importado inicialmente da França e depois da Argentina.

Carnaval nos anos 70

Os anos 70 fizeram com que o apogeu do Carnaval de Salvador fosse a Praça Castro Alves, onde todas as pessoas se encontravam e se permitiam fazer tudo. Foi a época da liberação cultural, social e sexual.

Até esta época, os trios elétricos eram mais veículos alegóricos, ornamentados quase que exclusivamente com bocas sedan de alto-falantes.

Os amplificadores eram feitos com válvulas e, em cima do trio, ficavam apenas músicos com a guitarra baiana, o baixo e a guitarra, não existindo ainda a figura do vocalista.

Ainda nos anos 70, Morais Moreira deu voz ao trio, candando Pombo Correio e os “Novos Baianos” ousaram e colocaram algumas caixas de som no trio, além de equipamentos transistorizados.

Baby Consuelo surgiu cantando com um microfone ligado ao cabo de uma guitarra.

A composição carnavalesca “Colombina”, de Armando Sá e Miquel Brito, é reconhecida oficialmente como o hino do Carnaval de Salvador.

Como se não bastasse tanta mudança, uma ainda mais radical ocorreu no Carnaval 74, com o surgimento do bloco “Afro Ilê Aiyê”.

A entidade que deu início ao processo de reafricanização da festa contribuiu com a aparição do afoxé “Badauê” e o renascimento do afoxé “Filhos de Gandhy”.

Era o começo do crescimento cultural do Carnaval de Salvador; que passou a enfatizar os conflitos e a protestar contra o racismo.

Em 1975 o trio elétrico “Dodô e Osmar” comemorou o jubileu de prata e retornou definitivamente à cena carnavalesca após um período de 14 anos afastado.

O trio voltou com uma nova formação incluindo o músico Armandinho, filho de Osmar, e mudou o nome para “Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar”.

Em 1976, surgiu, então, o trio elétrico “Novos Baianos”, introduzindo junto com o “Trio de Armandinho”, o swing baiano.

Em 1977, as escolas de samba que participavam do Carnaval de Salvador deixaram de desfilar.

Apesar dos blocos de trio terem surgidos no início da década, é em 1978 que o “Camaleão” inicia a superação do amadorismo vigente entre os primeiros blocos de trio, representando um marco na emergência deles no Carnaval de Salvador.

Foi neste mesmo ano que o uso da máscara, antes alegria e graça dos foliões, iniciou o seu processo de desaparecimento.

Adereço indispensável para complementar as fantasias de Carnaval, a máscara que em nosso convívio ficou mais conhecida como careta, serviu também para esconder dos olhares conhecidos e indiscretos a vergonha de um rosto eufórico.

Em 1979, aconteceu, então, o encontro entre o afoxé e o trio elétrico, com o surgimento da música “Assim pintou Moçambique”, de Moraes Moreira e Antônio Risério, desencadeando, assim, todo o processo do afoxé “eletrizado” da música baiana atual.

Carnaval nos anos 1980

No início dos anos 80, a transformação do Carnaval de Salvador se intensificou mais ainda e coube ao bloco “Traz Os Montes” introduzir algumas inovações, tais como a montagem de um trio elétrico com equipamentos transistorizados, instalação de ar condicionado para refrigerar e manter os equipamentos em temperatura suportável, retirada das bocas de alto-falantes, instalação de caixas de som de forma retangular, eliminação da tradicional percussão que ficava nas partes laterais do trio e inserção de uma banda com bateria, cantor e outros músicos em cima do caminhão.

Em 1981, o bloco Eva, surgido em 1980 e considerado uma das entidades mais irreverentes e inovadoras do Carnaval, decidiu radicalizar ainda mais do que o “Traz Os Montes” e contratou engenheiros para assinar o cálculo estrutural do novo trio e de todo o sistema de sonorização que importou dos Estados Unidos (como uma nova mesa de som e vários periféricos necessários para o perfeito funcionamento do trio e da banda). Assim, o Eva fez com que os outros blocos fossem obrigados a investir também em seus trios.

O público e a crítica passaram a notar claramente a diferença gritante entre os seus equipamentos e os demais, assim como a qualidade dos cantores e das bandas.

Neste mesmo ano o governador da Bahia assina o Decreto nº 27.811, que determina a suspensão do expediente nas repartições públicas na sexta-feira da semana anterior ao Carnaval.

Um ano depois, registrou-se a presença de tanta gente nas ruas de Salvador que os tradicionais freqüentadores da Praça Castro Alves (intelectuais, profissionais liberais e travestis) ficaram irritadíssimos com a invasão do tradicional reduto liberal. Neste ano, a mortalha começou a desaparecer como indumentária carnavalesca, tendo como opção o short, bermuda ou macacão.

No Carnaval de 1983, apareceram algo em torno de 30 a 40 ritmos novos.

Em 1988 pela primeira vez, um bloco afro de grande porte, o Olodum, desfila na Barra. O ano da comemoração alusiva ao centenário da abolição da escravatura no Brasil, cujo o tema foi “Bahia de Todas as Áfricas”.

Circuito de carnaval Barra-Ondina

O glamuroso circuito do mar, mais tarde batizado como Dodô – Barra-Ondina -, foi oficializado em 1992 e hoje é um dos pontos de maior efervescência do Carnaval de Salvador. Ali está a maioria dos camarotes, nova invenção dessa festa que vem se transformando ao longo dos anos.

Do Entrudo ao desfiles dois clube e Corsos, à chegada da influência afro-brasileira, no início com os afoxés; e da descoberta da guitarra baiana, que gerou os Trios Elétricos.

Com os trios, a explosão da maior manifestação popular do planeta – o Carnaval de Salvador – multiplica ritmos e batidas e consagra o saba-reggae e a axé music, produzindo milhares de músicos e artistas que trabalham incansavelmente pra surpreender os milhões de foliões que desembarcam na Capital da Alegria, vindos de todos os cantos do Brasil e do mundo para viver esse mágica maneira de ser feliz.

Cronologia do Trio Elétrico em Salvador da Bahia

“O Trio Elétrico, com seu som antropofágico, vai carnavalizando tudo. Desde os populares mais clássicos, até os clássicos mais populares.”

Década de 30

Existia em Salvador um conjunto musical, criado por Dorival Caymmi, que animava algumas festas e reuniões de fim de semana, e que se apresentava nas estações de rádio.

Começava, então, a fazer sucesso na Bahia o grupo Três e Meio, cujos integrantes eram o próprio Caymmi, Alberto Costa, Zezinho Rodrigues e Adolfo Nascimento – o Dodô. Em 1938, com a saída de Caymmi, o grupo reestruturou-se e passou a contar com sete componentes, incluindo Osmar Macêdo.

1942

Em apresentação na cidade de Salvador, o violonista clássico Benedito Chaves (RJ) mostrou pela primeira vez ao público local um “violão eletrizado”.

Dodô e Osmar, ávidos em conhecer tal instrumento, foram assistir ao show no cine Guarani e ficaram extremamente entusiasmados.

Embora fosse um violão comum, importado e com um captador inserido à sua boca, o instrumento era muito primitivo e possuía microfonia.

Dodô, porém, incansável na busca da superação deste problema, construiu em poucos dias um violão igualzinho ao de Benedito Chaves para ele, e um cavaquinho para Osmar.

Apesar da microfonia persistir, os dois uniram-se mais uma vez para formar a “Dupla Elétrica” e começaram a se apresentar em diversos lugares.

Num determinado dia, Dodô resolveu esticar uma corda de violão sobre a sua bancada de trabalho e prendê-la nas extremidades; sob a corda, colocou um microfone preso à bancada.

Quando a dupla ligou o microfone, algo inacreditável aconteceu um som limpo, que parecia até o de um sino. Estava, então, descoberto o princípio e logo foi possível perceber que o “cêpo maciço” evitava o fenômeno da microfonia – e assim, com o nome de pau elétrico, nasceu a guitarra baiana.

1943/49

A dupla elétrica passou, então, a tocar em clubes, festas e bailes, com seus próprios instrumentos.

1950

Na quarta-feira anterior ao Carnaval, o famoso “Clube Carnavalesco Vassourinhas do Recife”, com 150 componentes, apresentou-se em Salvador com metais, alguma madeira e pouca percussão.

Na manhã do dia seguinte à apresentação dos pernambucanos, Dodô e Osmar começaram a trabalhar no projeto de construção do que viria a ser o “trio tlétrico”.

Osmar, proprietário de uma oficina mecânica, retirou do galpão um Ford 1929, conhecido como “Fobica”, e iniciou o processo de decoração pintando em todo o veículo vários círculos coloridos como se fossem confetes e confeccionou em compensado, no formato de violão, duas placas com os dizeres “Dupla Elétrica”.

Dodô, com formação em radiotecnia, decidiu montar uma “fonte” que, ligada à corrente de uma bateria de automóvel, iria alimentar a carga para o funcionamento dos alto-falantes instalados na fobica (onde eles se apresentariam com os seus “Paus Elétricos”).

Em pleno domingo de Carnaval, a dupla subiu a ladeira da montanha em direção à Praça Castro Alves e Rua Chile, por volta das 16 horas, e arrastou milhares de pessoas. Dodô e Osmar, em cima da fobica decorada e eletronicamente equipada, fizeram, assim, sua primeira aparição como os inventores do trio elétrico.

1951

A dupla resolveu convidar o amigo e músico Temístocles Aragão para formar o que se chamaria de trio elétrico. O nome foi ganhando fama, fazendo com que, nos anos seguintes, as pessoas ouvissem o som eletrizante e dissessem: “Lá vem o trio elétrico”.

1952

A fábrica de refrigerantes “Fratelli Vita” decidiu patrocinar o trio elétrico de Dodô e Osmar e a dupla abandonou a velha fobica e passou para um veículo grande, colocando nele oito alto-falantes, corrente elétrica de geradores e iluminação com lâmpadas fluorescentes.

O patrocínio permaneceu até 1957 – época em que o trio elétrico de Dodô e Osmar apresentava-se nas ruas centrais de Salvador e animava carnavais fora de época no interior do Estado.

1953/58

Surgiram, então, novos trios elétricos tocando em cima de caminhonetes como o Ypiranga, Cinco Irmãos, Conjunto Atlas, Jacaré (posteriormente chamado de Saborosa) e o Paturi ( Feira de Santana/BA.)

1956

Surge o conjunto musical Tapajós (montado em uma caminhonete), primeiro seguidor e grande responsável pelo fato do trio elétrico, como estrutura física, ter se mantido e se expandido como fenômeno carnavalesco.

1957

O trio elétrico Tapajós anima o Carnaval no Subúrbio Ferroviário.

1958

O trio elétrico Dodô e Osmar ganhou o patrocínio da Prefeitura Municipal de Salvador.

1959

A convite do governador de Pernambuco, o Trio Elétrico de Dodô e Osmar saiu pela primeira vez da Bahia para tocar no Carnaval de Recife, sob o patrocínio da “Coca-Cola”.

1960

O trio elétrico Tapajós compra de Dodô e Osmar uma de suas carrocerias.

1961

O trio elétrico de Dodô e Osmar deixou de participar do Carnaval em virtude da morte do sogro de Osmar, Armando Costa, maior incentivador do grupo.

O Tapajós firmou o primeiro contrato comercial com a Coca-Cola para animar as micaretas das cidades de Feira de Santana, Pojuca, Catu e Alagoinhas.

1962

O Carnaval não teve mais uma vez a participação do trio de Dodô e Osmar; por outro lado, assistiu à estréia do Tapajós, desfilando pelas ruas centrais da Cidade.

1963

Com o patrocínio da Refinaria Mataripe, o trio de Dodô e Osmar voltou a participar do Carnaval de Salvador: era um carro alegórico, montado sobre uma carreta.

Armandinho, com apenas nove anos de idade, já era o solista do trio. No concurso de trios elétricos promovido pela Prefeitura, o vencedor foi o trio Tapajós, com uma nova carroceria totalmente metálica.

1964

Osmar resolveu construir uma miniatura de trio elétrico em uma pick-up Ford F-1000. A engenhoca era destinada a seus filhos e aos filhos de Dodô, os quais tinham todos no máximo 12 anos.

O trio elétrico Tapajós animou o Carnaval de Recife (PE) sob o patrocínio da Coca-Cola e do Departamento de Turismo do Recife.

1965

O mini-trio de Armadinho e Betinho voltou a comandar o Carnaval de Salvador. O trio elétrico Tapajós consagra-se campeão.

1966

O trio elétrico Tapajós foi aclamado bi-campeão.

1967

O Tapajós consagrou-se tricampeão do Carnaval de Salvador, em concurso promovido pela Prefeitura.

1969

Caetano Veloso lançou a música “Atrás do Trio Elétrico Só Não Vai Quem Já Morreu”.

O trio Tapajós lançou no mercado fonográfico o primeiro disco gravado por um trio elétrico e foi ao Rio de Janeiro para reforçar o lançamento nacional da música.

Em uma semana, a canção passou do sétimo para o segundo lugar nas paradas de sucesso e foi apresentada no programa televisivo “A Grande Chance”.

1972

Um histórico encontro na Praça Castro Alves ocorreu entre Osmar – que tocava no trio elétrico Caetanave – e Armandinho, que se apresentava em cima do trio Saborosa, fazendo o “Desafilho”.

O Tapajós homenageou Caetano Veloso, pela sua volta do exílio em Londres, com o lançamento da “Caetanave”,um trio com linhas arquitetônicas arrojadas, uma verdadeira obra de arte que, que com a devida proporção dos tempos, até hoje não foi superada.

Nas ruas, o público pôde apreciar os baianos Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa em cima do trio.

Surge o trio elétrico Marajós.

1973

O trio Tapajós animou o Carnaval da cidade de Curitiba.

1974

Depois de uma longa ausência, a dupla Dodô e Osmar retornou ao Carnaval com uma nova formação – “Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar”.

Na ocasião, eles gravaram um disco sob o título “Jubileu de Prata”, em comemoração aos 25 anos de criação do trio. O Tapajós – que havia gravado seis LP´s e dois compactos – foi animar o Carnaval de Belo Horizonte.

1975

Após sua estréia em 1950, a fobica voltou às ruas para comemorar o Jubileu de Prata do trio elétrico. Uma grande festa foi organizada para homenagear seus inventores, incluindo um desfile de vários trios elétricos puxados por Dodô e Osmar.

Especialmente montados e decorados para a parada, os trios saíram do Campo Grande e chegaram até a Praça Castro Alves, onde executaram em conjunto o “Parabéns a Você”. Em seguida, a dupla recebeu o troféu comemorativo ao jubileu pela criação da “máquina de gerar alegria”.

Em apoteóticas homenagens, a famosa dupla Dodô e Osmar despediu-se instrumentalmente do Carnaval.

A empresa Souza Cruz contratou dois trios da Tapajós para a cidade do Rio de Janeiro.

1976

O Tapajós animou os carnavais de Salvador, Belo Horizonte e Santos.

Surgiu, então, a empresa Tapajós Promoções Artísticas e Publicidade Ltda.

Durante show na Concha Acústica de Salvador, Armandinho lançou mais uma engenhoca de autoria de Dodô: uma guitarra de dois braços, batizada de Dodô e Osmar.

Surgiu pela primeira vez nas ruas de Salvador o trio elétrico dos Novos Baianos,equipamento que causou uma verdadeira revolução no cenário musical.

A sonorização do trio mudava completamente, aindo dos tradicionais amplificadores de vávulas e das cornetas Sedam para caixas acústicas, twiters e cornetas Snak.

A linguagem musical também sofreu mudanças, com os Novos Baianos cantando músicas do repertório popular. Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Betânia reuniram-se e batizaram o grupo com o nome de “Os Doces Bárbaros”.

1977

O trio elétrico Tapajós animou também o Carnaval em Brasília.

Através do lançamento da música “Pombo Correio”, o trio elétrico Dodô e Osmar foi especialmente decorado com uma gigantesca ave branca afixada na proa do veículo, que batia as asas ao ritmo do instrumental do trio.

1978

Morreu um dos pais do trio elétrico, Adolfo Nascimento, o Dodô.

Seu sepultamento foi acompanhado pelo trio Tapajós, envolto numa enorme faixa preta em sinal de luto, executando a Ave Maria de Gounot e a marcha fúnebre de Choppin, além do Hino ao Senhor do Bonfim.

Neste ano, aconteceu o casamento do som dos afoxés com o trio elétrico, graças a Moraes Moreira e ao seu parceiro e poeta Antônio Risério, com o lançamento da música “Assim Pintou Moçambique”.

1979

Três carros-trios da empresa Tapajós foram contratados por entidades carnavalescas de Salvador.

Na festa comemorativa do tricampeonato do Esporte Clube Flamengo, o trio Tapajós foi contratado para, ao som de um frevo especialmente composto por Moraes Moreira, arrastar uma verdadeira multidão de torcedores do Maracanã até a Gávea, atravessando quase toda a cidade do Rio de Janeiro.

1980

O trio elétrico Traz os Montes – na verdade, equipamento de uma entidade carnavalesca – desfilou pela primeira vez nas ruas de Salvador.

O Traz os Montes, por sinal, firmou-se como o trio que mais introduziu as novidades técnicas no Carnaval, possuindo um som extraordinariamente potente e de ótima qualidade e inovando com toda a aparelhagem transistorizada.

Com arranjo especial de Armandinho, a composição “Beleza Pura”, de Caetano Veloso, foi a música mais executada por todos os trios elétricos.

A cidade do Rio de Janeiro abriu suas festividades momescas com uma batalha de confete em Madureira, cuja atração principal era o trio elétrico Tapajós.

Na cidade de Natal(RN), começou-se a observar a presença de três trios elétricos no Carnaval, cujas construções tinham como consultor Osmar Macêdo.

1981

O novo trio de Armandinho, Dodô e Osmar teve como tema a música “Vassourinha Elétrica”, que, em poucas semanas, tornou-se sucesso de vendagem em todo o País. O trio elétrico Novos Baianos, comandado pela única cantora de trio, Baby Consuelo.

1983

Um trio elétrico construído na Itália foi inaugurado na Pizza Navona diante de 80 mil pessoas embaladas ao som da banda de Armandinho, Dodô e Osmar trieletrizado o “Império Romano”.

1985

Um outro trio elétrico foi construído na França para fazer o Carnaval em Toulouse.

1986

O trio elétrico Armandinho, Dodô e Osmar foi para a Copa do Mundo do México e, na volta, foi à França para percorrer várias cidades da Riviera Francesa, terminando em Lion.

1988

Foi criado o trio elétrico Espacial, com palco giratório e elevado automático.

1990

O trio elétrico completou 40 anos.

1992

Orlandinho, filho de Orlando Campos, resgatou o trio Caetanave e prestou uma homenagem à seu pai, promovendo neste Carnaval o encontro de gerações.

1997

O outro pai do trio elétrico, Osmar Macêdo, faleceu e teve seu sepultamento realizado com um cortejo de trios elétricos passando na Praça Castro Alves.

1998

Foi inaugurado, na Praça Castro Alves, monumento em homenagem à dupla Dodô e Osmar. A fobica voltou às ruas durante o Carnaval em homenagem a Osmar.

1999

O percussionista Carlinhos Brown retomou o projeto da Caetanave e trouxe um novo equipamento para as ruas de Salvador.

2000

A fobica e seus idealizadores serão mais uma vez homenageados no ano em que o trio elétrico completa 50 anos de existência

Axé Music

Axé Music começou com o som vindo dos tambores das entidades carnavalescas de origem africana em meados da década de 70.

Nesta época, a Bahia via surgir o bloco afro ” Ilê Ayiê ” e o afoxé ” Badauê ” e acompanhava ainda o renascimento do afoxé ” Filhos de Gandhy ” – depois, vieram os blocos afros ” Olodum e o Muzenza “.

O trabalho dos “afros” e “afoxés” com seus ritmos, cores e batuques, iria, então, exercer enorme influência nos artistas “criados” em cima dos trios elétricos, que no início dos anos 80, começavam a fazer suas produções próprias e independentes.

Apesar disso, o sucesso dos novos músicos limitava-se à Bahia, graças ao incentivo e à parceria fundamentais do estúdio WR, Itapoan FM e TV Itapoan. A hora deles, no entanto, não deixaria de chegar…

Em 1985, a canção ” Fricote “- composta por Paulinho Camafeu e interpretada por Luiz Caldas – explodiu e derrubou as barreiras existentes na mídia do Sul e Sudeste do País e fez com que o gênero denominado axé music conquistasse todo o Brasil.

Caldas e a banda Acordes Verdes abriram as portas da indústria fonográfica nacional para a música baiana. A axé music rompeu uma estrutura sólida e foi responsável pela mistura de diversos estilos musicais e rítmicos, quebrando conceitos e preconceitos na maneira de fazer o público dançar, se vestir, se comportar e se distrair.

Sem falar no impulso econômico que deu à economia baiana, através do lançamento e venda de milhares de CDs, da atração de turistas, da geração de empregos diretos e indiretos e do crescimento do Carnaval de Salvador.

A explosão das canções baianas foi ainda responsável pela reinserção da música brasileira nas rádios do País, já que as programações eram recheadas apenas por sucessos norte-americanos.

Foi também após o surgimento da axé music que apareceram estilos musicais genuinamente brasileiros, como o sertanejo da cidade de São Paulo, o pagode da cidade do Rio de Janeiro, a lambada do Pará e o pop da cidade de Recife.

Depois do sucesso inicial, o gênero continuou se espalhando e fez surgir os carnavais fora de época nos quatros cantos do Brasil, as quais vêm se expandindo a cada ano.

Embora muitas composições tenham sido lançadas nestes 20 anos da axé music, apresentamos os 20 hits mais tocados nesta trajetória. Fontes: Jornal A Tarde, Assessoria de Imprensa – Emtursa, W.R., Ricardo Chaves (cantor e produtor do CD “Luiz Caldas e Convidados – 20 Anos de Axé) e o Jornalista Osmar Martins.

ANO MÚSICA BLOCO e CANTOR

  • 1985 FRICOTE Luiz Caldas
  • 1986 EU SOU NEGÃO Gerônimo
  • 1987 FARAÓ, DIVINDADE DO EGITO Olodum
  • 1988 PROTESTO DO OLODUM Versão da Bandamel
  • 1989 BEIJO NA BOCA Banda Beijo
  • 1990 REVOLTA OLODUM Olodum
  • 1991 PREFIXO DE VERÃO Bandamel
  • 1992 BAIANIDADE NAGÔ Bandamel
  • 1993 DOCE OBSESSÃO Cheiro de Amor
  • 1994 REQUEBRA Olodum
  • 1995 AVISA LÁ Olodum
  • 1996 ARAKETU BOM DEMAIS Araketu
  • 1997 RAPUNZEL Daniela Mercury
  • 1998 A LATINHA Timbalada
  • 1999 JULIANA Pierre Onasis
  • 2000 CABELO RASPADINHO Chiclete com Banana
  • 2001 BATE-LATA Banda Beijo
  • 2002 FESTA / DIGA QUE VALEU Ivete Sangalo / Chiclete com Banana
  • 2003 DANDALUNDA Margareth Menezes
  • 2004 MAIMBÊ DANDÁ Daniela Mercury
  • 2005 CORAÇÃO Rapazolla
  • 2006 CAFÉ COM PÃO Vixe Mainha
  • 2007 QUEBRAÊ Asa de Águia
  • 2008 TODA BOA Psirico

História e Cronologia do Carnaval de Salvador da Bahia

Bahia.ws – Gua de Turismo do Nordeste, Bahia e Salvador

Leave a Comment

You have to agree to the comment policy.

*

7 + dezenove =

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Hide picture