Renda de bilroA renda de bilro é fonte de complemento orçamentário, de distração e elo entre as mulheres que marcam a história do Nordeste e o Morros da Mariana.

A renda, presente em roupas, lenços, toalhas e outros artigos, têm um importante papel econômico nas regiões Norte, Nordeste e Sul.

A chamada renda de almofada ou de bilros é desenvolvida pelas mãos das rendeiras que trabalham com uma almofada, um papelão cheio de furos, linha e bilros (pequenas peças de madeira semelhantes a fusos).

Trazida pelos portugueses e pelos colonos açorianos, esta técnica é um trabalho tradicional de vários pontos do litoral brasileiro.

As rendas são feitas em cima de uma almofada recheada com palha de carnaúba, onde é colocado um desenho que serve como molde para o trançado dos bilros.

Para fazer o bordado, as rendeiras utilizam pedaços de madeira colados a um coco típico da região conhecido como ‘tucum’.

Os papelões são passados de geração a geração e alguns motivos são exclusivos de uma família. Apesar de a renda não ser um produto originalmente brasileiro, tornou-se um produto local através da aculturação.

A renda, cuja origem histórica remonta dos séculos XV e XVI, e cuja paternidade é reivindicada por Flandres e Itália.

Flandres se intitula com inventora da renda de bilro e a Itália exige a patente da renda de agulhas, de onde se originou a renda renascença.

renda de bilro no nordeste - rendeira

Como primeira categoria de renda, se encontram as rendas confeccionadas com o bilro, denominadas “rendas de bilro”.

O bilro é um pequeno instrumento composto por uma curta haste cuja ponta apresenta um formato esférico. Na outra ponta da haste é presa uma quantidade de linha, que no manuseio do artesão, vai sendo presa a um design padrão ou desenho da renda a ser desenvolvido.

A produção desse tipo de renda requer o uso de vários bilros, cuja quantidade varia conforme a complexidade do desenho. A renda de bilro é produzida em cima de almofadas repousadas sobre o colo da artesã, ou assentada em cavalete de madeira à sua frente.

O fio usado pelas rendeiras de bilro é o algodão, predominando o uso da cor branca, pela tradição e por não dificultar a visão. O molde utilizado é denominado “pique”.

Os modelos de desenho são antigos, sendo repassado de uma geração para outra. Para obter modelos novos, as rendeiras emprestam os piques entre si, ou conseguem
amostras de outros lugares. Algumas raras rendeiras fazem a renda de cabeça, sem utilizar molde.

As rendas criadas podem tomar diversas formas:

1) bicos ou pontas que irão ser usados para enfeitar beiras de tecidos, ou para ser aplicado entre dois pedaços de tecido

2) colchas, toalhas, centros de mesa e guardanapos

3) rendas na forma de flores, corações, leques, entre outros, para aplicações em tecido, para enfeitá-lo

4) palas: peças inteiras, que serão utilizadas sobre decotes de camisolas, blusas e vestidos.

As atividades de renda e bordado constituem o artesanato predominante no Ceará, presente em cerca de 104 municípios.

Conforme o Sistema de Acompanhamento da Central de Artesanato do Ceará SAC–CEART, quanto a tipologia “renda de bilro” estão cadastrados 700 artesãos, onde nesse universo, 99,4% são mulheres e 0,6% são homens.

Registros apontam que essa tipologia existe no Ceará desde a colonização, tendo se espalhado pelo interior e em áreas do litoral, concentrando-se principalmente nos municípios de Aquiraz, Aracati, Beberibe, Acaraú e Trairi.

O desenvolvimento do artesanato pode se tornar uma marca da região. Assim ocorre para o distrito da Prainha com a Renda de Bilro, situada no município de Aquiraz.

O município de Aquiraz possui mais de três séculos de existência, e uma população estimada de 80.000 pessoas residentes.

O forte apelo turístico e um histórico relacionado ao artesanato destacam-se como suas características relevantes.

Renda de Bilro no Nordeste

 
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