História e Arquitetura da Catedral da Sé de Olinda

A Catedral da Sé de Olinda, também conhecida como Igreja de São Salvador do Mundo, está situada no Sítio Histórico de Olinda, ocupando posição de destaque na paisagem da cidade. Além de ter sido a primeira edificação religiosa construída pelos portugueses em sua chegada à Capitania de Pernambuco, emerge do alto de uma colina, desfrutando de visibilidade privilegiada para o sítio histórico e para a cidade vizinha do Recife.

O mês de agosto é dedicado ao padroeiro São Salvador do Mundo, quando ocorrem festividades religiosas.

Fundada em 1540 com a denominação de Matriz do São Salvador, constitui o mais antigo templo religioso da vila de Olinda, marcando a presença portuguesa no nordeste brasileiro.

Com a construção simples, em madeira e taipa de mão, teve o partido inicial composto de nave (interior das igrejas, que vai desde a porta fronteira até o altar-mor), capela-mor e sacristia (dependência próxima ao altar-mor, para a guarda dos paramentos litúrgicos e objetos sagrados).

Posteriormente, sucessivas reformas e ampliações foram moldando o templo, que chegou em 1584 dispondo de três naves e capelas laterais.

Em seguida, foi projetada a abóbada (é todo teto côncavo e abóbada de berço é uma variação do teto côncavo) da capela-mor e ampliadas a nave, a sacristia e a torre sineira, chegando à conclusão das reformas em 1621.

A posição privilegiada desse templo em relação à antiga vila de Olinda e o seu caráter de destaque na paisagem foram registrados em diversos desenhos e gravuras antigas, com as mais distintas técnicas artísticas, sempre em generosas proporções.

Com a invasão holandesa na vila de Olinda, em 1630, seguida do incêndio que arruinou boa parte das edificações civis e religiosas, em 1631, a Matriz do São Salvador do Mundo foi às ruínas.

Vista de Olinda da Igreja da Sé de 1662
Vista de Olinda. Óleo sobre tela de Frans Post, 1662. A Igreja da Sé, parcialmente destruída, é representada nesta pintura.

Apenas após 1656, quando eclodiu a Restauração Pernambucana, é que foram iniciadas as obras de reconstrução do templo, que consistiam em ampliações e intervenções sucessivas, consecutindo, vinte anos depois, exatamente em 1676, na elevação da igreja paroquial à catedral, sendo então inaugurada no ano seguinte.

Durante a ocupação holandesa, foi parcialmente destruída, mas continuou sendo utilizada para o culto católico, como ficou registrado pelo pintor holandês Frans Post. A igreja foi reconstruída após o período holandês e elevada a Catedral em 1676.

Remete-se a 1740 uma provável data da introdução de azulejaria portuguesa nas paredes laterais da nave, hoje não mais existentes.

Em 1911 ocorreram remodelações no templo que o modificaram radicalmente, tanto em relação à sua decoração interna, como na fachada principal e volumetria, sendo concluídas em 1919, após algumas paralisações.

Essa polêmica intervenção seguiu o projeto do arquiteto Rodolfo Lima, que optou pelo estilo neo-gótico de restauração arquitetônica.

Após 1930, a Igreja da Sé sofre nova alteração de suas feições, então empreendida pelo Arcebispo Dom Miguel de Lima Valverde, transformando-se em estilo neo-barroco ao gosto germânico, acentuando a verticalidade das torres sineiras.

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O resultado alcançado distanciou-se de sobremaneira do caráter da arquitetura luso-brasileira.

Entre 1974 e 1978 foi realizada a mais recente obra de restauração profunda na Igreja da Sé, custeada pelo antigo Programa de Restauração das Cidades Históricas do então SPHAN. Todo o projeto, de autoria do arquiteto José Luiz da Mota Menezes, foi conduzido por pesquisas históricas e arqueológicas, adquirindo o templo a feição atual.

Embora as sucessivas reformas e intervenções no monumento ao longo do tempo tenham ocasionado em perda ou retirada de vários de seus bens integrados essenciais de serem conservados, essa igreja ainda tem guardado um partido arquitetônico e uma importância histórica de grande singularidade em Olinda.

Os azulejos das paredes laterais da nave, as ricas talhas e pinturas, além do altar e do retábulo (construção de talha de madeira ou pedra, em que se encosta um altar, possuindo nichos para imagens ou caixilhos para quadros) da capela-mor, os painéis artísticos lá existentes, os forros da nave, entre outros elementos, foram em parte perdidos e em parte, transferidas para museus da região.

Essa e outras razões têm justificado as perdas de integridade do monumento histórico.

Aspectos arquitetônicos da Catedral da Sé de Olinda

A Igreja de São Salvador do Mundo, ou Catedral da Sé, dispõe de partido arquitetônico assemelhado à influência do Maneirismo italiano.

Igreja de São Salvador do Mundo ou Igreja da Sé de Olinda
Igreja de São Salvador do Mundo ou Igreja da Sé de Olinda

É composto de três naves, com a nave principal de largura mais generosa do que as demais, inclusive se destacando volumetricamente das naves laterais e delimitada por generosas arcadas (passagem com pelo menos um dos lados com sucessão de arcos).

A nave principal ainda possui forro em madeira projeado em abóbada6 de berço. Faceando as naves laterais, em cada lado, foram dispostas quatro capelas profundas.

Em sua concepção atual, não foi projetado o nártex (alpendre contíguo à igreja, coberto e delimitado por arcadas ou colunatas) ou coro (local situado acima da porta de acesso e no início da nave, para canto ou reza do coral), assim como também não foram introduzidas tribunas (espécie de varanda de onde se assiste as cerimônias religiosas) nas paredes laterais da nave.

O piso de toda a igreja é em tijoleira e o telhado das três naves é em concreto armado, tendo as naves laterais forro em madeira inclinado, entretanto sem ornamentos.

As aberturas existentes no forro da nave principal permitem a passagem transversal de iluminação natural, que é complementada pela abertura do óculo (abertura ou janela circular ou oval em empenas ou frontões, que propicia a iluminação e a ventilação internas) da fachada principal, conduzindo a um banho de luz no altar-mor.

Interior da Catedral da Sé de Olinda
Interior da Catedral da Sé de Olinda

No transepto (nave transversal como um braço de uma cruz, que separa a capela-mor das naves da igreja), estão sepultados os restos mortais de D. Hélder Câmara, antigo arcebispo de Olinda e Recife.

A atual capela-mor é em alvenaria e não apresenta elementos estilísticos seculares; é singela e ausente de ornamentos. Sua coberta é em cúpula, e também sem adornos.

No entanto, o destaque se dá pelo crucifixo e cadeiral em madeira.

A Sacristia é ampla e bem ornamentada. Possui um extenso mobiliário em jacarandá, utilizado para a guarda dos paramentos, além de um lavatório em mármore e do forro pintado.

No pavimento superior, acima da sacristia, encontra-se a Sala das reuniões capitulares.

A última intervenção da fachada principal seguiu a documentação iconográfica de fins do século XIX, em que evidenciava a existência de duas torres no monumento.

Sacristia da Catedral da Sé de Olinda
Sacristia da Catedral da Sé de Olinda

Em correspondência a tais registros, foi projetada de modo simétrico, bastante sóbria, sem rebuscamento, tendo uma portada principal com cercaduras (molduras ou frisos de arremate de superfície ornamentada) em pedra e colunas para conferir destaque.

As portas laterais, almofadadas (retângulos reentrantes ou salientes em esquadrias, que podem ou não ser decorados) como a portada central, conduzem às naves laterais.

O frontão (arremate superior triangular nos edifícios clássicos, com três partes: a cimalha, a empena e o tímpano) é simples e sem ornamentos, apresentando apenas um óculo central e uma cruz, tendo pináculos ( o ponto mais alto de um edifício) nas extremidades.

As torres sineiras dispõem de secção quadrangular e coberta piramidal, com pináculos também nas extremidades.

O adro (aespaço aberto em frente à Igreja, podendo ser murado ou cercado) e da igreja apresenta proporções generosas, sendo cercado por mureta e revestido em piso de pedra.

Terraço da Catedral da Sé de Olinda
Terraço da Catedral da Sé de Olinda

Ainda para destacar a imponência do monumento na paisagem, o traçado urbano que abarca o templo e segue pelo alto da colina e pelas ladeiras privilegiou um grande largo em sua frente, o que favorece sua visibilidade à distância.

Anexo à Igreja existe uma casa que se integra ao conjunto pelo seu caráter antigo. Possui dois pavimentos, com vãos nas fachadas emoldurados em cercadura de pedra.

Em uma das fachadas foi projetado um pequeno terraçof alpendrado e uma área externa descoberta, contígua à tal casa e ao monumento religioso.

Essa área constitui um destino certo de visitação turística, pela possibilidade de vislumbrar a paisagem histórica de Olinda de uma situação bastante especial,

sendo possível ainda o desfrute da cidade do Recife, pela permeabilidade visual que o sítio de Olinda oferece.

A partir de meados da década de 1970, quando se iniciou uma grande intervenção arquitetônica e urbanística na igreja e no seu entorno, consecutindo na sua valorização, foram registradas ocupações informais no espaço público da praça em frente ao monumento.

Mesmo com os sucessivos esforços de deslocamento desse comércio irregular, então conhecido por “Feirinha da Sé”, até então se encontra presente, caracterizado pela venda de artesanato local, bebidas e tapiocas, atraindo a curiosidade de turistas e visitantes.

Mesmo com o registro de perda de boa parte de seus bens integrados, a Igreja da Sé ainda guarda relevantes exemplares da imaginária e do antigo mobiliário em seu interior.

É de se destacar a imagem do São Salvador do Mundo afixada em uma das suas colunas da nave e os demais acervos espalhados em suas capelas laterais.

História e Arquitetura da Catedral da Sé de Olinda

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