Olinda tem valioso casario colonial, arquitetura, história e carnaval

Olinda em Pernambuco
Olinda em Pernambuco

Olinda em Pernambuco é uma das mais importantes cidades históricas brasileiras, Olinda reúne valioso casario colonial e sedia uma das mais animadas festas de Carnaval do país.

É, ao mesmo tempo, a cidade dos frades e freiras, dos foliões desvairados, dos guias-mirins de fala veloz, dos artistas plásticos e dos músicos populares; é, ainda, lugar para contemplar o mar e os coqueirais banhados de sol revelados pelos seus mirantes, de onde se vê também a capital pernambucana , distante apenas 7 quilômetros.

Fundada pelo donatário português Duarte Coelho em 1535, depredada e incendiada com a invasão holandesa em 1631 e reconstruída durante a Restauração Pernambucana, em 1654, Olinda divide-se em duas partes: a baixa, plana, à beira-mar, hoje cidade-dormitório para quem trabalha em Recife, e a alta, esta sim histórica, declarada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco em 1982.

Olinda de Pernambuco - Merian, Matthaus, 1634
Duas plantas das colônias açucareiras portuguesas no Brasil durante a invasão holandesa em 1630. A vista superior mostra a cidade de Olinda com duas figuras em primeiro plano exibindo um pano sobre o qual estão expostas a chave com quatorze nomes de prédios. Abaixo, uma vista offshore mostra a frota holandesa atacando o porto e o forte. Um problema incomum.

A despeito do título, a cidade sofre com os efeitos da exploração imobiliária indevida e do crescimento urbano desordenado em seus arredores, bem como o avanço do mar, que dia a dia compromete suas construções.

Andar pelas belas ladeiras de Olinda requer disposição e um pouco de paciência e cuidado – turistas são freqüentemente assediados por ambulantes e guias.

As praias de Olinda, com infra-estrutura, em geral ficam muito cheias, e o calçadão convida a uma boa caminhada.

Mapa centro histórico de Olinda PB
Mapa centro histórico de Olinda PB

A arquitetura de Olinda surge dentre os esplendores da natureza tropical. O oceano aparece no fundo do quadro, por trás das torres e dos coqueiros. Entre as ruelas, vegetação tropical enche a colina.

Videos sobre “A cidade de Olinda PB”

Pontos turísticos de Olinda PE

MIRANTES

Por toda a cidade há brechas para vistas maravilhosas: nos quintais de restaurantes, nos becos, no fim de cada ladeira, descortinam-se casas, árvores e o mar.

Dois mirantes são bastante tradicionais: o da igreja de Nossa Senhora da Misericórdia e o do Alto da Sé, ambos alcançados a pé pela ladeira da Misericórdia – a diversão é subi-la de costas (cuidado com os paralelepípedos irregulares!) para ver a paisagem ” crescer” aos poucos.

A ladeira da Sé é menos íngreme, mas não tem o mesmo charme.

No alto fica a igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, diante da qual se estendem bancos sinuosos.

Deles, o visitante vê os célebres quatro cantos de Olinda (ponto onde se cruzam as quatro ruas principais da cidade: a ladeira da Misericórdia, a rua Bernardo Vieira de Melo, a rua Prudente de Moraes e a rua do Amparo) e o conjunto de casas permeadas por altos coqueiros e mangueiras de copas frondo sas; as torres das igrejas seguidas do mar e, mais ao longe, o porto e a cidade de Recife, com um trecho do rio Capibaribe.

O Alto da Sé, a um quarteirão, é o ponto mais alto de Olinda. Ali, onde Duarte Coelho ergueu sua casa há muito desaparecida, se tem a melhor vista da vizinha Recife.

Podem-se contemplar os telhados do antigo casario e as torres das igrejas da Cidade Alta.

A sugestão é, no fim de tarde, assistir tranqüilamente ao pôr-da-sol e zanzar pela feirinha do Alto da Sé, onde se saboreiam tapiocas crocantes ou queijo de coalho assado na hora.

RUA DO AMPARO

Rua do Amparo em Olinda PE
Rua do Amparo em Olinda PE

A tradicional rua do Amparo concentra ateliês, museus e lojas.

MERCADOS DE OLINDA

Mercado da Ribeira em Olinda PE
Mercado da Ribeira em Olinda PE

Segundo a lenda, o Mercado da Ribeira era ponto de comercialização de escravos. Não é verdade; no antigo prédio do iIúcio do século XIX vendiam-se apenas frutas e hortaliças.

Atualmente funciona ali uma feira, com dezesseis boxes que oferecem peças de artesanato e obras de artistas locais (rua Bernardo Vieira de Melo, s/n, Varadouro).

O Mercado Eufrásio Barbosa, na entrada da cidade, foi sede da Casa da Alfândega Real, onde eram vendidos produtos vindos da Europa no século XVII.

Hoje, reúne lojas de artesanato, lanchonetes e casas que vendem alimentos diversos, além de um teatro com 250 lugares, sede do maracatu Nação Pernambuco, que abre nos fins de semana para apresentações de grupos locais (largo do Varadouro, s/n, Varadouro).

MUSEU DE ARTE SACRA DE PERNAMBUCO

MUSEU DE ARTE SACRA DE PERNAMBUCO
MUSEU DE ARTE SACRA DE PERNAMBUCO

O Museu de Arte Sacra em Olinda esta muito bem localizado no alto da Sé, o prédio do século XVI já foi Câmara, residência oficial do bispo, colégio, quartel e abrigo para freiras.

Seu acervo abrange pinturas coloniais feitas por índios, em ateliês administrados pelos jesuítas em Bogotá, Cuzco, La Paz, Quito e em outras cidades coloniais, além de imagens de madeira, argila e gesso esculpidas por artistas populares.

Há uma sala dedicada a mapas antigos e uma relação dos monumentos de Olinda. O museu oferece visitas monitoradas. Rua Bispo Coutinho, 726, Alto da Sé.

MÁSCARAS E BONECOS

máscaras de papel machê
máscaras de papel machê

As coloridas máscaras de papel machê criadas por mestre Julião retratam figuras humanas com feições exageradas, animais ou diabos com notáveis chifres.

A família do artista, falecido no fim da década de 1990, continua produzindo as máscaras, que são vistas com freqüência no rosto dos foliões, que brincam no meio do Carnaval de Olinda, ou mesmo dentro das casas, como peça decorativa.

Elas são encontradas no ateliê Julião das Máscaras (av. Joaquim Nabuco, 1102, Varadouro).

Os bonecos gigantes, produzidos principalmente pelo artista plástico Silvio Botelho, são outra tradição do Carnaval olindense.

Eles têm, em média, 3,6 metros de altura e pesam até 50 quilos. O ateliê está fechado, mas o artista aceita encomendas; os bonecos, que custam cerca de RS 3 mil cada um, levam uma semana para ficar prontos ((rua do Amparo, 45, Carmo).

O Museu do Mamulengo, localizado próximo ao mercado da Ribeira, possui um acervo de grande valor cultural, composto por mais de setecentos bonecos (rua São Bento, 344, Varadouro).

O CARNAVAL PELAS LADEIRAS DE OLINDA

Escolas de samba, troças, ursos, afoxés, maracatus rurais e nação, grupos de caboclinhos, blocos de bonecos e agremiações diversas alternam-se no Carnaval de Olinda, arrastando cerca de 2 milhões de foliões pelas ladeiras históricas da Cidade Alta.

A brincadeira inicia-se pela manhã e cessa na madrugada. Estima-se que haja cerca de 350 agremiações, cada qual com sua orquestra, motivos, cores, perfil, dia e hora para desfilar – a programação completa, que fica pronta cerca de quinze dias antes da festa, circula por hotéis, pousadas, restaurantes e espaços públicos.

A prefeitura dividiu a cidade em pólos temáticos (frevo, maracatu) que podem mudar de nome a cada ano. Entre as agremiações tradicionais figuram Pitombeira dos Quatro Cantos , Elefante, Vassourinhas, Lenhadores, Grêmio Lítero Recreativo Eu Acho é Pouco, Enquanto Isso na Sala de Justiça e o Bacalhau do Batata, que encerra o Carnaval na quarta-feira.

Segunda-feira é dia do encontro dos maracatus, que se inicia no bairro Cidade Tabajara rumo às ladeiras de Olinda. O colorido fica por conta das criativas fantasias, entre elas as masca ras de papel machê do ateliê de Julião das Mascaras, além das produções individuais que evocam de superheróis a personalidades mundiais.

Os bonecos gigantes são uma atração ir parte. Um deles, o Homem da Meia-Noite, criado em 1932, abre a festa ir meia-noite do sabado.

Na terça-feira ocorre o tradicional Encontro de Bonecos, quando podem ser vistos outros integrantes da família, desfilando com orquestras de frevo: a Mulher do Meio-Dia, de 1967, o Filho do Homem da Meia-Noite, de 1980, o Menino e a Menina da Tarde, de 1974.

CASA DA RABECA DO BRASIL

O espaço Casa da Rabeca em Olinda funciona na oficina de mestre Salustiano, ou simplesmente mestre Salu, profundo conhecedor da cultura popular pernambucana; seu pai, Manuel Salustiano Soares, foi fundador da tradicional agremiação Maracatu Piaba de Ouro.

Mestre Salu, responsável pela preservação do maracatu rural, do coco, das cirandas e dos caboclinhos, promove o tradicional encontro de maracatus de baque-solto e baque-virado durante o Carnaval de Olinda.

A Casa da Rabeca tem vasta programação de shows com artistas populares o ano inteiro, sobretudo grupos de forró pé-de-serra e repentistas. Rua Curupira, 340-B, Cidade Tabajara.

IGREJA E MOSTEIRO DE SÃO BENTO

IGREJA E MOSTEIRO DE SÃO BENTO
IGREJA E MOSTEIRO DE SÃO BENTO

A Igreja de São Bento em Olinda com suas pesadas portas de jacarandá, a igreja figura entre as mais ricas de Olinda: o altar-mar tem bela talha de cedro dourada a ouro, e o painel no teto narra a vida de são Bento.

Também chamam a atenção as colunas de arenito que suportam o pesado coro, os púlpitos bem trabalhados e a rebuscada sacristia.

O conjunto, de estilo predominantemente barroco, foi erguido no fim do século XVI, incendiado pelos holandeses em 1631 e restaurado em 1761. No século XIX, a construção abrigou uma das primeiras escolas de Direito do país.

Aos domingos, às 10 horas, os 27 monges abrem as portas da igreja e acompanham a missa com canto gregorIano. Rua de São Bento, s/n, Varadouro.

CIRCUITO DAS ARTES

Nas ladeiras de Olinda encontram-se ateliês de vários artistas plásticos, alguns dos quais têm uma trajetória que se confunde com a história da arte no país. Parte deles recebe visitantes em horários preestabelecidos; outros, sob agendamento prévio.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA E SEMINÁRIO DE OLINDA

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA E SEMINÁRIO DE OLINDA
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA E SEMINÁRIO DE OLINDA

Duarte Coelho a ergueu como ermida em 1552. Foi doada aos jesuítas para que fizessem a catequização dos indígenas e construíssem o Real Colégio de Olinda, conhecido como “Coimbra das Américas”, o que ocorreu em 1575. Incendiada pelos holandeses, a igreja foi restaurada a partir de 1660.

Funcionaram no local o Colégio Arquidiocesano, a Faculdade de Arquitetura, a Escola de Agronomia e o Seminário da Arquidiocese, ainda em atividade, onde o padre Antônio Vieira lecionou. Apesar das intervenções, o conjunto constitui uma rara mostra da arquitetura quinhentista.

Em seus altares laterais figuram as mais antigas construções de pedra do Brasil. A visita, sempre restrita a alguns espaços, pode ser monitorada, desde que com agendamento prévio. Rua Bispo Coutinho, s/n, Alto da Sé.

CONJUNTO DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO

CONJUNTO DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO
CONJUNTO DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO

Os franciscanos começaram a erguer o prédio em 1585 e ampliaram as instalações gradualmente.

O conjunto, que compreende a igreja de Nossa Senhora das Neves, a capela de são Roque e o convento, sofreu danos com a invasão holandesa e foi reformado ainda no século XVII.

No claustro, dentro do convento, destaca-se a sala do capítulo, o único cômodo remanescente do convento original, decorado com azulejos portugueses em azul, amarelo e vermelho, que formam a grande riqueza deste conjunto, ornando também a igreja, os corredores do convento e a capela.

No interior da igreja impressionam o forro em caixotão com pinturas da Sagrada Família, do século XVIII , e os painéis de azulejo que narram a vida de Nossa Senhora, entre eles um que mostra a circuncisão de Jesus.

Nos fundos, vale apreciar a sacristia, com belo entalhe no faustoso arcaz de jacarandá. Na capela, interligada à igreja, podem ser observados os detalhes das talhas. Rua São Francisco, 280, Carmo.

IGREJA E CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

IGREJA E CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO
IGREJA E CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO

À preciosa construção, hoje a cargo das irmãs dorotéias, se recolhiam senhoras no século XVI. É aberta ao público apenas durante os horários de missa.

Após ter sido incendiada pelos holandeses, a igreja erguida em 1585 foi reconstruída em 1675 e transformada em convento. Nela, destacam-se as pinturas do forro, que retratam etapas da vida de Nossa Senhora.

E também, com pintura em ouro, policronúa e coroa de prata, a imagem barroca de Nossa Senhora da Conceição. Largo da Misericórdia, s/n, Alto da Sé.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO MONTE

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO MONTE
IGREJA DE NOSSA SENHORA DO MONTE

A Igreja de Nossa Senhora do Monte construída em 1540, está em região erma, num elevado 55 metros acima do nível do mar. Daí não ter sofrido grandes estragos durante a invasão holandesa.

Chama a atenção o arco de pedra que emoldura a porta de entrada.

O interior, simples, não tem forro e a estrutura do telhado é aparente. O altar, austero, guarda a imagem de são Bento. Hoje, trinta monjas beneditinas vivem ali.

A sugestão é visitar a igreja às 17 horas, quando as monjas cantam e, na porta lateral, vendem seus tradicionais bricelets (finíssimas camadas de massa feita com trigo, dobradas como um papel formando um biscoito folhado ).

A receita suíça transforma-se em algo que beira o sagrado graças à delicadeza na execução da massa. Podem ser feitas encomendas. Praҫa Nossa Senhora do Monte, s/n, Bultrins.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA
IGREJA DE NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA

Também chamada de igreja de Nossa Senhora da Luz, foi erguida em 1540, ao lado da Santa Casa de Misericórdia. Incendiada nas batalhas contra os holandeses, foi restaurada após a expulsão dos invasores.

Em seu interior destacam-se a talha em estilo Dom João V presente no púlpito e altar, bem como os painéis do forro com passagens da vida da Virgem Maria e a pia batismal em cantaria portuguesa.

É mantida pelas irmãs beneditinas, que cantam nas missas diárias das 18 horas . Do adro tem-se bela vista de Olinda. Rua Bispo Coutinho, s/n, Carmo.

CATEDRAL DA SÉ

CATEDRAL DA SÉ EM OLINDA
CATEDRAL DA SÉ

Catedral da Sé é a arincipal igreja de Olinda, a Catedral da Sé, ou igreja de São Salvador do Mundo – o padroeiro da cidade – passou por várias fases.

A primeira construção, pequena e de taipa, data de 1540; em 1584 foi erguida uma igreja de pedra e cal, posta abaixo pelos holandeses e restaurada a partir de 1656.

Depois de extensos trabalhos de restauração ao longo do século XX, uma nova obra recuperou o traçado quinhentista.

As etapas estão registradas em desenhos e fotos expostos na parede lateral da igreja. No interior destacam-se os painéis de azulejos do século XVII ; próximo do altar-mar fica o túmulo de Dom Hélder Câmara, ex-arcebispo de Olinda.

Do lado de fora descortina-se uma das mais belas vistas de Olinda e Recife. Cúria: Ladeira da Sé, s/n, Carmo.

Veja As igrejas mais antigas de Pernambuco e a primeira igreja do Brasil

História de Olinda PE

O centro histórico de Olinda conserva o traçado urbano e a paisagem da vila fundada em 1535, por Duarte Coelho Pereira, quando os portugueses iniciaram a ocupação do Brasil.

1. Inscrição na Lista do Patrimônio Mundial

O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Olinda foi inscrito no Livros de Tombo de Belas Artes, no Histórico e no Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico em 1968.

Em 17 de dezembro de 1982, a cidade foi inscrita pela UNESCO na Lista do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural.

2. Ocupação do Brasil

Olinda foi fundada em 1537 por Duarte Coelho Pereira, primeiro Donatário da Capitania de Pernambuco.

O nome da vila, conta a tradição, surgiu de uma expressão de encantamento de Coelho diante da paisagem avistada do alto das colinas: “Ó linda situação para se fundar uma villa”.

Os portugueses escolheram o sítio para sediar o Governo, seguindo a tradição mediterrânea das cidades localizadas em elevações, como meio de defendê-las militarmente. Alguns quilômetros ao sul, na atual cidade do recife, localizou-se o porto.

O centro histórico de Olinda conserva, com muita fidelidade, a trama urbana, a paisagem e o sítio da vila fundada ainda na primeira metade do século XVI, quando os portugueses iniciaram a ocupação da terra descoberta em 1500.

O traçado urbano é informal, característico dos povoados portugueses de origem medieval, e tem seu encanto intensificado pela paisagem e pela localização.

Nas elevações, todo o conjunto edificado está envolvido pela vegetação. Plantada nos logradouros, nos jardins e nos quintais, árvores frutíferas como coqueiros, mangueiras, jaqueiras, sapotizeiros e outras, dão ao sítio valor dominante de núcleo urbano imerso em massa verde, sob a luz tropical, tendo ao pé a praia e o oceano.

O caráter próprio e diferenciado de Olinda está nessa ambiência paisagística, que a identifica ao longo de sua história.

3. O ciclo da cana de açúcar

O ciclo da cana-de-açúcar transformou Olinda num dos mais importantes centros do Brasil Colonial. Com a conquista de Pernambuco pelos holandeses em 1630, a cidade foi incendiada e a capital transferida para Recife.

Tornando-se desde os últimos anos dos quinhentos e um dos núcleos mais importantes do ciclo da cana-de-açúcar, Olinda progrediu rapidamente, beneficiada pela alta cotação do produto no mercado internacional dos séculos XVI e XVII.

Em 1612, centralizava a produção dos 99 engenhos de açúcar de Pernambuco, quando a bahia, sede do Governo Geral da Colônia, só contava 50.

O açúcar, que fez a riqueza de Olinda, motivou, também, a invasão holandesa. Em disputa do monopólio do produto, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais invadiu a vila e a ocupou militarmente, em 1630.

Um ano depois, julgando-a de localização inadequada – não só por facilitar a reação portuguesa como por sua distância do porto – os holandeses a abandonaram e incendiaram, transferindo-se para o Recife.

De suas ruínas, ficaram testemunhos admiráveis, como as telas de Frans Post (1612-1680), um dos primeiros artistas que registraram a paisagem tropical do Brasil.

Restaurado o domínio português em 1654, Olinda e Recife passaram a disputar a hegemonia política da Capitania.

Os produtores de açúcar e as ordens religiosas empenharam-se em fazer retornar a administração para a antiga sede, em oposição aos grupos interessados no comércio marítimo, que favoreciam Recife.

Os primeiros vencem a disputa e Olinda volta a sediar o Governo pernambucano. A reconstrução de Olinda foi realizada, de forma lenta, nos 100 anos seguintes.

Em 1676, Olinda tornou-se a cabeça do Bispado de Pernambuco e foi elevada à categoria de cidade.

Surgem novas igrejas e as primitivas, construídas no início do século XVI, quase todas atingidas pelo incêndio de 1631, são restauradas.

Situada à beira-mar, a cidade acomoda-se sobre oito colinas interligadas, em seus topos, por ruas e ladeiras íngremes, e comunicando-se nas proximidades dos rios Capibaribe e Beberibe.

4. Traçado urbano

O casario colorido, característico do povoamento português colonial, e a imponência de suas igrejas brancas, destacam-se contra o verde intenso da vegetação tropical e o azul turmalina do mar.

A brisa que movimenta os coqueirais banhados pela intensa luminosidade tropical, faz de Olinda um lugar inesquecível.

O traçado urbano é informal, característico dos povoados portugueses de origem medieval, e tem seu encanto intensificado pela paisagem e pela localização.

Nas elevações, todo o conjunto edificado está envolvido pela vegetação. Plantada nos logradouros, nos jardins e nos quintais, árvores frutíferas como coqueiros, mangueiras, jaqueiras, sapotizeiros e outras, dão ao sítio valor dominante de núcleo urbano imerso em massa verde, sob a luz tropical, tendo ao pé a praia e o oceano.

O caráter próprio e diferenciado de Olinda está nessa ambiência paisagística, que a identifica ao longo de sua história.

As ruas acompanham as cristas, as curvas de nível, ou sobem pelas encostas, por vezes pelas linhas de maior aclive. Elas se formaram e permanecem até hoje sinuosas, interligando as igrejas, os conventos e as principais edificações.

Ora se definem a partir das fachadas das casas, que se estendem continuamente, ora são delimitadas pelos muros que cercam quintais e jardins, apresentando-se irregulares no traçado, em suas larguras e em seus cruzamentos.

Junto ao casario – singelo, em sua maioria, mas admiravelmente integrado ao conjunto – erguem-se igrejas notáveis, seja por seu valor arquitetônico, seja pela qualidade de seus elementos decorativos, como talhas de altares, pinturas, painéis de azulejos, etc.

Essas edificações foram construídas a partir do século XVI pelas missões religiosas que ali se fixaram.

A arquitetura civil residencial combina elementos do século XVII, com seus balcões de treliça, a outros, do XVIII e do XIX, com revestimentos de azulejos, e elementos neoclássicos do início do século atual.

As características da arquitetura popular olindense tornaram-se marcantes: manifestação da cultura herdada de Portugal e adaptada às condições brasileiras, adquiriram caráter próprio e continuidade no tempo.

As alterações de formas e usos, que testemunham o processo evolutivo do conjunto, se fizeram sem o sacrifício da implantação urbana primitiva e da relação de integração paisagística.

A paisagem e a arte se reúnem admiravelmente em Olinda. A riqueza das 20 igrejas e conventos barrocos, notáveis por sua arquitetura e pela qualidade de seus elementos decorativos, soma-se ao singelo casario, com fachadas de azulejos e balcões de treliça.

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