turbanteO turbante para muitos é símbolo de cultura e beleza negra, mas esse acessório, repleto de significados e funções, também é utilizado por povos do oriente.

O turbante é para muitos símbolo de cultura e beleza negra, mas além da África outros povos e culturas também utilizam esse acessório repleto de significados e funções. Para nós ele além de lindo e prático é sinônimo de atitude.

Fomos pesquisar a história do turbante e encontramos muitas coisas! Pensando em melhorar sua leitura, dividimos esse post em dois: Oriente; África, Brasil e Moda. Hoje você lê uma parte e no sábado a outra. Esperamos que curta e se inspire na beleza do turbante.

Parte I: Oriente

Onde e quando ele surgiu até hoje não se sabe ao certo, mas é sabido que existia antes do ano 570DC, ou seja, antes do nascimento de Maomé e da fé islâmica. E nela o turbante tem uma função religiosa importante. É um símbolo material que reforça a consciência espiritual, uma fronteira entre a fé e a descrença.

Tipos de turbantes no oriente

Tipos de turbantes no oriente

Uma vez que é na cabeça que as decisões entre bem e mal, certo e errado, verdadeiro e o falso ocorrem é ela que sustenta a opção dá fé. É como se o kawrah (turbante) envolvesse e protegesse os pensamentos. Ele é usado apenas pelos homens e hoje esse tipo de turbante e seu uso é associado aos atentados terroristas, infelizmente.

Porém o turbante também é o principal símbolo da fé Sikh, religião monoteísta indiana. Nela os homens e mulheres não devem cortar os cabelos e sim utilizar os turbantes para envolvê-los. E no dia mundial do turbante (13 de Abril) os homens Sikh exibem seus exuberantes turbantes com orgulho e como exemplo para as novas gerações para que o hábito e a religião não se percam.

Ainda na Índia os turbantes são utilizados para proteger a cabeça do clima severo do deserto, representam sem nenhuma palavra a casta de quem o usa, o status financeiro e a religião. Dizem que no Rajasthan, maior estado indiano, a cada 12 km o dialeto e os estilos dos turbantes mudam! Uau! Os principais tipos são o Safa, uma tira de tecido de cerca de 9m de comprimento e 1m de largura, e o Pagdi, que tem cerca de 1,50m por 1m de largura.

Culturalmente por lá, tirar um turbante e colocá-lo sobre os pés de alguém é um sinal de submissão e ao trocá-lo com alguém você estará cimentando laços de irmandade. De tão importante, na cidade de Jaipur, existe o museu do turbante e muitos turistas vão até lá para comprar um original.

Os reis utilizaram no passado e os marajás também ditando a moda para a população. Hoje continua sendo usado e é item indispensável nas cerimônias de casamento sendo usado pelo noivo.

O turbante faz parte da cultura oriental, africana e brasileira, além de aparecer em desfiles de moda. Aprenda, use e abuse desse acessório super estiloso.

Muito mais do que um simples pedaço de pano, o turbante, tem uma história riquíssima! Além dos povos do oriente ele também faz parte da cultura africana, brasileira e vira e mexe aparece nos desfiles de moda. Continuando nossa pesquisa sobre ele (veja a parte I desse post), hoje temos mais um pouco dessa sutil ferramenta de comunicação, dessa indumentária secular, desse acessório prático, moderno, descolado, glamuroso, simples, chique e etc…

Parte II: África, Brasil e Moda

Na África os tecidos enrolados no corpo fazem parte da cultura e os turbantes fazem parte dessa indumentária complementando o conjunto. São utilizados por homens e mulheres e na África Negra, os chamados turbantes gelê tem funções sociais, religiosas e claro, fazem parte da moda.

Aprenda a fazer um turbante para se enfeitar no carnaval:

Existe também o que pode ser usado como turbante enrolado na cabeça, enrolado na cintura das mulheres ou sustentando crianças nas costas da mãe e que nas religiões africanas além de turbante, pode ser usado rodeando o busto e terminando num laço (na roupa de alguns Orixás), amarrado com um grande laço ao redor dos atabaques em cerimônias importantes, atado ao tronco de uma árvore sagrada (sua cor pode varia conforme o Orixá).

A imagem da baiana foi apresentada pela Carmem Miranda

A imagem da baiana foi apresentada pela Carmem Miranda

O turbante, ojá ou torço chegou ao Brasil, dada a influência africana, aqui se trata de uma manta que se enrola na cabeça e que compõe o traje das baianas, uma das principais figuras típicas do país, mulheres batalhadoras que regularizaram sua profissão.

Além disso, assim como na África ele também tem função religiosa, sendo utilizado no candomblê, umbanda, xangô do nordeste com as mesmas finalidades, variando o número de abas de acordo com o Orixá. Representa senioridade e respeito e serve de proteção para os filhos de santo, principalmente para as mulheres.

Na moda, em 1930 o estilista francês Paul Poiret, inspirado pela indumentária oriental e nos figurinos exóticos, introduziu o acessório na alta costura fazendo a cabeça de várias mulheres sofisticadas e artistas, entre elas Simone de Beavouir e Greta Garbo. Logo depois foi a vez de Carmen Miranda popularizar o acessório no Brasil.

Prático, durante a segunda guerra mundial, muitas mulheres utilizavam o turbante para esconder o mal trato dos cabelos.

Na década de 60 o movimento do orgulho negro que teve origem nos Estados Unidos fez com que o uso do turbante novamente voltassse ao cenário como uma forma de afirmação para o povo negro.

Recentemente apareceu em desfiles de grifes famosas como a Prada e voltou a estar na moda no ocidente.

Traje e o Turbante da Baiana

Na Bahia de Todos Os Deuses, com seus trajes pomposos, turbantes (torços), panos da costa, batas (blusa comprida e solta), saias rodadas (brancas ou de estamparia colorida) com muitas anáguas rendadas e engomadas, pulseiras e colares na cor do seu orixá, as negras de ganho criaram um tipo físico que se tornou tradicional.

Traje da baiana

Traje da baiana

O traje que costumamos chamar de baiano reflete a influência da cultura africana no Brasil aliado ao rebolado e a ginga do corpo. O turbante e os balangandãs indicam elementos da cultura islâmica predominante no Norte da África (Sudão).

As pencas de balangandãs integraram as roupas tradicionais das negras mucamas dos séculos XVIII e XIX. Balangandã é o ornamento de contas coloridas ou amuleto, em forma de figa, fruta, medalha, moeda, chave ou dente de animal; pendente de argola, broche, brincos ou pulseira de prata, usado pelas baianas em dias festivos.

Figas, dentes e guias são usados como amuletos para proteção, louvação ou combater o mau-olhado. A figa, particularmente, é um amuleto em forma de mão fechada, com o polegar entre o indicador e o dedo grande, usado como ornamento pessoal, da casa ou estabelecimento comercial.

Na África, o pano da costa era apenas um complemento da vestimenta das mulheres negras, e não tinha conotações religiosas. A partir do século XIX, no Brasil, é que começou a ter ligação com as celebrações do Candomblé. Na África, é denominado alaká ou pano de alaká. No Brasil, ficou conhecido como pano da costa porque vinha da Costa do Marfim (África) e também por ser usado nas costas.

Os primeiros panos da costa vieram no corpo das escravas, que não tinham roupa e eram vendidas enroladas no pano. Depois, os panos foram tecidos aqui mesmo por escravos ou por seus descendentes, em teares manuais e rústicos vindos para o Brasil no século XVIII. Tecido em tear manual, o pano da costa é formado por tiras de dois metros de comprimento cada uma, com largura variando entre 10 a 15 centímetros. As tiras são depois costuradas uma a uma.

Branco não é a cor predominante no pano da costa que, geralmente, é listrado ou bordado em alto-relevo e colorido com padronagens variadas dependendo do orixá de cada nação. Os filhos de santo usam o alaká enrolado no tronco. As mães escravas traziam durante as horas de trabalho seus bebês escanchados (com as pernas em volta da cintura) às costas e presos por um alaká.

As “baianas” atuais descendentes de africanos (das tribos ioruba, nagô, mina, fula, haussá) são as que mais se esmeram no trajar.

As nagô, cuja presença maior se nota nos candomblés, são baixas e gordas. Usam cores vivas, berrantes. Saia ampla toda estampada.

A baiana-mulçumana (do Sudão da África), alta e esguia, usa o traje branco imaculado. Às vezes, no ombro um “pano da Costa” rústico.

E, hoje, como traje e figura típica da Bahia, tão cantada por Dorival Caymmi, podemos ver a baiana pregoeira com seus coloridos tabuleiros de comidas típicas e doces, nas ruas, ladeiras e praias de Salvador, ou em ritos de Candomblé e Umbanda e festas religiosas, como a Lavagem do Bonfim.

Em Salvador, no dia 25 de novembro, quando se comemora o Dia da Baiana, é celebrada uma missa na Igeja de N. Sra. do Rosário dos Pretos e manifestações culturais como: Samba de Roda, Capoeira, Olodum e Afoxé, no Memorial das Baianas.

A baiana é uma figura que traz consigo os elos da herança ancestral africana – a oralidade, a culinária, a crença, o misticismo, a dança, a ginga e, sobretudo, a cor. É preciso ter sangue ancestral pra saber o que é que a baiana tem.

Turbante é história, religião, moda e cultura.

Guia de Turismo e Viagem do nordeste, Bahia e Salvador

 
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